António Bota destaca importância do Terras sem Sombra para Almodôvar

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No âmbito do Festival Terras sem Sombra, que este fim-de-semana levou a abertura da 13ª edição do festiva a Almodôvar, o Infocul entrevistou o Presidente da Câmara Municipal de Almodôvar, António Bota, sobre o desenvolvimento turístico e cultural e quais os projectos de maior impacto nestas duas áreas que Almodôvar tem para oferecer.

 

 

Há muito trabalho a fazer. Estamos a trabalhar para que o Turismo seja uma fonte de rendimento de excepção para os nossos produtores, porque temos muitas condições para ganhar dinheiro em Almodôvar, desde que seja dinheiro ganho honestamente. Almodôvar faz parte da rota Nacional 2, uma associação de promoção da Estrada Nacional 2 enquanto polo turístico, equivalente aquilo que se fez nos Estados Unidos co a Rota 66 e com a 44 na Argentina. Com esta mais valia contamos também trazer grupos, que passam por Almodôvar e com isso fazer da nossa terra um ponto de passagem quase obrigatório para quem quer usufruir da diversidade da fauna, da gastronomia, dos monumentos e de tudo um pouco o que Almodôvar tem para oferecer. Até ao momento vivemos um pouco do turismo relacionado com a cultura, fazemos diversos eventos ao longo do ano para trazer pessoas cá para a terra” começou por nos dizer António Bota quando questionado de como estava o desenvolvimento da actividade turística em Almodôvar, antes de acrescentar que “estamos a fazer o nosso trabalho, não tem sido fácil porque a economia nacional não está a ajudar, existe alguma dificuldade financeira nas pessoas que querem viajar e tirar proveito, temos muita gente a visitar-nos mas pouca gente a ficar cá e a prolongar a sua estadia, temos que criar condições para que venham e fiquem porque se não ficarem, não gastam cá dinheiro”.

 

 

Uma das constantes criticas que se faz ao Alentejo é a sua rede de transportes. Sobre este facto, António Bota diz que “está uma desgraça, ou seja, está igual a qualquer terra do Alentejo. Os transportes públicos são quase inexistentes, para fazermos 50 ou 60 quilómetros e ir à capital do Baixo Alentejo, Beja, temos que sair de casa às 8 da manhã e regressar às 11 da noite. Isto não é naturalmente uma boa opção para o turista, mas de facto, sabemos que a maior parte dos turistas tem carro próprio, ou vem com guias, etc. De qualquer forma, ter essa condição em Almodôvar seria uma forte componente para termos um aumento significativo, um aumento muito bom, do turismo em Almodôvar. No entanto esperamos que um dia essa situação possa melhorar, não é por falta de pressão das entidades governamentais, é sim porque não justifica terem autocarros com mais frequência quando não existem passageiros para eles”.

 

Ao longo do ano, Almodôvar oferece vários eventos culturais e turísticos que levam muitos curiosos a esta localidade. “Nós temos um evento que começámos há dois anos, que ganhou no ano passado o prémio de melhor evento turístico da Região de Turismo do Alentejo, que é o AlmARTE, artes de rua de Almodôvar. Temos também a Facal no mês de Julho, segundo fim-de-semana de Julho, que é uma feira por excelência da arte e artesanato de Almodôvar, uma feira que junta os filhos da terra, aqueles que estão fora e os que estão na Diáspora, temos também mais para o final do ano um evento que é o Escritas do Sul, que começámos o ano passado. Temos depois eventos mais pequenos como São João, festejamos o São João a 23 de Junho, temos o 25 de Abril, temos em Outubro uma pequena festinha em Almodôvar e temos depois no Natal uma festinha dos mais pequenos que é o Natal de Almodôvar que traz muita gente cá à terra. Tirando isso apoiamos outros eventos como os que sejam de promoção de produtos como a Feira do Mel, a Feira do Pão e vai surgir uma este ano relacionada com os produtos endógenos da terra. Portanto vamos trabalhando para manter viva a necessidade de vir a Almodôvar”, refere o presidente da Câmara.

 

 

 

O Cante Alentejano tem também o seu espaço nesta localidade alentejana, até porque “temos oito grupos corais de cante alentejano. Significa que temos cerca de 150 cantadores e cantadoras que se envolvem naturalmente, é raro o fim-de-semana que não haja saídas desses grupos, há pessoas que não gostam, naturalmente, mas o facto é que têm tido um sucesso enorme, e falta-nos agora, se calhar, misturar os nossos jovens mais pequenos com esses grupos para possamos assim dar continuidade aos grupos. O facto de o Cante ser agora património imaterial da humanidade, só nos dá uma grande vantagem , que é quando cantamos à alentejana num café já não somos vistos como bêbados mas sim como cantadores de um cante internacional. E até há dois ou três anos cada vez que cantávamos eramos considerados bêbados”.

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Importante para Almodôvar é também o Festival Terras sem Sombra, numa parceria que dura desde a primeira edição. Segundo o autarca este evento é “Importantíssimo. Traz a Almodôvar um grupo de pessoas que não viriam cá certamente. Permite-nos divulgar o nosso património cultural, nomeadamente aquele relacionado com a igreja e com a religião, permite divulgar esse património a nível mundial. Dá-nos a possibilidade de estar ligados a um grupo de pessoas que são valorizadas no mundo inteiro pelos seus conhecimentos, pela sua cultura, pela sua capacidade de apreciar, e esse grupo estar em Almodôvar, significa que também fazemos parte desse roteiro de qualidade e empenho que temos em promover o que temos de bom para oferecer à comunidade mundial. Depois juntar a parte cultural com as caminhadas da biodiversidade é agradável de saber, porque assim sabemos que Almodôvar não é só a igreja para cantar, mas que é sim a continuação de um fim-de-semana em que apreciam a nossa gastronomia, a nossa paisagem e levam para fora a imagem de que Almodôvar temos mais para oferecer do que igrejas para visitar”.

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Notícia publicada a 13/02/2017

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