Ana Bacalhau revela ao Infocul que “sou um pouco preguiçosa para acabar as letras que vou começando e deixando a meio” e que quer “cantar até ser velhinha”

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Ana Bacalhau acaba de lançar o seu primeiro disco a solo, “Nome Próprio”, e além de uma agenda já preenchida para 2018, há a destacar dois concertos em Porto e Lisboa no final de Janeiro: dia 26 de janeiro, no Teatro Tivoli em Lisboa , e dia 31 de janeiro, concerto na Casa da Música do Porto.

 

 

 

Nasceu em Lisboa, decorria o ano de 1978, e o seu primeiro sonho era ser professora. Quis o destino que a música lhe abraçasse a vida e que a sua vida vivesse num abraço continuo com a música.

 

 

 

A primeira banda chamou-se Lupanar tendo nascido em 2001, de uma ideia conjunta de Gonçalo Tocha e Dídio Pestana de fazer música em Português, explorando sons, palavras e géneros musicais sem constrangimentos ou barreiras. Aí conheceu Zé Pedro Leitão, contrabaixista, com quem formou o  trio de Jazz Tricotismo, em 2005, onde exploraram em conjunto o seu gosto pelo Jazz e Blues. A Deolinda chegaria em 2006. Com ela, o desejo de viver em exclusivo da música torna-se realidade e desde então tem calcorreado mundo com as palavras e sons da banda. Para além do seu trabalho na Deolinda, partilhou a voz e o palco com outros músicos, como Gaiteiros de Lisboa, Sérgio Godinho, Xutos & Pontapés, António Chainho, Pedro Abrunhosa, Ana Moura. Em 2013, recebeu o convite para participar numa canção promovida pela ONU, “One Woman”,  de entre um lote de 25 cantoras, onde se incluem Concha Buika, Bebel Gilberto e Rokia Traoré. A canção pretende alertar para a defesa dos direitos das mulheres. Estreou-se a solo em Dezembro de 2013, com o projecto “15”, onde mostra as canções e os músicos que a influenciaram desde os 15 anos, idade em que começou a cantar. É cronista da revista Notícias Magazine desde Novembro de 2011, onde cumpre semanalmente um dos seus gostos de criança: escrever.

 

 

 

Em 2017 chegou o seu primeiro disco a solo. Abaixo a entrevista que a artista acaba de conceder ao Infocul onde aborda o seu novo disco, os espectáculos da digressão de 2018 e ainda o seu lado mais pessoal.

 

 

 

Este é o primeiro disco em Nome Próprio. Quando tomou a decisão de o gravar?  

Tomei a decisão de avançar para este disco em 2015. Sabia que ainda havia um disco de Deolinda para fazer antes do meu disco a solo e fui amadurecendo as ideias aos poucos até começar a pedir músicas aos autores que integram este disco e a organizar a banda que me acompanha.

 

 

 

Este é o melhor momento para um disco a solo?

Os momentos certos são aqueles em que nos sentimos preparados. Nesse sentido, sim, porque estava certa do que queria fazer e preparada para o fazer.

 

 

 

Há alguma continuidade na linguagem musical dos Deolinda neste disco?

Haverá, na medida em que eu sou uma parte de Deolinda e, portanto, o ADN da banda contém ADN meu, também. Ora, num disco a solo, esses pontos comuns aparecem, claro. Mas o meu trabalho com a música portuguesa vem desde a minha primeira banda, Lupanar e também ouço ecos de Lupanar neste disco. O que me propunha era fazer um primeiro disco que me apresentasse e acho que fui bem sucedida, porque quem o ouça percebe de onde venho e, espero, para onde quero ir.

 

 

 

O público habituou-se a ouvir e a associar a Ana Bacalhau aos Deolinda. O que vão encontrar de novo neste disco?

Uma Ana que se esconde atrás do cabelo, que canta de olhos fechados e fica quieta em palco. A par da Ana cheia de energia, que também lá estará, claro. É um disco onde me apresento às pessoas que me queiram conhecer um pouco melhor.

 

 

 

Neste disco conta com temas de Nuno Figueiredo, Jorge Cruz, Nuno Prata, Janeiro, Miguel Araújo, Márcia, Francisca Cortesão, Capicua… São pessoas que a conhecem bem? Ou o pedido foi por admiração profissional?

As duas coisas: adoro-os como pessoas e adoro-os como criativos. Há muito que queria interpretar canções suas e aproveitei a oportunidade.  

 

 

 

Ana Bacalhau enquanto admiradora e consumidora de música, como definiria este disco em termos de sonoridade? Como o classificaria?

Não sei. Andará pela pop e pela música popular.

 

 

 

Neste disco também se mostra enquanto letrista. Quando começou o gosto pela escrita?

Foi a minha primeira paixão artística. Usava a escrita como forma de expressão desde tenra idade e só algum tempo depois descobri a música. Mas a verdade é que sou um pouco preguiçosa para acabar as letras que vou começando e deixando a meio. Tenho de me ir obrigando a retomar o trabalho de escrita e quando há um objetivo com prazo definido, como um disco, é mais fácil.

 

 

 

É mais fácil cantar o que escreve ou o que os outros escrevem para si?

Nada é fácil, no sentido em que tudo me exige o maior rigor e respeito. Quando canto, sou intérprete, independentemente de quem tenha escrito aquela canção. O meu papel é traduzir o sentido da mesma. Claro que quando sou eu a autora, é mais imediato saber o que aquela canção quer transmitir. Mas parto para todas as canções do mesmo ponto de partida e com a mesma vontade de lhes fazer justiça.  

 

 

 

Em termos de espetáculos, para apresentação deste disco, há duas grandes datas. Lisboa e Porto o que podem esperar em termos de espetáculo? Há convidados? Vai cantar temas dos Deolinda?

Nestes concertos vou apresentar o meu disco na íntegra. Tenho também um cenário que pretende ajudar a contar algumas das canções, ou, pelo menos, “pintar” o ambiente das músicas.

 

 

 

Perdeu-se uma professora e ganhou-se uma artista. Como é desistir de um sonho e abraçar outro?

É fácil, quando se tem a certeza daquilo que nos fará feliz. Quando descobri a minha voz, percebi que tudo o resto não era tão vital para mim quanto fazer música. Por isso, tomar a decisão foi muito fácil e natural.

 

 

 

Quem é Ana Bacalhau fora dos palcos e o que gosta de fazer?

Ainda estou para descobrir. Tento conhecer-me, mas, ao mesmo tempo, acarinho aqueles cantos escuros onde ainda não consegui entrar. Sei que um dia eles hão-de revelar-se. No dia-a-dia, sou uma pessoa discreta, introvertida e gosto muito de estar em casa, a cozinhar, a fazer puzzles, gosto de passear sem rumo e de ler.

 

 

 

Como analisa o atual momento do mercado da música em Portugal?

Há uma variedade e riqueza incríveis na música que se está a fazer agora cá. Sobretudo, uma abordagem desempoeirada e descomplexada daquilo que é a música portuguesa e do lugar dos músicos portugueses no mundo.

 

 

 

Quais os maiores desafios para se manter no topo?

Para que o sucesso se possa transformar num caminho longo e proveitoso é necessária alguma sensibilidade, bom senso e inteligência para que as coisas não nos subam à cabeça e não achemos que tudo vai ser sempre assim, fácil e imediato. Temos de nos manter atualizados e atuais, olhar para o mundo com curiosidade e interesse, nunca achar que já sabemos tudo e detemos todas as respostas.

 

 

Quais os grandes sonhos por concretizar que ainda tem na música? E na vida pessoal?

Tantos. Essencialmente, cantar até ser velhinha, ter um público que me queira ouvir, rir muito, amar muito, viajar muito, estar com quer me quer bem e fazer bem aos que me rodeiam.

 

 

 

Qual a importância das redes sociais no seu trabalho?

São essenciais para a comunicação de uma imagem que possa complementar o trabalho que fazemos em disco e nos palcos.

 

 

 

Dedica muitas horas às redes sociais?

Dedico uma boa parte do meu tempo, mas tento não me deixar assoberbar, porque tenho uma família e amigos que precisam da minha atenção.

 

 

 

É a Ana quem gere as suas páginas?

Sim, sou eu. Por vezes, a minha agência publica alguns conteúdos oficiais, mas a maior parte das publicações são minhas.

 

 

Qual a mensagem que gostaria de deixar aos leitores do Infocul?

Viva a cultura e a informação. Com elas, o mundo torna-se muito melhor e mais justo.

 

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Notícia publicada a 09/01/2018


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