Carlos Zel recordado com saudade em Cascais

fado mercado

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O Mercado da Vila, em Cascais recebeu, na noite desta sexta-feira, uma homenagem a Carlos Zel. O elenco contou com Celeste Rodrigues, João Braga, Mário Pacheco, Mafalda Arnauth, Pedro Moutinho, Joana Amendoeira, José da Câmara e Carlos Leitão.

 

 

 

Numa noite já quente, em palco a temperatura subiu ainda mais. Por entre boas interpretações e palavras de reconhecimento para com o homenageado da noite, tempo ainda para algumas histórias contadas, pelos artistas, sobre e de Carlos Zel.

 

 

Joana Amendoeira teve a responsabilidade de abrir as actuações e fê-lo correctamente com afinação, dicção perfeita e um sentimento valorizador das palavras dos poetas. Colocou o público a acompanhar com palmas no terceiro tema, “Lisboa de Madrugada” de Pedro Jóia e Tiago Torres da Silva. Contudo a sua melhor interpretação surgiu logo no primeiro tema com “Trago Fados nos sentidos” de Amália Rodrigues e Fontes Rocha.

 

 

 

José da Câmara esteve irrepreensível. Postura, linguagem corporal, dicção, afinação e interacção com o público em dose equilibrada, além de três interpretações bem conseguidas. Cantar fado até parece simples. Das melhores performances da noite.

 

 

Mafalda Arnauth trouxe um alinhamento bem conhecido do público com “Hortelã Mourisca”, “Recado a Lisboa” e “Foi Deus”, contudo a sua interpretação não foi bem conseguida. Uma dicção e afinação a necessitarem de dias melhores. Seria bom voltarmos a ter Mafalda Arnauth dos tempos áureos…

 

 

 

Pedro Moutinho está num excelente momento em termos de interpretação e de postura em palco. Venceu o ‘nervosismo crónico’ e consegue mostrar toda a sua capacidade e talento. O mais novo do clã Moutinho é um fadista por inteiro e que consegue momentos sublimes, fazendo o fado acontecer em palco.

 

 

 

Mário Pacheco trouxe dois instrumentais a Cascais e mostrou porque é reconhecidamente um dos melhores no dedilhar da guitarra portuguesa. O público prestou duas fortes ovações.

 

 

 

Carlos Leitão conseguiu três interpretações ao nível que já habituou o público. Teve dos discursos mais emotivos sobre Carlos Zel. Tem um timbre que o distingue dos restantes e uma capacidade de dar vida às palavras como poucos, conseguindo criar impacto perante o público.

 

 

 

Os dois melhores momentos da noite estiveram a cargo e João Braga e Celeste Rodrigues. João Braga continua a ter o carisma de sempre, uma capacidade de improviso de excelência e uma interpretação que nos transporta para os tempos áureos do fado. Aqueles em que nem tudo era considerado fado. Celeste Rodrigues aos 94 anos mostrou que a sua juventude e alma fadista são eternas. Três interpretações assombrosas. Público rendido e com aplausos efusivos.

 

 

 

Os fadistas foram acompanhados por Mário Pacheco na guitarra portuguesa, Carlos Leitão na viola de fado e Carlos Menezes no contrabaixo, que estiveram correctos e demonstrando uma grande cumplicidade entre si.. Inicialmente estava previsto ser Rogério Ferreira na viola de fado, mas por motivos de saúde não foi possível a presença do músico no espectáculo.

 

 

 

O espectáculo terminou com todos os artistas em palco perante o público de pé numa homenagem bonita a Carlos Zel.

 

 

 

António Carlos Pereira Frazão, artisticamente conhecido como Carlos Zel, foi (e é) dos nomes mais importantes do Fado. Com uma vasta carreira e vários discos editados, Carlos Zel foi também um promotor dos novos talentos com as “quartas de fado” no Casino Estoril, no qual se realiza, actualmente, uma gala anual intitulada Gala de Fado Carlos Zel.

 

 

 

Carlos Zel é uma das maiores referências para muitos fadistas, não apenas pelo seu lado profissional, mas também pelo carisma pessoal. Todos, ou quase, falam dele com saudade, admiração e respeito. As homenagens que lhe são feitas deverão  servir para perpetuar o seu talento e a sua obra na memória das gerações vindouras. Porque sem passado, ou pelo menos respeitando-o, será muito difícil existir um próspero futuro.

 

 

 

No ano em que iniciou a sua carreira, 1967, lançou logo o primeiro disco, “Rosa Camareira”, tendo no ano seguinte feito a sua estreia na então Emissora Nacional. Da sua discografia constam ainda “Poemas de Eduardo Damas”, “Maria dos Olhos Negros”, “Portugal Verde Encarnado”, “Cantigamente”, “Carlos Zel”, “Fados”, “Fado” e “Com tradição”. A sua carreira conta ainda com passagens pelo teatro e pela televisão. Foi um dos fundadores da Academia do Fado e da Guitarra.

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Notícia publicada a 12/08/2017


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