Carolina: “enCantado” é um disco “mais pessoal”

carolina

carolina

 

 

“enCantado” é o novo disco de Carolina, fadista que actuará no Caixa Alfama, no mês de Setembro. A artista concedeu uma entrevista ao Infocul, em que aborda o processo criativo do disco e desvenda um pouco do que levará ao festival de fado, em Lisboa.

 

 

 

O novo disco de Carolina conta com produção de Diogo Clemente, tendo como músicos Marino de Freitas no baixo, Ângelo Freire na guitarra portuguesa, Diogo Clemente na guitarra acústica, André Silva, Ashla K, Diogo Clemente e Valter Rolo na percussão e ainda Denys Stetsenko na viola de arco e violino.

 

 

 

Carolina, porquê Encantado?

Quando nos apaixonamos por alguém ou quando uma relação começa tudo nos parece maravilhoso e encantado. Mesmo que não seja sempre assim, no início há sempre um deslumbramento e um sentimento mágico pelo outro. O “enCantado” , acrescenta algo mais por estar escrito desta forma. Cantar o amor ou o desamor é o objectivo deste disco.

 

 

 

Quando começaste a pensar neste disco e a fazer a escolha de repertório?

O processo é sempre continuo. Quando se acaba um começa-se logo a pensar no seguinte. E muitas vezes acontece sem querer e esbarramos com músicas e letras que poderiam ter lugar num terceiro ou num quarto disco. Mas a música que despertou todo o processo e o conceito do enCantado foi a Falar de Amor da Carolina Deslandes.

 

 

 

Em termos de composição e escrita contas com Diogo Clemente, António Mafra, Flávio Gil e mostras também o teu lado, até agora pouco conhecido, da escrita. Como foi seleccionar este repertório e o que pretendes transmitir?

Havia a necessidade de fazer um segundo disco. Eu sabia qual era o conceito que queria e partilhei com o produtor , Diogo Clemente. Queria que todas as letras falassem de amor e escolhi aquelas que mais me chegavam ao coração , as que mais me emocionavam.  Estreei-me na escrita com a letra Saudades de mim, fui até às memórias da infância com a música “Coração com Coração ” que aprendi com o meu pai, chorei quando ouvi as composições do Diogo e até foi emocionalmente difícil gravá-las, fui até às raízes com a canção “Longe Daqui “de Amália Rodrigues, apaixonei-me pela Gota d’Agua do Flavio Gil e fui até ao outro lado do Oceano cantar Sueli Costa.

 

 

 

Este é um disco de fado ou um disco de canções cantadas por uma fadista?

Não tenho a pretensão de carimbar o meu disco entre ser uma coisa ou a outra. Acho que se podem conciliar ambas as partes e o meu maior desejo é que quem o ouve se reveja nas letras e se identifique de alguma forma com elas. É o meu fado, canto há mais de 10 anos numa casa de fados e isso faz-me pertencer a ele e é nele que eu me sinto bem.

 

 

 

Qual a principal mensagem que pretendes transmitir com este disco?

A mensagem mais bonita está na última música do disco , Segue o teu Destino. Com arranjo de Marino de Freitas é uma música da brasileira Sueli Costa e letra de Ricardo Reis, que eu fiz questão que fechasse o disco pela mensagem que possui e que nos diz para aceitarmos o que a vida nos dá, amando-nos a nos próprios, sem questionarmos as sombras que se atravessam no nosso caminho, simplesmente vivendo, pois os deuses são deuses porque não se pensam. Depois de tanta dor e desencontro amoroso nos temas anteriores este é para mim a conclusão mais bonita. Aceitar o nosso caminho e o caminho do outro.

 

 

E de que forma transportarás este disco para o palco? Já pensaste no conceito de espectáculo e na cenografia que o irá envolver?

É algo que já imagino há algum tempo e que gostaria de por em prática nos próximos concertos. O desenho de luzes é um dos factores mais importantes.

Mas pra já, e enquanto as minhas ideias se vão desenhando e concretizando passo a passo, o mais importante é estar focada no canto e que as pessoas se revejam na minha música.

 

 

 

Qual o tema, deste disco, que mais te identifica enquanto pessoa? (Não vale responder todos…)

Depende sempre do estado de espírito em que me encontro. Mas a Coração com Coração leva-me ao lugar da minha infância porque era pequenina quando a aprendi e traz-me memórias muito bonitas.

 

 

 

Quais as grandes diferenças deste disco para o primeiro?

Este disco é mais pessoal. O primeiro foi o resultado de fados e canções que fui juntando ao longo do meu percurso. Neste último havia um tema que queria abordar e um estado emocional que me obrigou a fazê-lo desta forma.

 

 

 

Qual a importância de ter um produtor como Diogo Clemente, sabendo-se que ele é metódico e com cuidado extremo em todos os detalhes?

Quando decidimos fazer este disco a vontade de o fazer foi mútua! E o mais importante foi o processo criativo, o entendimento e o respeito pelo trabalho um do outro. Valorizo e acredito muito no trabalho dele e como ele conhece bem a minha forma de cantar foi meio caminho andado para que a relação artista/produtor corresse muito bem. É importante estarmos na mesma frequência e quando isso acontece só pode correr bem.

 

 

 

Em termos de espectáculos, estás confirmada no Caixa Alfama. O que já se pode saber sobre o que vais apresentar no festival?

Vou cantar as musicas do primeiro e do segundo disco. Ainda estou em fase de recolha de informação do espaço e de saber o que é possível fazer, mas vai ser certamente uma alegria voltar a fazer parte do festival.

 

 

 

Que mais espectáculos podem ser anunciados?

Dia 3 de Novembro vou estar no Teatro Municipal de Bragança.

 

 

 

Acabaste agora de fazer o Amália, de Filipe La Féria. Como correu?

Foi bom poder voltar a representar, 12 anos depois de me ter estreado no mesmo musical com o mesmo papel. O grau de responsabilidade foi bem mais consciente e  também mais maduro.

 

 

 

Neste projecto teatral, o que ganhaste em termos humanos ao representar o nome maior do Fado?

Poder vincar ainda mais o que sempre fui e o meu modo de estar com os outros, poder relacionar-me com pessoas que já não via há anos e conhecer outras, receber aplausos calorosos e emocionados do público, perceber que na vida e no palco nunca sabemos muito bem o que acontece nem quando o pano abre nem quando o pano fecha. É uma realidade invertida que nos faz sonhar e onde a loucura de representar nos faz acreditar que é tudo verdade e onde tudo é possível.

 

 

Alinhamento “enCantado”

 

1-Falar de Amor
2- Coração com Coração
3-Traição
4-Ninguém
5-Longe Daqui
6-Vou querer saber de mim
7-A noite e o dia
8-As tranças da Maria
9-Gota d’Água
10-Saudades de Mim
11- Segue o teu destino

 

 

Partilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Notícia publicada a 09/09/2017

Tagged with:    

About the author /


Post your comments

Your email address will not be published. Required fields are marked *

_