A celebrar 85 anos, Grupo Tauromáquico Sector 1 ” tem desenvolvido uma vasta série de iniciativas de âmbito taurino”, revela Patricia Sardinha

85º ANIVERSÁRIOcompleto

85º ANIVERSÁRIOcompleto

 

 

 

O Grupo Tauromáquico “Sector 1” comemora 85 anos de existência, efeméride que será celebrada num jantar com convidados especiais. O Toureio.pt, em parceria com o Infocul,  entrevistou a presidente do grupo, Patrícia Sardinha, que falou sobre a história do grupo, a actividade do mesmo e ainda sobre a actualidade da Festa Brava em Portugal. O jantar de aniversário realiza-se pelas 20:15 de dia 20 de Outubro, no Restaurante Jardim do Mundial (Hotel Mundial – Lisboa) e terá um custo de 22€.

 

 

Toureio/Infocul– Qual o trabalho desempenhado pelo Grupo Tauromáquico “Sector 1”?

Patricia Sardinha- O Grupo Tauromáquico “Sector 1” foi fundado a 1 de Maio de 1932 com a finalidade estatutária de defender, propagar e prestigiar a festa de toiros em toda a sua pureza. Desde a sua criação que o Grupo tem desenvolvido uma vasta série de iniciativas de âmbito taurino, promovendo e divulgando a festa brava entre os seus associados e aficionados em geral, entre as quais se salienta o apoio a jovens toureiros em início de carreira e a criação de uma revista que, ainda que com publicação intermitente, perdurou décadas. Actualmente, o “Sector 1” mantém essa intenção de promover e apoiar, como aconteceu por exemplo com os prémios “Incentivo & Mérito”, de modo a incentivar e motivar alguns dos nossos jovens artistas nas variadas áreas. Tem também uma grande preocupação na formação dos sócios e demais aficionados, pelo que sempre se fomentou o ensino da Tauromaquia, quer com os Cursos de Formação Taurina, quer com o Fórum de Cultura Taurina ou com outros colóquios por nós organizados. A par disso, mantemos o nosso sentido e dever de reconhecimento, através de homenagens feitas a figuras da Tauromaquia, oriundas dos vários sectores taurinos.

 

 

T/I- Qual a importância deste grupo para a tauromaquia e de que modo a desenvolve, na sua opinião?

PS- A importância do “Sector 1” é mais que óbvia, tendo em conta até o percurso e o historial da colectividade. O Grupo sempre foi uma referência na Tauromaquia nacional e não só. Sempre contou com a presença nos seus eventos de inúmeras individualidades como o caso de Amália Rodrigues, Dr. Egas Moniz, D. Bernardo da Costa Mesquitella, assim como de inúmeras figuras do toureio, Mestre Branco Núncio, Simão da Veiga ou até Belmonte e Manolete… Pelo que praticamente todas as grandes figuras do passado tiveram passagem pelo “Sector 1”. O prestígio do Grupo foi inclusive por diversas vezes consagrado por outras Tertúlias e Associações. E o “Sector 1” mantém-se ainda como um Grupo de referência para os demais. Contar-lhe por exemplo que uma das mais jovens tertúlias nacionais, o Clube Taurino Beringelense, escolheu o nosso Grupo para apadrinhar a sua existência. E, pelo que já referi, o papel do “Sector 1” passa actualmente por promover, por defender uma Festa dos Toiros com qualidade e por contribuir para uma boa formação dos aficionados, através das várias iniciativas por si organizadas. Pelo que não só pela história mas acima de tudo pelos seus objectivos, o “Sector 1” continua a ser muito importante.

 

 

 

T/I- Qual o meio de sustentabilidade deste grupo para as suas atividades?

PS- Neste momento o “Sector 1” subsiste das quotas e certos donativos feitos por alguns sócios, assim como do lucro dos jantares e outros eventos organizados. À parte de despesas administrativas ou necessárias para a organização das iniciativas, o Sector 1 não tem actualmente outros gastos, como antigamente tinha com a renda da sede e demais despesas inerentes, pelo que é um Grupo financeiramente estável. Contudo, não ainda o suficiente para arriscarmos no aluguer de um novo espaço, dado que não existe também a garantia do Grupo se auto-sustentar e manter uma sede física, face aos valores das rendas em Lisboa. De todo o modo, o “Sector 1” tem provado que não é a inexistência de uma sede que o impede de manter actividade regular. Até porque, mesmo quando tínhamos sede, a presença de sócios era a mesma ou menor, que a existente actualmente nos eventos que organizamos. Além disso, dispomos da colaboração da actual administração da Praça de Toiros do Campo Pequeno na concessão de um espaço para organização de alguma reunião ou evento a ser realizado.

 

 

 

T/I- Os interessados como se podem juntar ao grupo, através do associativismo e de que modo isso se processa?

PS- Qualquer pessoa interessada em ser sócio do Grupo, bastará que entre em contacto com o mesmo, quer directamente nalguma das iniciativas, quer por e-mail, por forma a formalizar a inscrição. Simples e fácil. De resto, apenas se pede uma participação activa nos nosso eventos e que venha cheio de ideias.

 

 

 

T/I- Quantos sócios tem atualmente o Grupo Tauromáquico Sector 1?

PS- O Grupo “Sector 1” tem actualmente cerca de 80 sócios inscritos mas apenas pouco mais de metade deles com quotas regularizadas.

 

 

 

T/I- O Sector 1 é considerado por muitos um grupo muito virado para os mais velhos, considera isso?

PS- É normal que exista essa ideia. O Grupo durante muitos anos não renovou sócios. Os anos passam e é normal que se chegue a um ponto em que a grande maioria dos associados pertençam a uma faixa etária elevada. Actualmente, penso que já não faz sentido essa consideração. Temos sócios das mais variadas idades inscritos no “Sector 1”, inclusive um menino com 2 anos, que é o sócio mais novo do Grupo, o que também espelha que se mantém a passagem de “testemunho”, como se ser sócio fosse uma herança de avós para netos, de pais para filhos. E mais, não só temos agora mais jovens no Grupo, como nos últimos anos o “Sector 1” ganhou muitas sócias! As mulheres têm tido cada vez mais um papel muito activo no Grupo.

 

 

 

T/I- Mas será que por haver essa opinião os sócios do Grupo tenha elegido uma jovem para Presidente?

PS- Essencialmente por isso, penso que sim. Aliás, quando me foi feito o convite por parte de alguns sócios para que encabeçasse a lista como presidente da direcção, a justificação apresentada foi mesmo essa. Era necessário renovar o Grupo, trazer novas ideias e aproximar o “Sector 1” de actualidade taurina em Portugal.

 

 

 

T/I- Dirigir um Grupo como este, ou seja, um dos mais antigos a nível nacional é certamente uma grande responsabilidade, considera que é um trabalho reconhecido pelos aficionados?

PS- Se o é pelos aficionados, não sei. A mim pessoalmente, preocupa-me que o seja pelos sócios do Grupo! E aqueles sócios que eu considero que são os que realmente gostam e respeitam o “Sector 1”, desses eu tenho a certeza que o trabalho desta direcção tem sido reconhecido. Pois, e como bem diz, este é um trabalho de responsabilidade e por vezes, é normal que tenhamos algum desânimo mas ter sócios como o Sr. Tiago Fadigas, dos sócios mais antigos, mais apaixonados e conhecedores do percurso do Grupo, ou como o Sr. Joaquim Tapada, dos mais activos e sempre presente nas iniciativas, a incentivarem numa continuidade, vale por muito. Os que não reconhecem, é porque possivelmente o interesse deles nunca foi realmente o “Sector 1” em si e depois, nem todos têm capacidade de acompanhar os tempos actuais, nem disponibilidade para trabalhar em prol do Grupo.

 

 

 

T/I- As atividades do Sector 1 têm-se baseado na praticamente só na capital, para quando uma descentralização?

PS- É normal que a maioria das actividades do Grupo aconteçam em Lisboa. Ainda que tenhamos sócios de várias regiões do país, o “Sector 1” não deixa de ser uma colectividade da capital. Já temos organizado iniciativas que implicam deslocações a outras regiões mas o “Sector 1” será sempre um grupo de Lisboa.

 

 

 

T/I- A celebrar 85 anos de atividade, quais as iniciativas programadas para celebração da efeméride?

PS- Este ano, iniciámos as comemorações com a implementação das distinções “Incentivo & Mérito”. Depois, por inúmeras razões, não foi possível realizarmos em Maio a iniciativa prevista. Entendemos aguardar pela passagem da Temporada Taurina para comemorarmos devidamente o aniversário, o qual acontecerá então na próxima sexta-feira, a par de uma homenagem aos excelentíssimos ganaderos Sr. Mário Vinhas e o Eng. Luís Rocha. Temos ideia de futuramente reorganizar o III Curso de Formação Taurina para Aficionados, que foi um sucesso noutras edições, que se realizaram numa direcção anterior mas cuja ideia e praticamente muita da organização, foi de minha responsabilidade.

 

 

 

T/I- 85 anos de Grupo Tauromáquico Sector 1 é uma história que se confunde com a história da tauromaquia… como viu a evolução das duas histórias?

PS- Ao longo da sua história o “Sector 1” sempre marcou presença e teve voz activa, até pela já referida publicação que durante anos manifestava a opinião, a crítica e a informação por parte de ilustres críticos e sócios do Grupo. Granjeou de um reconhecimento nacional e internacional visível nos vários troféus que compõem o seu vasto e muito valioso espólio, constituindo sem dúvida, uma das maiores colecções de peças de natureza taurina existente no país, não tendo comparação com o de qualquer outra agremiação congénere. Do seu espólio constam livros, quadros, fotografias, vídeos, esculturas, troféus, e que acabam por retratar a História da Tauromaquia em Portugal. Já agora, convém esclarecer que parte desse espólio, encontra-se cedido por empréstimo durante um período bem definido ao Museu do Campo Pequeno, mantendo-se o mesmo como pertença única do Grupo. As restantes peças, estão sob alçada do “Sector 1”, num local gentilmente cedido pela CMLisboa para tal. Mas voltando à questão, penso que para além do percurso do Grupo relatar e ter feito parte de momentos importantes  da História da Tauromaquia, também os altos e baixos pelo qual a colectividade tem vindo a passar, reflectem as variadas fases por que passa a Festa dos Toiros. Nesse sentido, o “Sector 1” continua a ser um espelho da Tauromaquia em Portugal.

 

 

 

T/I- Sendo a Patrícia, também directora de um Órgão de Comunicação Social, qual a sua opinião sobre o actual estado da Festa Brava em Portugal?

PS- Penso que, e tal como o “Sector 1”, também está numa fase de renovação. Vemos cada vez mais gente nova nas bancadas, continuam a surgir novos toureiros, forcados, novas empresas…portanto a Festa tem garantia de continuidade nesse sentido. Claro que, e como em tudo na vida, existem coisas boas e coisas más que têm que ser melhoradas mas penso que o toiro, quer dentro da arena quer fora, tem sabido meter cada um em seu sítio. A meu ver, a maior atenção dos anti-taurinos à Tauromaquia, tem impelido a que também nos reorganizemos de melhor forma, mais seguros de argumentos, mais preparados e conscientes. A nível artístico e empresarial, há-de tudo como na farmácia… E em relação a isso, não me vou pronunciar, pois tento fazê-lo nas crónicas e nos artigos de opinião que ao longo da Temporada vou emitindo. Mas no fundo, e se formos ler livros de 1932 por exemplo, as “queixas” dos críticos de antigamente eram praticamente as mesmas que alguns de nós temos agora…até se queixavam já dos anti-taurinos. Ainda assim, dizem que temos a Festa que merecemos…e eu penso que merecia uma, um bocadinho melhor!

 

 

 

T/I- Qual o papel que a imprensa pode, ou não, desenvolver na tauromaquia?

PS- A imprensa taurina tem um papel mais importante do que aquele que muitos julgam ter ou ser o seu principal papel. Nesse sentido, deveria haver um cuidado redobrado na forma como hoje em dia se conta e notícia a Festa dos Toiros. Em primeiro lugar, porque muita da formação ou educação dos aficionados passa pela imprensa especializada. Aquilo que se lê ou se ouve contar, convém não ser uma deturpação da realidade, por forma até a criarmos exigência, e havendo exigência existirá qualidade. Em segundo, porque mais do que nunca, os que não gostam e não respeitam a Festa dos Toiros, estão atentos ao nosso “mundo” na expectativa de encontrarem uma forma de nos atacarem. E muitas vezes, perde-se demasiado tempo na divulgação e promoção de quezílias internas, em querer ser o primeiro a contar a notícia, mesmo que essa não seja notícia coisa nenhuma… E perde-se total noção do que é a imprensa taurina e do bem que este sector  pode fazer pela Festa.

 

 

 

T/I- Sente que a imprensa generalista está alheada da festa? Ou a festa alheou-se da imprensa generalista e cultural?

PS- Possivelmente as duas opções. De todo o modo, creio que hoje em dia tem havido esforços para voltar a colocar a Tauromaquia nas páginas da imprensa generalista, basta ver que nos últimos meses têm saído muitos artigos em jornais e revistas, e isso muito em parte também se deve ao trabalho que a Prótoiro tem feito nesse sentido e junto desses meios de comunicação.

 

 

 

T/I- Para o jantar comemorativo dos 85 anos do Sector 1, quais as surpresas que estão preparadas e que possam ser reveladas?

PS- Se surpresas houvessem e as contasse, deixavam de ser surpresas. O jantar vai essencialmente resumir-se a dois focos: comemorar os 85 anos do Grupo e homenagear os dois ganaderos. Para falar do percurso dos ganaderos teremos o crítico José Cáceres. De resto, a surpresa será podermos contar com casa cheia. Alguns agentes e intervenientes da nossa Festa já estão inscritos, assim como muitos aficionados anónimos que nem sócios são, pelo que isso é o que mais nos orgulha. De todo o modo, ainda aceitamos inscrições através do nosso emal grupotaueomaquicosector1@gmail.com .

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Notícia publicada a 17/10/2017


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