Há Fado no Cais: Guitarra portuguesa em espectáculo demasiado longo…

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O CCB acolheu na chuvosa noite desta sexta-feira, um espectáculo dedicado à Guitarra Portuguesa, inserido no Ciclo Há Fado no Cais.

 

 

Ângelo Freire, Custódio Castelo, José Manuel Neto, Luís Guerreiro, Mário Pacheco, Paulo Soares e Pedro de Castro subiram a palco para à vez interpretarem três temas cada, acompanhados na maioria por viola de fado e baixo. Foram 21 instrumentais seguidos, que tornam o espectáculo demasiado extenso, pouco interessante e penoso. Em alguns temas houve ainda acompanhamento na percussão e teclados.

 

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Luís Guerreiro, Custódio Castelo, José Manuel Neto e Pedro de Castro brilharam nos seus três temas. Deram ainda espaço e liberdade para que cada um dos seus parceiros de palco pudesse brilhar e mostraram coerência no alinhamento.

 

 

 

Mário Pacheco teve o momento alto com “Além Terra”, o terceiro da sua ordem, um tema que tem uma fusão de fado com flamenco e ainda alguns laivos da música erudita. Ângelo Freire não foi feliz no alinhamento que escolheu para este espectáculo embora tecnicamente tenha estado ao nível habitual, ou seja altíssimo. Paulo Soares e a inspiração não estiveram muito próximos. Contudo algumas pinceladas de qualidade, conseguiram agradar ao público.

 

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Para o fim do espectáculo e após 21 instrumentais seguidos, dois momentos altos. O Primeiro com todos os guitarristas em palco acompanhados por Daniel Pinto no baixo e Carlos Manuel Proença na viola de fado, com Carlos do Carmo a entrar na sala do CCB pela porta lateral junto ao palco e cantar no meio do público sem microfone. A sua voz encheu a sala lisboeta, actuação irrepreensível, a sobriedade habitual. No campo instrumental destaque para a liderança de José Manuel Neto na guitarra portuguesa, acompanhado de forma suave pelos restantes, num arranjo interessante e bem feito. Carlos do Carmo subiu a palco para o segundo grande momento da noite, chamando Joel Pina a palco. Joel Pina e Carlos do Carmo, acompanhados dos restantes guitarristas, brilharam e fecharam em grande um espectáculo com falhas em termos de estrutura e alinhamento.

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Um dos pontos positivos deste espectáculo esteve no desenho de luz, a cargo de António Martins. Diferentes dinâmicas, um equilíbrio entre cores intensas e mais suaves que permitiram ao espectador vários tipos de sensações e uma viagem emocional por vários espaços, sem nunca sair do mesmo. A destacar o desenho de luz em “Além Terra” que nos leva imediatamente para o flamenco e para o fado, numa excelente conjugação de preto e vermelho. Momentos houve em que deu a ideia de haver um céu em palco, e não nas cores mais óbvias, outras em que quase éramos transportados para um palácio ou mosteiro.

 

 

Há ainda a destacar que a guitarra portuguesa teve neste espectáculo, prova da sua versatilidade. Associada ao fado, a guitarra portuguesa pode enquadrar-se em qualquer género musical do mundo. Tem uma sonoridade única e quando bem tocada é um momento de deleite puro para quem ouve.

 

 

A direcção musical deste concerto esteve a cargo de Diogo Clemente que também foi o responsável pelo espectáculo “Os Mestres”, decorrido já este ano, integrado no Ciclo Há Fado no Cais. Se no primeiro esteve excelente na construção do espectáculo, neste não foi feliz. Percebe-se a ideia de homenagear a guitarra portuguesa mas com esta estrutura de espectáculo e este alinhamento, o espectáculo é penoso para quem assiste.

 

 

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Notícia publicada a 25/03/2017


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2 Comments

  1. Tifilho@gmail.com

    Boa tarde…com ovações em pé no final de todos od ciclos…gostaria mesmo mesmo de perceber onde denotou nos demais a penosa assistência. Vale o que vale…apenas uma opinião. Cumprimentos. TF

  2. Armando

    Era bom saber a diferença entre o verbo TER e o verbo ESTAR.

    “Paulo Soares e a inspiração não TIVERAM muito próximos”
    É caso para dizer que o autor deste texto e o Português não ESTIVERAM muito íntimos.

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