Joana Rios trouxe a casa de fado ao Museu num mar de emoções

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O Auditório do Museu do Fado esgotou esta quinta-feira, 20 de Abril, para ver e ouvir Joana Rios, num espectáculo inserido no ciclo “Há Fado no Cais”.

 

 

A fadista trouxe o seu mais recente disco, “Fado de Cada Um” ao Museu do Fado, num alinhamento que viajou também por alguns clássicos do fado, do cancioneiro tradicional português e algumas marchas, que resultaram numa excelente estrutura de espectáculo e que agarrou o público do inicio ao fim.

 

 

Abriu o espectáculo cantando à capella e na escadaria do auditório o tema que dá nome ao disco, seguindo-se “O Fado da Vida Airada”, já com acompanhamento instrumental, na integra, por parte de Luís Coelho na guitarra portuguesa e Carlos Heitor da Fonseca na viola de fado. Ainda na escadaria interpretou “Triste Sina” de Jerónimo Bragança e Raúl Ferrão e “Lisboa, não sejas Francesa” de José Galhardo e Raúl Ferrão.

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No palco do Auditório, estava uma mesa com um xaile sobre ela e ainda três cadeiras, dando a ideia de casa de fado. A ideia passou à prática com um alinhamento mais tradicional: “Não era um tempo de fado”, “Onde anda o fado”, “No colo da madrugada” (brilhante interpretação), “Se tu fosses Lisboa”, “Rosa enjeitada” (no qual a fadista mostrou muito do potencial vocal e interpretativo que tem) ou ainda “Passos na Rua” que antecedeu a guitarrada habitual, em que os seus músicos mostraram todo o virtuosismo, sensibilidade e fadistice no dedilhar dos instrumentos.

 

 

Luís Coelho e Carlos Heitor da Fonseca são dois músicos de uma versatilidade tremenda e que conseguem nos pequenos (e grandes) detalhes mostrar o que os distingue de muitos: capacidade de dar alma e vida a uma história cantada pela intérprete. No Museu do Fado foram monstruosos, pertencendo-lhes muito mérito no sucesso deste concerto.

 

 

Joana Rios regressou a palco para interpretar “Gaivota”, logo seguindo de “Lisboa, eterna menina”, mostrando que “Fado desatino” apenas o é de nome, voltando a cantar a capital portuguesa em “Maria Lisboa” (talvez o tema de menor fulgor vocal, mas em que mesmo assim esteve bem). Antecedeu o encore com dois temas do cancioneiro tradicional português em que colocou o público a bater palmas e a cantarolar o refrão: “Chapéu Preto” e “Hortelã Mourisca”.

 

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O público (ecléctico nas nacionalidades presentes e também na idade) queria mais e obrigou Joana Rios a regressar a palco, fechando a actuação com “Do Fado até mim” e com a “Marcha de Alfama”, num espectáculo bem conseguido e no qual foi visível e bem conseguida a estrutura escolhida para apresentar na capital.

 

 

A voz de Joana Rios tem uma versatilidade que lhe permite viajar por vários géneros e mostrar ao público uma paleta de cores repleta de sentimento e alma, entre o novo e o antigo, entre a tristeza e a alegria, a alma e o coração.

 

 

No final do espectáculo e em conversa com o Infocul revelou que a preparação para este concerto foi “minuciosa”, com “momentos e intensidades diferentes, com momentos que me aproximassem do público, e também no repertório houve alguns toques. O concerto não incluiu apenas o meu disco mas também outros clássicos do fado e da música tradicional e acho que resultou muito bem”.

 

 

Acrescentou ainda que “o concerto acabou por ficar com uma dinâmica muito própria e que resultou muito bem, até pela reacção do público”.

 

 

Ainda a destacar a qualidade de som neste espectáculo, tendo em conta as particularidades da sala, da responsabilidade de Cândido Esteves, com a iluminação a enquadrar-se no espaço e naquilo que ele permite.

 

Fotografia: Márcia Filipa Moura

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Notícia publicada a 21/04/2017

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