Natalino de Jesus: “A tentativa de introdução de algo que nada tem a ver com fado, utilizando o nome de fado descaracteriza o nosso verdadeiro património que é o fado”

natalino de jesus

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Natalino de Jesus está a celebrar 30 anos de carreira e lançou agora “Foi Assim…”, um disco em que reúne “Os Melhores Fados” do seu percurso, bem ao jeito de um Best Of. Em entrevista ao Infocul, o fadista fala sobre o seu percurso e também sobre este disco em que conta com dois convidados especiais: Lenita Gentil e Rão Kyao.

 

 

Este trabalho conta com 14 faixas e foi apresentado em Outubro no Auditório do Museu do Fado. Ao longo do seu percurso no Fado, cantou em algumas das mais reputadas casas de fado, de Lisboa, como Adega Mesquita, a Taverna D´El Rei ou a Severa, tendo também passado por outros espaços como Parreirinha de Alfama, Faia, Lisboa à Noite, Luso e Adega Machado, onde foi conhecendo nomes que ainda hoje o marcam, como refere na entrevista: Manuel de Almeida, Fernando Farinha ou Fernando Maurício.

 

 

 

Quando surgiu a ideia de fazer este disco?

Constatei, que o público me solicitava com insistência determinados temas que gravei ao longo dos anos , assim, pensei em editar alguns deles num só álbum.

 

 

 

Podemos chamar a este disco um Best Of?

De certa forma ,no entanto, a escolha não foi fácil, pois alguns outros temas poderiam também fazer parte deste álbum.

 

 

 

Quais os temas que lamenta não serem possíveis aqui estar?

Por exemplo: Portuguesinha, Deixa-me só, Saudades do meu país, entre outros.

 

 

 

Como descreve estes mais de 30 anos de canções e de fados?

Durante estes anos,  percorri um caminho de grandes emoções, de uma grandeza inigualável do conhecimento humano e de uma aprendizagem constante em termos profissionais . Como acontece na vida, tudo o que fazemos com prazer não damos pelo tempo passar. Passar trinta anos da minha vida a fazer o que mais gosto, é um privilégio. Passou depressa demais.

 

 

 

O Fado tem sido renovado, elevado ou neste momento navega em águas estranhas?

A visibilidade que foi dada ao fado após o reconhecimento da UNESCO a “Património da Humanidade”, trouxe algum aproveitamento de outras áreas musicais em explorar essa visibilidade, assim ,a tentativa de introdução de algo que nada tem a ver com fado, utilizando o nome de fado descaracteriza o nosso verdadeiro património que é o fado. Estou apreensivo com o caminho que alguns,  numa tentativa de inovação a seu gosto querem dar ao fado.

 

 

 

Tem ídolos ou referências? Quem são?

Nesta área, todos temos referências que nos chamam a atenção, a apreciar e mais tarde a envolvermo-nos  de uma forma activa. Por isso , eu também tive e tenho as minhas como ,Manuel de Almeida ,Fernando Farinha ,Fernando Maurício .

 

 

 

Neste disco quais foram os músicos que o acompanharam?

Manuel Mendes, Arménio de Melo e Fernando Silva na guitarra portuguesa.

José António e Carlos Macieira na viola .

Prof. Joel Pina e Paulo Ramos na viola baixo.

 

 

 

 

Conta com dois convidados: Lenita Gentil e Rão Kyao. Foi fácil escolhê-los?

A identificação foi fácil, pois eram as pessoas que eu desejava para o efeito. Foi também um grande privilégio poder trabalhar com estes grandes profissionais e amigos que valorizaram muito os temas em que participaram .

 

 

 

Sente que o público valoriza o seu percurso?

Ao longo dos anos e pelos palcos que passei sempre me senti acarinhado pelo público. Por vezes comovo-me com tanta generosidade e simpatia que julgo ultrapassar o que mereço , pois, foi essa força que me estimulou e estimula para continuar e fazer cada vez melhor. Agradeço ao público tudo o que fiz ao longo destes anos.

 

 

 

Como analisa a nova geração de intérpretes de fado?

Como disse, anteriormente, depois do reconhecimento internacional do fado proporcionou toda esta visibilidade , o que originou também uma abundância jovens intérpretes . Alguns desses intérpretes têm grande talento, enriquecendo assim o fado.

 

 

 

A geração mais antiga está esquecida ou sente que ainda há uma valorização constante dessa geração?

Por vezes, pois julgo haver um défice de conhecimento em relação ao fado. Sinto que por isso é mais fácil falar do actual o que leva muitas vezes a esquecer todo o caminho que foi percorrido pelas gerações anteriores que nos levaram ao reconhecimento da UNESCO ,”Fado Património da Humanidade”. No entanto, constato que alguns jovens do fado mostram respeito pelo passado, pela obra que as gerações anteriores nos deixaram. Gostaria também de realçar o trabalho brilhante  que o Museu do Fado tem efectuado neste sentido.

 

 

 

O que lhe falta fazer ainda na música?

Muitas coisas! Na música nada está concluído. Nada está terminado.

 

 

 

Como convida as pessoas a ouvirem este disco?

Como uma visita à minha história discográfica de trinta anos.

 

 

 

Usa as redes sociais? Qual a sua opinião sobre elas?

Uso por vezes. Na minha opinião, realço a importância na informação imediata e a divulgação abrangente . Poderá também ser negativa, quando usada por gente sem escrúpulos.

 

 

 

Se a sua vida fosse um fado que nome lhe daria?

Talvez o tema que abre este albúm, “Quero ser como sou”.

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Notícia publicada a 08/11/2017


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