Opinião: Bullfest- Um tiro no porta aviões da Festa Brava!

Bullfest1

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A Praça de Touros do Campo Pequeno acolheu ontem um evento intitulado Bullfest que tinha como objectivo dar a conhecer algumas das maiores tradições portuguesas a novos públicos, aos que não são assíduos das corridas de touros. O resultado foi um fracasso em toda a linha, menos no merchandising.

 

 

O programa incluía actividades das 10:00 às 23:00 (incluindo já a after-party), para miúdos e graúdos. Mas o que se assistiu foi a ver no Campo Pequeno as mesmas pessoas que vão às corridas de touros. E porquê? Porque a tauromaquia  e seus responsáveis e agentes continuam a viver numa bolha, num mundo à parte. A relação com a imprensa generalista é quase inexistente e a Protoiro insiste numa comunicação péssima com o público.

 

 

Ontem no Campo Pequeno o grande destaque foi o merchandising. Sim, havia muitas bancas com produtos da marca “Touradas” e com a hashtag #viveatuapaixao, porque as restantes actividades foram…para preencher calendário e com falta de organização.

 

 

As crianças contavam com um insuflável no exterior da praça e ao longo do dia contaram com aulas de toureio (desde o toureio apeado até ao toureio a cavalo, passando pela forcadagem) onde se aprendia o “ABC” do toureio.

 

 

Um dos maiores pontos de interesse era a apresentação mundial do documentário “Torrinha, De Corpo e Alma”. Estava previsto um visionamento para as 12:00, no Salão Nobre. Dada a muita procura e a pouca capacidade do espaço houve 3 visionamentos (12:00, 12:45 e 16:00). Tentámos ir aos três, não conseguimos ir a nenhum pois o segurança que fazia triagem na entrada dos espectadores respondeu sempre “está cheio”. Público e imprensa com tratamento semelhante. Ou melhor, depende da imprensa…

 

 

Pelas 15:00, momento de fado no mesmo salão nobre. Mais uma vez a abarrotar. Desta feita lá conseguimos entrar e apreciar o espectáculo com José da Câmara e Matilde Cid acompanhados por Luis Petisca na guitarra portuguesa e Armando Figueiredo na viola de fado. José da Câmara mostrou o carisma habitual, embora aqui e ali com linguagem corporal pouco consentânea com o que interpretou. Matilde Cid, que vimos recentemente no CCB, mostrou-se segura, com afinação, um timbre bonito e uma capacidade vocal que sabe moldar a gosto e consoante o que a canção, neste caso o fado, lhe pede. No menu fadista constou fado corrido, fado cravo e marchas, entre outros, que agradaram sobremaneira ao público que em alguns dos temas acompanhou com pujança vocal no refrão. Um dos pontos mais positivos do denominado Bullfest, nome inglês pouco rigoroso para com tradições portuguesas…

 

 

Estava também previsto cante e o mesmo aconteceu mas … mais uma vez com erros da organização e horários alterados… Seria difícil acertarem num único horário? Para a Protoiro foi…

 

 

Pelas 17:00 o festival taurino na arena do Campo Pequeno. Um cartel com qualidade, algo que haverá sempre opiniões diferenciadas devido a gostos pessoais, mas com muitos lugares vazios nas bancadas.

 

 

Algumas questões pertinentes: Será que a Protoiro não sabe o impacto que o fado e o cante têm no público? Então porquê a escolha de espaços pouco apropriados para os espectáculos? Será que esperava pouca afluência do público? E quanto ao documentário, dada a importância da família Ribeiro Telles para a tauromaquia, era previsível a adesão de público. Bom, previsível, mas nem para todos…

 

 

Relativamente à imprensa: O que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Desde o inicio que a Protoiro criou barreiras para uma boa cobertura do evento por parte da imprensa (acreditações) e no local continuou com a “mesma qualidade” de cooperação que se exige.

 

 

Bullfest- Um evento português, de nome inglês e que dentro em breve ninguém se lembrará. Assim não se defende a festa brava! Só por esperar uma afluência reduzida de público, a Protoiro pode considerar o evento de ontem, um sucesso!

 

Fotografia: Touradas

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Notícia publicada a 19/02/2017

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