Paulo Pessoa de Carvalho: “Os cartéis que montei, se não tivesse gostado não os teria montado”

paulo pessoa de carvalho- toureio.pt

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Paulo Pessoa de Carvalho é das pessoas mais abordadas na actualidade da tauromaquia portuguesa. Vila Franca de Xira criou polémica, mas a actividade do empresário e apoderado ao longo da temporada foram muito mais além de Vila Franca de Xira. O Toureio.pt, em parceria com o Infocul, entrevistou o empresário para um balanço global da temporada em Portugal. Este entrevista será publicada em duas partes.

 

 

Toureio.pt/Infocul- Que balanço faz à temporada da empresa de Paulo Pessoa de Carvalho?

Paulo Pessoa de Carvalho (PPC) – Este ano, em termos de espectáculos acabaram-se por realizar mais espectáculos do que estava inicialmente previsto, em termos de resultados dos mesmos diria que em quantidade boa, em qualidade artística genericamente acho que os espectáculos foram bons, em termos de disperso penso que tenha havido um pouco mais. Penso que as coisas estão, de alguma forma, difíceis. Houve em Moura uma tentativa de repegar na praça, na corrida de Julho a corrida não foi má artisticamente nem em termos de entrada de público, mas de facto ficou um bocadinho aquém do desejado. Assim como em Portalegre, não senti as coisas da forma que desejava, houve uma primeira corrida em Julho que em termos de entrada foi bastante fraca, e portanto foram dois projectos em que só por uma questão de responsabilidade na actividade, é que não poderia deixar cair, porque em termos empresariais a vontade não era muita. Aqui em Portalegre o grupo da terra teve vontade em dar a corrida de Setembro e assim se cumpriu a tradicional corrida de Portalegre. Em Moura, o meu parceiro de Moura teve vontade em fazer a corrida de Setembro com o Grupo de Moura e as coisas também funcionaram. Mas foram duas praças em que eu considero que não se atingiram os objectivos que inicialmente esperei. Relativamente à Chamusca, foi uma temporada que funcionou, enfim, como pôde. A Feira da Ascensão foi indiferente…

 

 

 

T/I – Mas porque é que não gostou da Feira da Ascensão? Não gostou dos cartéis que montou ou do resultado artístico?

PPC – Os cartéis que montei, se não tivesse gostado não os teria montado. Penso que foram um pouco criticados…

 

 

T/I – Os cartéis que monta são aqueles que gosta?

PPC – Tento, mas nem sempre são aqueles que gosto. Mas por dificuldades, porque as coisas não são aquelas que idealizamos. Mas na sua base, eu tento fazer uma coisa que gosto, nem sempre consigo. Relativamente à Feira da Chamusca foram dois espectáculos interessantíssimos do ponto de vista artístico, com dois bons curros de touros e boas prestações dos artistas, mas de facto o público não correspondeu como eu esperava e daí estar um bocadinho aquém. Para esta corrida de Outubro, foi uma corrida que meteu a sua gente que envolveu a Câmara Municipal, a comunidade, e a coisa funcionou. Foi uma praça que cumpriu o seu calendário sem ser nada por aí além. Relativamente a mais praças: Há Vinhais que correu bem e há a Praça de Vila Franca de Xira…

 

 

 

T/I – Essa podemos dizer que é uma pedra no sapato?

PPC – É uma frustração empresarial como as coisas acabam… O saldo dos três anos da minha passagem por Vila Franca de Xira foi bom, foi positivo e esta Feira de Outubro em Vila Franca de Xira vem trazer uma imagem daquilo que não é a realidade. E isso deixa-me um bocado amargurado.

 

 

 

T/I – Nos últimos anos o Paulo inicia as temporadas com grandes projetos, mas termina-as de forma anormal… Existe uma falta de planeamento? Há um empolamento no início e uma expectativa exagerada que depois cai por terra devido à conjuntura da festa brava, gostaria que nos explicasse o que de facto é na sua óptica, porque certamente já refletiu sobre isso.

PPC – Não gosto da tua pergunta. Acho que não está bem formulada.(…) O que existe é sempre a ilusão de fazer qualquer coisa de válido na festa de touros. Considero que a festa de touros em Portugal carece de uma melhor organização, de um maior profissionalismo e tenho a ilusão de quando me proponho a novos projectos achar que isso seja possível. Portanto não preciso de fazer show-off nenhum. Agora quando surgem os projectos, obviamente que as pessoas pensam neles, agora se é falta de planeamento ou se é falta… não quero chegar a essa conclusão. Acho que penso o suficiente nas coisas para elas funcionarem mas depois, a realidade é que acaba por não ser coerente com aquilo que nós pensamos. Mas há sempre uma carga grande de poder dar um contributo grande e de incentivo no fortalecimento da festa. Se isso não acontece, seguramente alguma responsabilidade hei de ter e se a tiver não vou refutar, mas há muito mais factores que tem a ver com este mundo taurino em que vivemos onde as coisas também não são fáceis.

 

 

 

T/I – Relativamente a Vila Franca de Xira. Um término de temporada que não faz jus à Sevilha Portuguesa.

PPC – Obviamente que considero isso. Eu ainda não quero falar de Vila Franca de Xira, mas vou rapidamente fazer. Mas obviamente que Vila Franca de Xira tem aqui uma responsabilidade empresarial na escolha dos touros, escolher 10 touros de uma ganadaria é uma decisão que eu não voltaria a ter, não foi uma decisão correcta e esta aqui eu tenho que assumir. Agora, aquela de eu deixar os touros para o fim e atrasar a escolha dos touros, as pessoas falam um bocadinho daquilo que não sabem. Porque não sabem os touros que estavam inicialmente para vir, touros que os toureiros não quiseram tourear, nem são assuntos para agora serem falados. O que vale a pena destacar é que eu tomei uma decisão que foi trazer 10 touros de uma ganadaria e isso para mim foi uma falha que eu hoje nunca repetiria. E essa estou cá para assumir. Relativamente ao que aconteceu depois, e que digo agora aqui, fui literalmente enganado com os touros que estavam escolhidos e desses touros que estavam escolhidos não terem ido para a corrida por uma falta brutal de competência e profissionalismo da ganadaria e das pessoas que estiveram envolvidas neste processo. Portanto, a seu tempo as pessoas saberão com pormenores o que se passou.

 

 

 

T/I – Mas há OCS (Órgãos de comunicação social) que deixam a suspeição de que alguém o quer o quer afastar da tauromaquia. Será mesmo isso?

PPC – Vou ser sincero: eu não acredito em bruxas, não acredito mesmo em bruxas. E se alguém me quer afastar da tauromaquia nesse sentido lato, eu não acredito. Pode haver e se calhar sou um inocente…Mas há aqui um conjunto de situações, há pessoas que se calhar gostavam de sentir o caminho mais aberto para Vila Franca, não tenho dúvidas que se a Feira de Outubro tivesse fechado em beleza, o Paulo Pessoa de Carvalho seria um problema para as pessoas que têm interesse em se candidatar à Praça de Vila Franca, tudo isso é verdade. Agora daí a haver um complot, não. Acho que acima de tudo houve uma brutal falta de profissionalismo das pessoas que estiveram envolvidas neste processo.

 

 

 

T/I – Os touros que saíram em Vila Franca foram os que escolheu no campo?

PPC – Obviamente que não, mas eu já disse isso. Dos touros que escolhi para Vila Franca, os quatro que tinham nota positiva, três simplesmente não apareceram e um não tinha idade, quando no campo tinham dito que tinham idade, com os quatro anos feito em Setembro. Portanto houve aqui variadíssimas incúrias por parte de quem acompanhou este processo, quer de quem acompanhou e representou a ganadaria quer do próprio ganadeiro, que nem tenho comentários.

 

 

 

T/I – Alguém a empresa esteve presente no embarque dos touros?

PPC – Alguém da empresa não. Esteve o meu transportador e esteve um fotógrafo a meu pedido para fazer fotografias do embarque dos touros. Agora havia explicitas ordens para carregar determinados touros que não foram carregados.

 

 

 

Amanhã publicaremos a segunda parte da entrevista em que o empresário aborda a actualidade da festa brava, o que de mal a afecta, e ainda volta a abordar com mais detalhes a Feira de Outubro de Vila Franca de Xira.

 

 

Entrevista: Toureio.pt/Infocul

Fotografia: Toureio.pt

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Notícia publicada a 15/10/2017


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