Ricardo Gonçalves revela que “Para Santarém a Tauromaquia representa, de forma impar, a preservação da tradição aliada à valorização do património imaterial português”

 

 

 

 

Numa parceria editorial os sites Infocul e Toureio.pt levaram a cabo uma série de entrevistas todos os municípios que integram a Secção de Municípios com Actividade Taurina, através dos respectivos presidentes de Câmara.

 

 

O objectivo desta iniciativa, mais do que basear ideias em suposições, foi dar palavra ao máximo representante de cada município sobre a questão tauromáquica e também sobre as restantes vertentes culturais identitárias de cada município e a importância da cultura para o desenvolvimento local.

 

 

O Presidente da Câmara Municipal de Santarém, Ricardo Gonçalves, disponibilizou-se para responder às questões por nós colocadas relativamente à questão tauromáquica e cultural no município.

 

 

O seu município integra a rede de Municípios com Actividade Taurina. Qual a importância da tauromaquia para o município?

Santarém enquanto capital do Ribatejo sempre teve uma cultura taurina muito enraizada nas suas gentes, entendemos que é necessário defendê-la e acarinhá-la, para que não se perca a identidade cultural do nosso povo. Para Santarém a Tauromaquia representa, de forma impar, a preservação da tradição aliada à valorização do património imaterial português.

 

Tem recebido pressões por parte dos movimentos anti taurinos? De que forma são feitas essas pressões e que efeitos têm?

 

Não, sendo Santarém uma cidade com fortes convicções na defesa da Festa Brava, tal facto, seria até de difícil entendimento.

 

 

Qual o valor, do orçamento anual, que é destinado à promoção da tauromaquia?

 

Entre 5.000€ a 10.000€ destinados à compra de bilhetes de pelo menos uma das Corridas de Touros realizadas em Santarém, por forma a proporcionar e promover a actividade taurina junto de todas as Freguesias do Concelho, garantindo um acesso universal à cultura.

 

 

Qual o valor que a tauromaquia traz para o município?

 

Para além do já referido papel na preservação do património e da cultura popular Portuguesa, a tauromaquia representa ainda um segmento da actividade turística com uma atractividade assinalável quer para o mercado interno, quer para o mercado externo.

 

 

Além da tauromaquia, quais as expressões culturais mais identitárias do município?

 

Os símbolos de Santarém confundem-se com aqueles que também são considerados os símbolos do Ribatejo. À braveza do toiro junta-se o orgulho no campino, guardião da Lezíria, o Fandango, dança Ribatejana por excelência e a riquíssima gastronomia que todos os anos atinge o seu ponto alto em finais de Outubro com o Festival Nacional de Gastronomia, realizado ininterruptamente há 37 anos na mítica Casa do Campino em Santarém.

 

Como reage às manifestações e tentativas de acabar com a tauromaquia quer a nível nacional quer em termos internacionais por alguns grupos?

 

Respeito que existam entidades que não se revejam na tauromaquia, contudo, o respeito pela diferença deve sempre nortear a conduta dos povos, sob pena, de estes se tornarem autoritários e intolerantes. Santarém é uma cidade de Abril que se pauta pelos valores da Liberdade.

 

 

Como pode, e deve ser gerida esta questão entre os anti taurinos e os aficionados?

 

Tem de ser gerida com base no bom senso e no respeito pela liberdade de opinião.

 

 

Com a descentralização e as transferências de competências para os Municípios, há possibilidade de serem os municípios a tutelar toda a área cultural, inclusive o espectáculo tauromáquico?

 

Acreditando que existirá coragem e determinação política para uma verdadeira e alargada delegação de competências, necessariamente acompanhada da respectiva dotação financeira, a área da cultura poderá também ela ser delegada no Município. Todavia existem competências cuja gestão deverá sempre estar na esfera da Administração Central, quer pela sua complexidade, quer pelo carácter unitário que devem assumir.

 

 

Os Municípios têm meios suficientes para tutelarem as várias áreas culturais?

 

Em Santarém a evolução positiva da verba consignada nos sucessivos orçamentos Municipais, é reveladora da aposta da Autarquia na Cultura e no profundo respeito pelo que esta garante enquanto elemento identitário e educador  dos povos.

 

 

Caso os Municípios venham a tutelar directamente o espectáculo tauromáquico, na sua óptica o que poderia mudar?

 

A tauromaquia é e deve continuar a ser gerida pela Administração Central, de modo a garantir uma uniformidade de condutas e procedimentos, que permitam continuar a acautelar a actividade cultural que é, porque tauromaquia é arte, é cultura e não pode estar sujeita a entendimentos avulsos que limitem a sua expressão Nacional.

 

 

Na sua óptica e para melhorar um espectáculo tauromáquico, o que se deve alterar?

O espectáculo tauromáquico deverá ser enquadrado com as exigências de um modo de vida moderno, tornando-o mais curto e intenso, respondendo assim às necessidades atuais dos espectadores.

 

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Notícia publicada a 02/05/2018


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