Rodrigo Serrão e o novo disco: “Chamem-lhe música…”

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Neste álbum o músico apresenta o trabalho que tem vindo a desenvolver com o Chapman Stick, instrumento musical eléctrico. Em entrevista ao Infocul, Rodrigo Serrão aborda todo o processo criativo e também os convidados que integram este novo trabalho.

 

 

 

Rodrigo, quando é que começaste a pensar no alinhamento para este disco? 

 

Na verdade o alinhamento do disco acabou por ser uma consequência dos vídeos que fui compondo e arranjando para o Stick. É um alinhamento orgânico no sentido em que o disco resulta sobretudo do espectáculo que tenho vindo a apresentar desde o ano passado e não de uma vontade “programada” em editar um disco – Ao fim de um ano e, correspondendo ao pedido das pessoas, era o alinhamento mais natural. 

  

 

 

Qual a principal mensagem que tentas ou queres transmitir? 

 

Essa é uma pergunta difícil. Não tenho a certeza que queira sequer passar uma mensagem, diria que é mais um registo “sonoro” das coisas que vou fazendo hoje em dia, das músicas que gosto, das palavras que escrevo, das sonoridades que me marcam. Sendo o disco assumidamente algo muito pessoal, em que quase nada seguiu o padrão habitual do produto comercial, cada música funciona como uma ponte entre aquilo que mexe comigo e aquilo que sensibiliza o ouvinte – desde o facto de, no single, haver apenas a palavra falada até à quantidade de temas instrumentais gravados. 

  

 

Como e quando descobriste o Chapman Stick? 

 

Descobri o Stick há sensivelmente 1 ano e meio. Estava na Áustria em tournée, com muito tempo livre e cruzei-me no Facebook com um vídeo do Bob Culbertson a tocá-lo. Agarrou-me em 30 segundos! Desde esse momento até pedir ao Emmet Chapman para me construir um, nunca mais deixei os meus colegas sossegados – foi uma paixão que levou tudo à frente! 

 

 

Para quem não sabe o que é, como explicas o Chapman Stick? 

 

O chapman Stick é a conjugação de um baixo e uma guitarra num único instrumento, sendo que, quer pela técnica utilizada quer pela sua própria construção, ao contrário desses instrumentos, o stick permite ao músico produzir notas com ambas as mãos – uma nota por dedo – o que equivale ao dobro dos recursos habituais. O conceito mental é pianístico, ou seja, a abordagem musical é a mesma de quem toca um piano só que, neste caso, em vez de teclas, os dedos controlam directamente as cordas. Finalmente, o som, é de uma versatilidade ímpar na história da música: pode soar a harpa, a baixo, a guitarra, a chapman stick… e a tudo o mais que conseguirmos descobrir. É ainda um bebé – está tudo por inventar! 

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És músico, compositor e produtor. Qual a área mais desafiante e como consegues ter a capacidade de te reinventar? 

 

A mais desafiante, neste momento e pelo próprio grau de dificuldade do instrumento, é a de músico com o Chapman Stick. De qualquer das formas, são todas áreas riquíssimas que cumprem um papel muito específico na minha necessidade artística de exprimir conceitos e ideias.  

A capacidade de nos reinventarmos… é comum a todos nós, acho eu. É ainda o impulso básico que todos temos desde a infância: brincar! Em vez de legos, carrinhos ou disfarces de carnaval, são hoje as músicas, os sons e os poemas. Eu diria que qualquer artista vive, brinca e recria-se balizado entre a empatia pelo que o rodeia e a incapacidade de resistir ao desafio. 

 

 

Neste disco contas com convidados. Quem são e porquê a escolha? Foram escolhidos antes do repertório ou apenas após teres o repertório  definido? 

 

As minhas três convidadas são a Maria Ana Bobone, a Fernanda Paulo e a Joana Pessoa – são mulheres por quem tenho imensa amizade e admiração e que fiz questão de ter presentes nesta nova aventura. 

A Maria Ana Bobone porque, com todo o seu talento, me permitia abordar sem pensar duas vezes um dos casamentos mais felizes da história da Música Universal: O prelúdio n.1 de Bach com a Avé Maria de Gounod.  

A Fernanda Paulo porque desde o primeiro instante houve um enorme encontro artístico entre os dois. Era apenas uma questão de encontrar a forma adequada: um poema recitado a meias foi o mote, o resultado está à vista – é o single do disco. 

A Joana Pessoa porque estive presente, produzindo, os seus dois primeiros discos e fazia todo o sentido que, desta vez, lhe estendesse eu o convite e estivesse ela no meu CD de estreia. 

 

 

Tens estado muito ligado ao fado. Este disco não é de fado. Há algum género em que se consiga colocar este disco (pela necessidade que existe  actualmente em as pessoas catalogarem tudo)? 

 

De todas as perguntas essa será realmente a mais difícil e a que terá de ficar sem resposta… Já me conheces… Chamem-lhe música, é o que eu faço. (sorri)

 

 

Já apresentaste este novo disco no Cartaxo. Qual o feedback? 

 

Foi óptimo. A escolha do local de lançamento também não foi inocente: quis oferecer em primeiro lugar o disco às pessoas que me conhecem e com quem me cruzo todos os dias. As condições do Centro Cultural são fantásticas, o apoio excedeu tudo aquilo que se poderia esperar e foi uma óptima oportunidade de gravar os espectáculo todo em vídeo para poder ir partilhando online. 

  

  

 

Em termos de espectáculos o que podes já anunciar para breve? 

 

Há uma série de concertos agendados para o exterior já a partir do próximo mês (Canadá, Tunísia, Espanha,…) e começam agora a acertar-se datas cá dentro. Novidades muito em breve. 

  

Para quem queira conhecer melhor o teu trabalho, onde pode ir conhecer-te melhor? 

 

A melhor forma será mesmo através da internet: está cá tudo e a pegada digital é fácil de seguir. Eu diria que o ponto de partida é o site www.rodrigoserrao.com com todos os vídeos, concertos, etc e as novidades cotidianas estão no facebook https://www.facebook.com/rodrig0serrao 

  

 

 

Qual a tua relação com as redes sociais? São uma importante ferramenta  de trabalho? Quanto tempo dedicas por dia às redes sociais? 

 

As redes sociais são de facto a mais importante ferramenta de trabalho hoje em dia. Podem ser vividas como uma forma de distânciamento e alienação ou, pelo contrário, como uma forma de aproximação e contacto directo impensável há dez anos atrás. É também a ferramenta mais transversal e potenciadora na história da humanidade: permite, finalmente, a cada artista fazer ouvir a sua voz sem ser filtrado por quem não tem mais que o seu gosto pessoal no sistema tradicional de distribuidores e fazedores de opinião. A Internet representa hoje a liberdade completa na criação, em que quem faz, faz o que realmente quer e quem decide, do que gosta e do que vê, é finalmente quem sempre deveria ter sido – o Público! Sendo a arte comunicação e sendo as redes sociais esse mesmo veículo, parece-me que é o casamento perfeito: cada um vê aquilo que quer, cada um aprende até onde quiser.  

  

 

 

Além do disco, quais os projectos em que estás envolvido actualmente? 

 

Para já e porque o processo é realmente muito exigente, apenas no disco, muito embora vão sempre surgindo convites para participar em trabalhos de outros artistas já com este instrumento… outra vez os desafios… nunca lhes resisto! 

  

 

 

Numa única palavra como classificarias todo este percurso? 

 

Felicidade. 

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Notícia publicada a 03/03/2017

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