Rui Bento Vasques: “Ao longo de uma temporada, e num espetáculo tão contingente como é o espectáculo taurino, nem sempre tudo corre como nós idealizámos”

CampoPequenoLivro125anos-9623

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Rui Bento Vasques, director de actividades tauromáquicas do Campo Pequeno, é pelo cargo que ocupa objecto de todos os holofotes e os cartéis da temporada comemorativa do 125ª aniversário do Campo Pequeno, foram objecto das mais diversas análises. O Toureio.pt, em parceria com o Infocul,  apresenta em duas partes uma longa e conclusiva entrevista sobre esta temporada da primeira praça do país e também com a opinião de Rui Bento Vasques sobre a actualidade da festa brava em Portugal.

 

 

Toureio.pt (T) – Rui começo esta nossa conversa por lhe pedir que faça um balanço desta temporada dos 125 anos do Campo Pequeno?

Rui Bento Vasquez (RBV) – A temporada dos 125 Anos do Campo Pequeno teve grandes momentos artísticos e se nem todas as corridas registaram as lotações que esperávamos, como foi o caso do mano-a-mano entre Pablo Hermoso de Mendoza e José Maria Manzanares, que teve momentos excepcionais do ponto de vista artístico, protagonizados por Manzanares e Pablo, ainda assim esgotámos a lotação em três datas fundamentais: Inauguração da temporada (8 de abril), Corrida dos 125 anos (18 de Agosto) e Corrida de encerramento do Abono (12 de Outubro). Foi uma temporada trabalhosa sim, com uma grande aposta em grandes figuras do toureio, aposta essa a que o público respondeu satisfatoriamente.

 

 

 

T – Ao longo da temporada usou muitas vezes a palavra sucesso, mas as lotações e as actuações em praça não foram assim de tanto sucesso…

RBV – Ao longo de uma temporada, e num espetáculo tão contingente como é o espectáculo taurino, nem sempre tudo corre como nós idealizámos, mas daí a dizer-se que as lotações e as actuações não foram assim de tanto sucesso” …será a sua opinião e eu respeito-a. Mas gostaria de lhe contrapor o seguinte: Na primeira corrida, com lotação esgotada, como já referi, saiu em ombros Juan José Padilla; na segunda, a 18 de Maio, registámos duas grandes actuações de João Moura Jr, numa praça que teve ¾ de entrada, apesar da “baixa no cartel por acidente do rejoneador Pablo Hermoso de Mendoza, substituído pelo matador Antonio Ferrera, máximo triunfador de Sevilha e que viria a ser um dos triunfadores da “isidrada”; na terceira corrida, efectivamente e apesar de termos apresentado o rejoneador que dias antes saíra em ombros de Madrid, Leonardo Hernández, em competição com os portugueses Rui Fernandes e João Moura Caetano, a entrada de público não correspondeu ao que a empresa legitimamente esperava. Tal não impediu que qualquer dos cavaleiros estivesse em bom nível e registou-se ainda uma grande noite do Grupo de Forcados Amadores de Turlock; a 29 de Junho tivemos a alternativa de “Parreirita Cigano” com uma assistência de público razoável e com dois triunfos grandes do “Parreirita” e do Jacobo Botero. Daí a decisão de os repetir no dia 6 de Julho. Nessa data, o cartel incluía também os nomes dos matadores David Fandila “El Fandi”, uma primeira figura de Espanha e um bandarilheiro de época, e Juan del Álamo, recente triunfador da feira de Santo Isidro e que, nesta corrida, teve duas actuações destacadas, sobretudo a do seu segundo toiro, premiada com duas voltas á arena. Nesta corrida, efetivamente o público não correspondeu como era esperado. Como, apesar dos ¾ de entrada, voltou a não corresponder na corrida de 13 de Julho, uma daquelas que seria para esgotar de véspera pois tratava-se de um mano-a-mano que iria ocorrer pela primeira vez na carreira artística de Pablo e Manzanares. Quanto ao valor de cada um deles…dispenso-me de falar, tal é a sua grandeza. Quanto a toureio…a segunda faena de Manzanares foi simplesmente de antologia… Grande corrida, do ponto de vista artístico e ganadero foi a de 20 de Julho, de alternativa de Luís Rouxinol Júnior, e com óptima entrada de público. A 3 de Agosto terá faltado gente nas bancadas. A 10 de agosto, na novilhada, tivemos uma grande entrada de público, se atendermos a que se tratava de um espectáculo de promoção de novos valores. Foi mesmo das novilhadas que mais público teve, nestas últimas 12 temporadas e, mais a mais, com os jovens toureiros a aproveitarem bem esta oportunidade. A 18 de Agosto realizou-se um espectáculo memorável para comemorar os 125 anos do Campo Pequeno. Lotação esgotada e transmissão pela TVI e TVI 24. A 7 de Setembro, triunfou Manuel Dias Gomes, o mais jovem matador de toiros português, numa noite em que também destacou o cavaleiro Luís Rouxinol e Juan José Padilla saboreou o gosto amargo de não estar bem, ante um público que o estima, o acarinha, mas igualmente lhe exige…e muito como se viu. E finalmente, a 12 de Outubro, a Corrida de Gala à Antiga Portuguesa, também com transmissão televisiva, constituiu um grande espetáculo, visto por todo o país.

Foi uma temporada em que aconteceu de tudo, como é suposto. Planeada para ser um grande êxito, considero que o foi do ponto de vista artístico.

 

 

 

T – Sente que sendo Director de Actividades Tauromáquicas da primeira praça do país, lhe coloca muito mais exigência do que a outros gestores?

RBV – Sei o grau de exigência que coloco em tudo o que se relaciona com a minha actividade profissional. É um grau muito elevado, diria mesmo grau máximo. Sou assim, sobretudo desde que aos 17 anos fui sozinho para Espanha em busca do sonho (realizado) de ser Matador de Toiros. O grau de exigência de cada um…a cada um diz respeito…

 

 

 

Amanhã publicaremos a segunda parte da entrevista em que Rui Bento Vasquez continua a fazer o balanço da temporada, fala do caso Telles jr e ainda do seu futuro enquanto diretor do Campo Pequeno.

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Notícia publicada a 19/10/2017


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