William Cárdenas, presidente da Associação Internacional de Tauromaquia, revela que “pagamos tudo dos nossos bolsos”

MVLL-Williams

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O Toureio.pt e o Infocul.pt, através dos respectivos directores Hugo Calado e Rui Lavrador, conduziram uma entrevista ao Presidente da Associação Internacional de Tauromaquia na qual foi solicitada a William Cárdenas que fizesse um balanço o ano de 2017, que abordasse a tauromaquia nos diversos países que integram esta associação, no que está a ser preparado para 2018 e ainda, mais especificamente, que abordasse a ligação de trabalho que tem sido mantida com as entidades e agentes portugueses.

 

 

 

WIlliam Cárdenas, ao qual agradecemos a imensa disponibilidade,  não se recusou a qualquer questão, nem mesmo quando questionado se já existiu possibilidade de uma reunião com os defensores da causa animal. A tudo respondeu de uma forma clara e objectiva, elogiando os agentes portugueses, elogiando o povo português, elogiando a tradição tauromáquica portuguesa e revelando ainda o sustento financeiro da própria associação.

 

 

 

O Presidente da AIT abordou ainda o trabalho que está a ser efectuado relativamente ao projecto Tauromaquia-UNESCO. Apresentamos de seguida, e na integra, a entrevista conduzida por Hugo Calado e Rui Lavrador.

 

 

 

 

Toureio.pt/ Infocul.pt (T/I)- Qual é o balanço que pode ser feito até o momento do trabalho realizado pela associação?

Associação Internacional de Tauromaquia (AIT)- Desde o primeiro momento, em 2000, quando começámos nosso trabalho a favor da tauromaquia, nós sabíamos que a estrada seria muito lenta e longa, então nós puxámos nossos mais profundos sentimentos de amor por nossa cultura e na esperança que tenhamos um elemento fundamental do nosso Património que tínhamos que proteger.

 

 

 

T/I – Quando surgiu a ideia de criar essa associação?

AIT- Assim que a UNESCO começou a debater a aprovação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (ICP), entendemos que este era o instrumento de Direito Internacional sob o qual a Tauromaquia seria protegida, portanto, desde 17 de novembro de 2003, quando essa Convenção foi aprovada em Paris, iniciámos a nossa jornada como organização, lançando o Projeto Tauromaquia-Unesco.

 

 

 

T/I- Qual é o balanço que fazem da tauromaquia em 2017?

AIT- Se o analisarmos como um todo e na perspectiva da sua defesa contra os ataques imerecidos que recebe de diferentes áreas, o balanço é muito positivo, porque se conseguiu que a tauromaquia nas suas mais diferentes expressões e lugares onde recria, começou a dar uma resposta forte aos inimigos da Festa, do direito e do uso dos instrumentos que garantem a defesa dos direitos culturais, dos direitos dos cidadãos e da liberdade. Gradualmente, em cada país taurino, os órgãos depositários da soberania popular foram chamados a deixar claro e evidente que a tauromaquia tem as suas raízes ancoradas nos valores mais profundos dos sentimentos dos povos, a que pertence e, a partir daí, começou a estabelecer o equilíbrio necessário que garante o seu respeito e permanência.

Se o analisarmos país a país, encontramos algumas diferenças no status da situação em cada um deles, da Espanha, onde foram alcançadas três leis nacionais e decisões favoráveis ​​dos Tribunais Supremo e Constitucional, que reconhecem a tauromaquia como parte do Património Cultural Imaterial dos seus povos, a países como a Venezuela, onde a situação política, económica e social impede que o trabalho tenha sido tão frutífero como gostaríamos. Em Portugal, um trabalho extraordinário foi mantido nos seus órgãos legislativos em resposta a ataques múltiplos e repetidos e agora está em curso a elaboração do dossiê que permitirá elevar essa expressão cultural, que em Portugal goza de uma variedade e riqueza únicas, à sua classificação como Património Cultural Imaterial dos portugueses. O México também está a mover-se na mesma direcção, e já existem mais de nove estados federais que reconheceram a Fiesta de los Toros como parte da miscigenação cultural mexicana, presumivelmente que em breve será um passo muito firme nesse sentido. Na Colômbia, o mérito fundamental tem sido a recuperação da Praça de Toros de Bogotá e a sua Feira, escondida por interesses políticos subordinados. O Peru está a experimentar um momento fantástico com a aparição de toureiros locais que excitam os seus aficionados e permitem um crescimento exponencial da Festa em todos os sentidos. No Equador, a mudança de turno político da nova administração pressentia momentos positivos que começam com a recuperação da Plaza de Quito para os fins para os quais foi construída e para dar continuidade ao Projeto UNESCO-Tauromaquia nessas terras. Em França, há situações de progresso e retrocessos à medida que os ataques se intensificam e colocam em perigo o que foi alcançado.

No entanto, o balanço é totalmente favorável se considerarmos que, no início deste século, a tauromaquia foi completamente indefesa e desprotegida.

 

 

 

T/I- Quais são os maiores desafios na associação?

AIT- O desafio mais difícil foi ampliar o conceito de Património Cultural a todos os países taurinos como elemento de protecção para a tauromaquia. No começo, era mesmo um motivo de riso e ironia e até era difícil dizer isso de Património Cultural Imaterial, mas era fundamental socializar e dedicar os nossos primeiros anos. A Convenção da UNESCO entrou em vigor em 2006, portanto, aproveitámos esse período entre a assinatura da Convenção (2003) e sua entrada em vigor (2006), de acordo com a condição estabelecida pela sua aprovação por trinta países, para divulgar as vantagens da riqueza cultural da tauromaquia como instrumento fundamental para a sua defesa. Recordamos que a primeira missão internacional neste sentido nos levou a Santarém, Portugal. Em seguida, abordámos o processo de difusão internacional dos mecanismos para implementar as declarações em cidades, estados ou comunidades autónomas, facilitando na maioria dos casos a documentação necessária para alcançar o reconhecimento. Isso levou-nos a fazer milhares de quilómetros nas estradas, em muitos casos para “pressionar” os grupos políticos, que tudo deve ser dito, com poucas excepções, assumir plenamente as suas responsabilidades e solidariedade com o sentimento dos seus povos.

 

 

 

 

T/I- Para 2018, o que está a ser preparado?

AIT- Continuar a trabalhar lenta mas seguramente na mesma direcção, o Projeto Tauromaquia-UNESCO tem duas fases muito bem definidas: a primeira, é o reconhecimento da tauromaquia como PCI em cada um dos países taurinos. O segundo, uma vez que as declarações nacionais foram obtidas, é apresentar uma candidatura colectiva para que a tauromaquia no seu sentido mais amplo, que inclua todas as suas expressões culturais, possa ser incluído na Lista Representativa do Património Cultural da UNESCO, de acordo com as disposições de Artigo 16 da Convenção.

 

 

 

 

T/I- Qual é a função de cada um dos países que compõem a associação?

AIT- É uma função capital, uma vez que tentamos obter um movimento em cada país taurino para cristalizar a declaração de máxima protecção legal para a tauromaquia, sempre de acordo com a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, levando em conta que todos Os Estados onde este ritual milenar é celebrado aprovaram e ratificaram a Convenção. Nessa matéria, temos sido particularmente respeitosos em termos de métodos e mecanismos, legislativos ou administrativos, com os quais o desafio é assumido em cada país, limitando as nossas acções para estimular declarações, aconselhar sobre o que é necessário e formular as considerações ou recomendações que acreditamos pertinente, mas repito, sempre pelo respeito absoluto.

 

 

 

 

T/I- Em Portugal, trabalham directamente com quem?

AIT- Desde o início tínhamos contactos com associações de aficionados portugueses, porque devemos enfatizar isso, é um movimento de aficionados, e ambos em Santarém, como em Vila Franca de Xira, houve importantes amigos que deram os primeiros passos para colocar este esforço colectivo em andamento, cuja primeira manifestação sem dúvida foi a declaração da “Capeia Arraiana” como parte do PCI Português. O primeiro passo foi realizado, que foi continuado com sucesso por dezenas de clubes taurinos em cidades portuguesas e que recentemente tomou forma com a iniciativa, obtida em consulta popular, para dar forma à preparação do arquivo que reúne todas as expressões de a Tauromaquia portuguesa, talvez a mais rica de todas, a fim de promover seu reconhecimento como PCI dos portugueses. Nós também trabalhamos muito bem com Diogo Costa Monteiro na sua etapa enquanto presidente da Protoiro

 

 

 

 

T/I- Como tem sido o relacionamento com Portugal?

AIT- Mantemos um contato permanente com a maioria deles e continuamos o seu trabalho extraordinário, particularmente o desenvolvido pelo sociólogo, o Professor Luís Capucha, à frente da Associação das Tertúlias Tauromáquicas de Portugal, que desempenharam um papel importante na consecução de metas nessa propósito também com Arlindo Teles, presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, com cujos diretores compartilhamos experiências e conhecimentos e cujo trabalho também aplaudimos. Também propusemos ao Ministério da Cultura de Espanha no seu dia, ter a presença da Protoiro, na sua intervenção no I Congresso Internacional de Tauromaquia realizado em Albacete, em que felizmente esteve presente.

 

 

 

T/I- Qual a opinião dos agentes taurinos portugueses?

AIT- Sempre, desde o máximo respeito, consideramos que é um dos países onde as coisas são melhor feitas por causa da alta conscientização e conhecimento dos factores envolvidos no Projeto, que abraçaram espontaneamente e com a compreensão de que está indo a salvação desta parte importante da nossa cultura, nossa herança e por que não, da nossa história. A sua perseverança e dedicação são dignas desta causa nobre.

 

 

 

T/I- O que pensa da tradição taurina em Portugal?

AIT- Já avancei com alguma opinião, mas, mais amplamente, direi que é sem dúvida a mais diversificada das expressões da Tauromaquia Mundial. A forma como a Festa evoluiu no seu território permitiu viver hoje Toureio a cavalo com Toureio a pé, e entre elas manifestações tão genuínas quanto a dos Forcados, que do ponto de vista ético tem uma força difícil de bater. Quando eles deixam as suas fronteiras, eles causam um verdadeiro espanto. Com eles, centenas ao vivo, se não milhares de manifestações populares, largadas e festas com touros como formas diferentes de concelebrar o ritual taurino e o culto do touro, típico da cultura mediterrânea a partir de suas origens mais remotas.

 

 

 

T/I- Numa altura em que os ataques contra a tauromaquia aumentam, como é que a associação reage?

AIT- Nós avançámos uma boa distância que nos permitiu dar a resposta apropriada, sempre dentro do estado de direito, porque acreditamos que a tauromaquia é uma expressão cultural absolutamente legal e legítima. O facto de a legitimidade ser dada por centenas de milhares ou milhões de pessoas que encontram nela o reconhecimento de um modo de vida e uma expressão de povos com uma cultura singular e única. É o que faz milhões de turistas ano após ano, seu primeiro contacto com essa parte da nossa cultura. A legalidade está a ser construída com um esforço permanente de aficionados em todo o mundo taurino. Sendo alvo de ataques de intolerância e insensibilidade, em alguns casos, por ignorância e outros por influência de grupos de interesse económico ou político, vimos a necessidade de fortalecer a sua legalidade, que vem das nossas constituições, leis nacionais ou tratados regionais e internacionais, até às ordenações e decretos de municípios e poderes locais. É aqui que baseamos a nossa reacção, sempre nas mãos da lei, porque a lei e o senso comum protegem-nos.

 

 

 

 

T/I- Alguma vez houve possibilidade de  falar com respeito e civismo com os defensores da causa animal?

AIT- Os Nossos objectivos são muito claros e definidos: defender a tauromaquia como parte do património cultural dos nossos povos. Eles não são muito claros porque obedecem a diversos interesses, que vão desde a defesa incompreendida dos animais até aos projectos de políticos de certas tendências e interesses que, em geral, fazem uso desse instrumento e não como um fim, a fim de obter retornos políticos, até encontrar autênticos consórcios económicos internacionais que atuem no norte da Europa e que respondem igualmente a interesses diferentes, a venda de alimentos para animais de estimação, a encorajar a reconversão de movimentos turísticos para outros destinos. Como é fácil de entender, não há possibilidade de compreensão quando as causas que os movem carecem de fundamentos éticos e em muitos casos racionais. Por outro lado, todos sabemos que tentaram impor a sua razão, que parece ser a única e suprema, usando violência, agressão, insulto e outros comportamentos condenáveis ​​e perseguíeis.

 

 

 

 

T/I- Quais são as entidades públicas com quem foram estabelecidos pontos de trabalho na defesa da tauromaquia?

AIT- É claro que em cada país devemos levar em consideração quais são os órgãos e instituições de poder público que nos podem suportar com maior firmeza. Do mesmo modo, de acordo com a organização política e territorial de cada país, será necessário ir aos órgãos do poder central ou do poder local, mas o que sempre recomendamos é dirigir-se aos que têm competência em questões culturais para reconhecer e identificar as expressões que formam parte do património cultural do seu povo. No entanto, não podemos esquecer que a Convenção da UNESCO dá destaque à identificação e reconhecimento dessas manifestações, aos cidadãos e aos grupos que recriam essas expressões do PCI. Eles são a pedra angular, e é por isso que os aficionados têm sido a chave para um processo que já atingiu uma entidade de “movimento de cidadão internacional”.

 

 

 

 

T/I- Quanto à tauromaquia como Património Mundial da UNESCO, está mais perto ou mais longe, esse objectivo?

AIT- Como eu tenho dito no desenvolvimento da entrevista, é claro que percorremos um longo caminho se levarmos em consideração a categoria do desafio e nos situarmos quando começámos em 2003. Isso não significa que estamos perto do objetivo, mas estamos depois dele. Este ano, por exemplo, foi declarado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da Europa, como o ano do Património Cultural Europeu. Bem, é a oportunidade de valorizar esta expressão da cultura do sul da Europa de cujas fontes milhares de artistas das mais belas artes tomaram cujas obras completam museus e bibliotecas em todo o continente. Neste sentido, convidamos todos os responsáveis ​​pelas organizações desse movimento cidadão em Espanha, em Portugal e em França, a agir em conjunto para nos fazermos sentir, especialmente afirmando o nosso património e a nossa diversidade, o que dá riqueza especial à Cultura Europeia. Não podemos esquecer que a Tauromaquia nasceu aqui, que está presente nas suas origens míticas, do Rapto da Europa aos Mosaicos de Knossos, na Ilha de Creta.

 

 

 

 

T/I- Em que fase está este processo?

AIT- Ainda há muito trabalho a ser feito na primeira fase do projeto Tauromaquia- UNESCO, mas continuaremos trabalhando incansavelmente para alcançar o objetivo. Eu acho que já estamos na alma de muitas pessoas, amadoras e profissionais ou não, que reconhecem que esta é uma causa nobre, justa e legítima.

 

 

 

T/I- Voltando a falar sobre a associação, qual foi a reação dos aficionados ao seu trabalho?

AIT- No início, houve incredulidade, mas isso tem sido dominado pelo entusiasmo com que o desafio foi assumido. Eles foram o pilar que permitiu que tudo começasse e tivemos um otimismo real sobre os resultados futuros. Em seguida, os profissionais das diferentes classes da tauromaquia também se juntaram. Esperamos muito deles, porque eles têm o poder económico e de media.

 

 

 

T/I- Os aficionados também têm sido um agente ativo ou passivo na defesa da festa?

AIT- Eles são os verdadeiros defensores deste Património Cultural, o seu zelo e a sua resposta é fundamental. Eles são os que enchem os ruedos e aqueles que, com a sua presença, convidam muitos que não são aficionados, mas que são atraídos por algo que existe e recriam porque existe uma base da população que ama a Tauromaquia e que entende essa filosofia de vida que contém o confronto de um homem com seu destino, com sucesso, fracasso ou mesmo com a morte. Esta é a vida cotidiana de todos os povos do mundo, a diferença é que alguns simplesmente ignoram e nós damos-lhe um valor cultural e existencial. É uma maneira de enfrentar a vida que nem todos entendem, e respeitamos aqueles que não a compartilham ou simplesmente não a apreciam.

 

 

 

T/I- De que país os aficionados  são mais ativos na defesa da Festa Brava?

AIT- Seria injusto dizer um ou outro, porque em todos os nossos países há homens e mulheres dispostos a comprometerem-se por causas altruístas em defesa do que consideramos nosso próprio, que recebemos como um legado cultural e que temos o dever de transmitir para futuras gerações. São séculos que não mencionam milénios que nos precedem, em que houve uma cultura em constante evolução, que atingiu sublimes expressões artísticas e em que há um fundo de esforço de nossas civilizações anteriores que foi regada com o sangue de muitos . Se, por esse motivo, não vale a pena lutar, não sei por que valeria a pena.

 

 

 

T/I- Onde podemos acompanhar o trabalho da associação?

AIT- O Nosso trabalho pode ser usado como um exemplo para a defesa de qualquer outra manifestação de nossa herança cultural popular e imaterial que possa estar sujeita a ataques ignóbeis neste mundo globalizado e cada vez mais complexo, no qual se pretende uniformizar o homem sem tomar consideração o risco de arrastar com eles, os seus costumes e tradições. Esta foi a filosofia da UNESCO de ditar na sua Convenção sobre a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, mas sem outra manifestação cultural daqueles que foram reconhecidos como PCI, o que fizemos com a Tauromaquia, uma mobilização cidadã extracontinental e de defesa para alcançar o mesmo objectivo. Os outros não o solicitaram, a tauromaquia sim. Isso não significa que outros em outro momento tenham que passar por um processo semelhante.

 

 

 

T/I- Qual a base de sustento em termos financeiros da associação?

AIT- Esta é talvez a parte mais difícil, mas também a mais honrosa: pagamos tudo dos nossos bolsos, mas não só isso, sacrificando o tempo do nosso trabalho e das nossas famílias em favor desta causa, é por isso que confesso que é um trabalho mítico e heróico, e não digo que seja reconhecido, simplesmente para que seja conhecido. Cada uma das pessoas que se comprometeram com isso merece uma placa numa uma praça de touros, mas como já somos muitos, acho que deve ser um quadrado muito grande. Estamos satisfeitos por ter colocado um mosaico para o Sr. Mario Vargas Llosa, que nos apoiou desde o início, que o colocou na linda praça de touros de Zamora, na fronteira de Espanha com Portugal, cujo município foi o primeiro ao reconhecer a tauromaquia como PCI em solo espanhol.

 

 

 

T/I- O que é que precisamos urgentemente melhorar nas tauromaquia europeia?

AIT- Estamos num momento que se qualificaria como chave para repotenciar a tauromaquia na cultura europeia. Uma vez que superámos este momento crítico, que ameaçou a sua existência, temos que girar sobre os seus próprios valores culturais para consolidá-la como uma expressão cultural como genuína, autêntica e válida como qualquer outra. Esta é a importância que este ano foi declarado ANO do Património Cultural Europeu. Temos de torná-lo o Ano Europeu da Tauromaquia!

 

 

 

 

T/I- Quais são as principais diferenças entre os países que compõem a associação em termos de promoção da tauromaquia?

AIT- As diferenças baseiam-se, basicamente, nas diferentes estruturas da organização geopolítica de cada um dos estados, que marca fundamentalmente o caminho escolhido para obter o reconhecimento da tauromaquia como PCI. Em países descentralizados ou federais recomendamos a rota legislativa porque é mais seguro e permanente. No entanto, em países centralizados, a rota administrativa é utilizada e também é respeitável, desde que o resultado seja garantido. Em qualquer caso, deve ser um processo público e contrastado conforme exigido pela Convenção de Paris. Não podemos fazer coisas em segredo de ninguém, ou fingir enganar os outros. Não é o nosso estilo e o objetivo é de tal categoria moral que não o aceita.

 

 

 

 

T/I- Dos países que compõem esta Associação, com a qual tem sido mais difícil de trabalhar e por quê?

AIT- Com todos, temos relações e links extraordinários e cada um deles respondeu aos desafios que são apresentados com eficiência e inteligência. É isso que nos permite prever que, mais cedo ou mais tarde, veremos o Projeto UNESCO-Tauromaquia cristalizar, cuja segunda fase terá uma estratégia que discutiremos mais tarde quando chegar a hora.

 

 

 

T/I- Que mensagem deixa aos aficionados e leitores portugueses de Toureio.pt?

Para agradecer ao Toureio.pt, esta oportunidade gentil que nos permite entrar em contato com os aficionados de um país que admiramos tanto e temos muito a agradecer. Os passos que tomaram em defesa da tauromaquia são invariáveis ​​e permitirá que esta parte da cultura dos portugueses sobreviva no tempo. Estamos unidos e ligados pelo mesmo sentimento, que é o amor da Festa dos Touros em todas as suas manifestações e se existe um território em que isso é muito rico pela sua variedade e intensidade é em Portugal. Recebam os nossos sentimentos de respeito e consideração e desejos para um ano de 2018 cheio de sucesso.

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Notícia publicada a 12/01/2018


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