Birds Are Indie: “Do mercado musical, não sabemos muito. Já o Mercado Municipal de Coimbra, esse sim, visitamos regularmente para comprar legumes e fruta.”

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“Local Affairs” é o novo disco dos Birds Are Indie. Com edição em Abril, dia 20,  este disco promete não deixar ninguém indiferente. Birds Are Indie que em entrevista ao Infocul abordaram a construção e mensagem que pretendem transmitir com o disco.

 

O trio formado por Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, formado em 2010, e natural de Coimbra, revela ainda as próximas datas onde o público os poderá ver, ouvir e conversar…sim, o grupo gosta muito de falar com o público no final dos concertos.

 

Quando começaram a pensar neste trabalho?

Já não sabemos bem, mas as primeiras músicas novas devem ter aparecido no início de 2017. Tinha passado mais ou menos um ano do lançamento do disco anterior e o Jerónimo resolveu comprar uma guitarra eléctrica. Talvez esse facto tenha rapidamente feito nascer vários esqueletos de canções, num curto espaço de tempo. No início do Verão de 2017 fizemos uma selecção e começámos a desenvolvê-las em conjunto, com o objectivo de gravar e ter o disco pronto no início de 2018.

 

 

 

Qual a principal mensagem que tentam transmitir?

Este disco é um conjunto de canções, como os anteriores. Tal como os outros, não é um álbum conceitual, mas tem sempre um fio condutor que, para nós, resulta daquilo que nos circunda e da forma como nos sentíamos na altura em que as músicas nasceram e foram gravadas. Neste caso, o disco surgiu num contexto (e na sequência) de uma série de colaborações e cumplicidades com vários músicos e estruturas de Coimbra, muito centradas no estúdio da Blue House e na editora Lux Records. Foi também por causa destes “Local Affairs” que as músicas ficaram assim, mais “musculadas” e mais “ricas”.

 

 

 

Quais os maiores desafios na construção deste disco?

Um dos desafios conscientes que tínhamos era tentar fazer um disco que não desvirtuar o que nós somos enquanto banda, mas que fosse um salto em relação aos anteriores, isto porque finalmente o gravamos num estúdio a sério, com alguém externo à banda (mas muito próximo) a fazer a co-produção e com o respaldo de uma editora.

 

 

Há algum tema que queiram destacar? E porquê?

Nós gostamos muito de discos. De os comprar, de os ter, de os ouvir do início ao fim, sem interrupções (só se for para virar o lado, no caso de ser em vinyl). Por isso, pensamos sempre no conjunto das músicas e não nelas individualmente. Talvez à medida que as vamos tocando ao vivo algumas se vão destacando mas, para já, merecem todas tratamento igual, como se de filhos se tratasse.

 

 

 

Apresentaram um veraneante “Come into the water” em pleno inverno. Sentem que a vossa música e percurso também são feitos de contrastes?

Sim, o contraste acho que é uma coisa que nos define. Duas vozes, uma masculina e uma feminina. O humor, por vezes carregado de alguma ironia ou melancolia. Uma sensibilidade pop, em torno da qual gravitam outras influências. Um certo receio em nos expormos, contrabalançado com uma enorme vontade de combater essa vergonha. E, sim, um single veraneante, lançado no Inverno.

 

 

 

Como analisam o actual mercado musical em Portugal?

Do mercado musical, não sabemos muito. Já o Mercado Municipal de Coimbra, esse sim, visitamos regularmente para comprar legumes e fruta. Vamos sempre às mesmas bancas, de duas senhoras muito simpáticas.  

 

 

 

Há oportunidades para todos? Ou estamos com superlotação em termos de músicos?

Há cada vez mais bandas portuguesas e isso é óptimo. Umas terão vida mais curta, a de outras será mais longa, umas farão uma carreira internacional, outras ficarão por cá, umas deixarão marca, outras serão esquecidas. Mas é um momento muito bom o da música portuguesa actual, em que até já se fazem muitos concertos ou cartazes inteiros de festivais só com nomes portugueses. E, se isso acontece, é não só mérito dos programadores, mas também pelo facto de haver público para tal.

 

 

 

O público sabe separar o trigo do joio?

Claro que sim!

 

 

 

Em termos de apresentação do disco, quais os espectáculos já agendados?

Estivemos em Espanha, onde fizemos uma tour de pré-lançamento, de 5 datas, e em que já mostrámos um pouco do novo disco. A recepção foi óptima e já temos regresso marcado. Em Portugal, temos muitos concertos marcados até ao final do ano, alguns deles ainda não os podemos divulgar. Os que dão o arranque são estes: 19 de Abril, em Évora (Sociedade Harmonia Eborense), 20 de Abril, em Lisboa (Teatro do Bairro), 17 de Maio, em Aveiro (Gretua) e 18 de Maio, no Porto (Maus Hábitos). Claro que também vamos apresentar o disco em Coimbra e em muitos outras cidades, é uma questão de estarem atentos…

 

 

 

Onde pode o público interagir convosco?

Onde mais gostamos que o faça é durante e no fim dos concertos, junto à mesa de merchandise. Podem até não comprar nada, mas gostamos de conversar com quem nos segue e se dá ao trabalho de ir a um concerto, mesmo que às vezes não haja muito tempo.

 

 

 

Dedicam muito tempo às redes sociais?

Sim, as redes sociais também são uma boa forma de nos relacionarmos com as pessoas que gostam do que fazemos. Como a banda começou em 2010, ainda somos do tempo do Myspace! Agora é mais pelo Facebook, Instagram e Twitter.

 

 

 

Quem as gere?

Somos nós!

 

 

 

Qual a importância delas no vosso trabalho?

São uma ajuda na divulgação do que vai acontecendo ou vai acontecer. E também uma boa forma de fazer contactos, não sou com quem nos ouve, mas também com promotores e outros músicos.

 

 

 

Qual a mensagem que pretendem deixar aos leitores do Infocul?

Mesmo que gostem muito de ir a festivais, não deixem de ir a concertos que acontecem todas as semanas, por aí, nas vossas cidades e arredores. É nesses espaços que, muitas vezes, acontecem os momentos mais íntimos, mais especiais, mais inesquecíveis. E esperamos que, numa dessas vezes, nos possamos cruzar…

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Notícia publicada a 17/04/2018


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