1ª Companhia: “Fiquei surpreendido em ver emoções e reações semelhantes à de receber uma boina na vida real”, assinalou.
Rodrigo Joaquim e Paulo Andrade falam sem filtros no Dois às 10
Com a 1.ª Companhia a aproximar-se do fim, o estúdio do Dois às 10 recebeu esta manhã as principais figuras da autoridade no quartel. Rodrigo Joaquim e Paulo Andrade estiveram à conversa com Cristina Ferreira e Cláudio Ramos, numa entrevista marcada pela transparência.
Desde logo, Cristina Ferreira quis perceber se aceitar o desafio foi uma decisão imediata. Rodrigo Joaquim assumiu que houve reflexão, mas prevaleceu o espírito de missão. “Sim, se pensámos, mas… Fomos à aventura, ao desafio”, confessou.
Nervosismo inicial perante figuras públicas
No entanto, a estreia trouxe inseguranças. Paulo Andrade revelou que a primeira gala foi vivida com tensão, sobretudo pelo contacto com celebridades habituadas ao protagonismo. “Lembro-me no primeiro dia, e já confidenciámos isto, no primeiro dia estávamos bastante nervosos. Naquela gala, nós nunca fizemos televisão, e eram pessoas VIP, digamos assim, e eu, pelo menos, receei que poderia haver algum tipo de confronto, ou um desafio mais aguerrido da parte do recruta”, explicou.
Ainda assim, o receio rapidamente caiu por terra. “Não se passou nada e entrámos ali numa interação espetacular”, acrescentou.
Transformação que vai além do físico
Com o passar das semanas, os instrutores começaram a reconhecer uma mudança profunda nos concorrentes. Para Paulo Andrade, o processo refletiu o que acontece numa recruta real. “Notamos que, desde o primeiro dia até ao dia de hoje, nota-se uma grande transformação, quer na parte física, como é mais evidente, mas também na parte psicológica e emocional”, afirmou.
Segundo o militar, os finalistas saem da experiência com uma bagagem sólida. Garantiu que levam consigo uma “formação moral, cívica e física muito mais valiosa”, aplicável à vida fora do programa.
Histórias pessoais fora da farda
A conversa permitiu ainda conhecer o percurso dos instrutores. Rodrigo Joaquim contou que entrou na vida militar aos 23 anos, movido pela curiosidade e pelo desejo de ser paraquedista. “Não tinha familiares militares, não conhecia muito o meio militar, e o desafio puxou-me para ali, para os paraquedistas”, recordou, descrevendo a instituição como uma “segunda família”.
Já Paulo Andrade falou com orgulho dos seus 23 anos na Escola de Tropas Paraquedistas e da missão em Angola. “Fui sargento, sou sargento e serei sempre… Nunca deixamos de ser militares”, afirmou.
O bigode, a família e o legado
Num momento mais descontraído, o instrutor explicou a origem do bigode revirado que se tornou imagem de marca. “Isto surgiu na época da pandemia, foi recentemente. Como estava em casa disse: vou deixar crescer a barba, nunca deixei crescer a barba na minha vida, vou experimentar”, contou, entre risos, recordando a reação da esposa: “A minha esposa quis-me bater, mas depois continuei”.
Ainda no plano pessoal, Paulo Andrade partilhou o orgulho nos filhos, que seguiram a carreira militar por vontade própria. “É sinal que eu fiz alguma coisa de certo”, sublinhou.
Recrutas difíceis e elogios a Rui Freitas
De regresso ao programa, Cláudio Ramos questionou quem deu mais trabalho no quartel. Rodrigo Joaquim respondeu com diplomacia, garantindo que “é um grupo difícil” e que “dão todos muito trabalho”.
Quando confrontado sobre Rui Freitas, inicialmente mais desafiante, o instrutor destacou a evolução. “É um jovem muito capaz, muito competente e, se calhar, na altura certa, nós termos um aviso ou uma chamada de atenção, pode-nos abrir os horizontes a nível de comportamento”, analisou, acrescentando: “Acho que ele alterou o comportamento dele”.
Entrega das boinas surpreendeu pela autenticidade
A reta final ficou marcada por um dos momentos mais intensos do programa. Rodrigo Joaquim admitiu que não esperava tamanha carga emocional. “Fiquei até surpreendido, porque não vamos esquecer que é um formato de entretenimento. Fiquei surpreendido em ver emoções e reações semelhantes à de receber uma boina na vida real”, disse, lembrando que, na tropa, esse momento demora “meses largos” a conquistar.
Paulo Andrade reforçou a ideia, validando as lágrimas dos concorrentes. “Para nós, quando vimos estas imagens da emoção que eles tiveram quando viram a boina… saber que aquelas emoções são reais, não são ensaiadas, não são programadas… para nós também é uma conquista”, afirmou, comparando-os a “verdadeiros recrutas que chegaram ao objetivo”.
Um fecho com humor e nostalgia
Com a final marcada para sexta-feira, os instrutores admitiram já sentir alguma nostalgia. Ainda assim, mantêm a postura até ao último segundo. Num momento inesperado, Rodrigo Joaquim abriu um “televoto” simbólico em estúdio e nomeou Cristina Ferreira. Perante a surpresa da apresentadora, justificou sem hesitar: “É mais pelo excesso de emotividade”.
Entre risos, Cristina aceitou a repreensão, enquanto os instrutores se preparam para a última missão: despedir-se dos recrutas e fechar uma experiência que deixou marca dentro e fora da caserna.
