A fantástica máquina dos desejos!

A fantástica máquina dos desejos! Artigo de opinião por Raul Tartarotti.

A fantástica máquina dos desejos!

Cruzamos diariamente com pessoas parecidas com bonecos de Cera, que não podem ser aquecidos, e facilmente quebram, porque são duros no relacionamento diário. 

Por vezes, nos presenteiam com um abraço cascudo, que mal parece ser pra nós. Pouco se assemelha ser real ao repetir sem carinho, sem olhar no rosto, esquecido como botina velha.

Uma breve aula de abraço e beijo, pode ensinar doces gestos raros e disparadores de alegria.

Algumas pessoas seguem no chão porque o mar é tenso e longo, e suas mãos nunca seguram tão firmes quanto deveriam. 

Quais são os braços que te carregam no meio do incêndio pra fora do fogo do inferno, que se tornaram destroços de seu reino, onde um dia brilhou como sua arte, e estavam todos os diferentes se apresentando como iguais? 

Alguns, nos dão ouvidos, porque prometemos que vamos amá-los, e sempre em breves momentos surgem promessas enfáticas quanto à isso.

Os renegados resistem cegamente as luzes coloridas e um telhado de lonas, que brilham ao reforçar o valor dos fugitivos, porque o “show” não pode parar, e a sua vida é o maior deles, essa fantástica máquina de todos seus desejos. 

Até o mais sério crítico poderia sorrir por uma boa escolha, pois, o sucesso de um homem só é limitado em sua própria imaginação. 

Por vezes a vida se encarrega de mostrar a escuridão, mesmo não querendo ver, que ainda há um lugar pra nós; e como na enchente devemos nos cuidar e marchar sem desculpas e medos do afogamento, e assumir o que somos.

Bem diferente das janelas de outras partes do mundo, que são as formas de reconstruir o “habitat” de animais mortos, e assim manter a ilusão de entender como viviam e se comportavam. 

Esses já não necessitam se esforçar mais, são fruto do trabalho do taxi-dermista, cuja atividade é compor esse cenário com criaturas que não se movem mais, montados em Dioramas, espaços protegidos por vidros, onde estão imortalizadas cenas da natureza em museus. 

Lá presenciamos carcaças de bichos prestes a se mexerem, criando uma ilusão do que foi real um dia, daqueles que outrora respiravam como todos. 

Não podemos voltar ao mundo de onde viemos, é daqui pra frente com brilho ou sem ele nesse lugar, é assim que construímos um show, pra despertar sonhos e nos tornarmos grandiosos.

 O barco não está cheio, Pegue na mão de alguém e conduza como nunca fizera antes, mãos que jamais serão as mesmas nem o bastante pra você, depois de um enlace vitalício.

“Nunca deixe que o sentido se fixe, que domine e enclausure suas imagens ou palavras. Pois, como disse Antonin Artaud, sentido dado é sentido morto”

(Jean Luck Godard).

Nota: Texto redigido em Português do Brasil.

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