Alentejo: Terras sem Sombra Kids quer levar miúdos para o mundo rural

E à 16ª edição do Festival Terras sem Sombra, o festival decide-se alargar a públicos mais novos e cria o Terras sem Sombra Kids.

A directora executiva do Terras sem Sombra, e grande impulsionadora do projecto, conversou com o Infocul sobre esta novidade.

O Terras sem Sombra Kids pretende ser um projecto que cative as crianças e as famílias para esta questão da natureza e para a música. Entendemos que o nosso público é um público maior, portanto não faz sentido não trabalhar os públicos mais novos”, começou por nos dizer.

E nesse sentido, “achamos que a melhor forma de o fazermos, sendo o Terras sem Sombra um projecto do Alentejo, é construir nesta primeira edição (que eu diria que é a Edição 0) dois eventos major com crianças. Vamos ter dois fins-de-semana (um deles acoplado a um evento/fim-de-semana Terras sem Sombra, o segundo não tem haver com as datas do Terras sem Sombra) de modo a que as crianças estejam três dias no território e que, tal como acontece no Terras Sem Sombra, trabalhem as matérias mas que eu diria de uma forma séria”.

Deu ainda exemplos do que acontecerá nestes dois fins-de-semana. “Quando falarmos da Ovelha, iremos ter um veterinário a falar da ovelha. Quando falarmos de Noudar, iremos ter os biólogos que fazem investigação científica a falar da biologia e de raças autóctones. Ou seja, tentaremos que a natureza nos ajude a chegar às crianças. E depois não queremos descurar aquela que é âncora do Terras sem Sombra que é a música erudita. Nesses fins-de-semana contaremos com músicos de excelência, um deles já passou pelo Terras sem Sombra e que inclusive vem fazer uma masterclass”.

Um dos objectivos é “que as famílias venham mas isto não se poderá fazer se não articularmos com o território” e por isso “iremos trabalhar com as escolas, aliás começámos a delinear e trabalhar este projecto com a secretaria de estado da educação, estamos a trabalhar com o plano nacional da artes, para construirmos em conjunto um produto que sirva também as escolas. Como é que as escolas vão entrar no projecto? Vai entrar pelo mérito. Vamos lançar, nesta edição, um desafio às escolas dos municípios que integram o festival para que os miúdos trabalhem um dos temas: o mundo rural e esta questão a ovelha, porque sem ovelha não há mundo rural nem biodiversidade e portanto vamos insistir nessa área fundamental que é o Montado”.

Os dois fins-de-semana dedicados aos mais novos estão também já definidos.

Vamos ter a primeira data no primeiro fim-de-semana de férias da Páscoa, anunciaremos brevemente, e o segundo fim-de-semana será no primeiro fim-de-semana das férias grandes. Portanto será no final do tempo de aulas e permitir que as crianças possam vir para o campo e estar no mundo rural, que possam brincar e eu diria até uma coisa ousada que é serem finalmente livres”.

A desertificação e envelhecimento da população são muito abordados no Alentejo e perguntámos a Sara Fonseca se o objectivo deste projecto era, também, trazer jovens para o território.

A directora executiva do Terras sem Sombra foi clara: “Eu penso que esse tem de ser o grande objectivo do país, não deste projecto. Tem de haver uma concertação social porque sem mundo rural não há país. E portanto urge criar condições no mundo rural, falo daquilo que não são os grandes centros urbanos, para que as pessoas possam instalar-se e trabalhar dignamente nas profissões que escolheram. O interior precisa de gente, mas que possam trabalhar dentro das suas profissões, não podemos querer trazer pessoas para o interior e mudando o paradigma da vida das pessoas porque isso não resolve nada. O Terras sem Sombra Kids vai tentar também mostrar a parte bonita deste Alentejo que nos une”.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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