Ângelo Rodrigues e a infecção que quase lhe amputou a perna: Deveu-se ao “mal manuseamento do material”

Foto: SIC

Ângelo Rodrigues falou pela primeira vez da infecção grave que o afectou e que provocou internamento no Hospital Garcia de Orta, em Almada.

O ator ficou quatro dias em coma e esteve em risco de ter a perna esquerda amputada.

Este domingo, no documentário exibido na SIC, Ângelo Rodrigues revelou pela primeira vez tudo o que aconteceu.

Sinto que existe esta expectativa e se de alguma forma eu contribuir de forma positiva para que não volte a acontecer, pois bem, conto a minha verdade”, disse.

Durante a sua estadia no Rio de Janeiro, “podia ter procurado a psicanálise, psiquiatria… Procurei a endocrinologia. E foi aí que me falaram do tratamento de reposição hormonal“, explicou.

Acrescentou que “eu não tinha qualquer julgamento moral ao tratamento que iria iniciar, uma vez que foi me apresentado como uma coisa comum e normal. Atentando que foi por questões de saúde que eu fiz o tratamento” e assim “fiz as primeiras aplicações na clínica. Senti-me menos angustiado, menos irritado, menos cansado“.

Sendo sempre acompanhado na clínica, tudo mudou com o surgimento de projectos em Portugal.

Pedi ao profissional endocrinologista se poderia continuar este tratamento em Portugal. Ele acedeu. Foi essa decisão de querer continuar este tratamento em casa que acabou por ser o princípio do fim”.

Ângelo revelou que “não deveria ter feito” as aplicações das injecções em casa, por ser amador e “não um profissional”.

Aliás, o mau uso do material provocou a infecção.

O actor esclareceu também que a infeção se deveu ao “mal manuseamento do material”.

Houve um episódio no último dia, era um talk show aque eu estava a fazer, e tínhamos alguns convidados passados pelo dia. Do segundo para o terceiro convidado havia umas duas horas de descanso. E eu só pedi para que nessas duas horas de descanso para ficar numa sala sozinho sentado no chão e sem fazer nada. Só para conseguir recuperar e me acordarem 15 minutos antes de gravar“, disse sobre o início dos sintomas.

Eu estive essas duas horas a tremer e 15 minutos antes vêm chamar-me, três pessoas. E perguntam: Ângelo estás pronto? Eu levanto-me e assim que eu me levanto eu vomitei tudo que eu tinha dentro de mim e ficaram todos boquiabertos a olhar para mim: ‘Consegues fazer este programa?’ E a minha resposta foi categórica: claro que sim. Mas só deixaram-me fazer o programa na condição de quando acabasse ir a um hospital. E foi isso que eu fiz.“, acrescentou.

Ricardo Souto, médico de cirurgia geral, contou que Ângelo Rodrigues chegou ao hospital em estado já muito grave. “Fui chamado na estação de reanimação, era um jovem que estava numa situação muito complicada.”, revelou o médico.

O Ângelo foi internado no Hospital Garcia de Orta em choque séptico, devido a uma infecção necrotisante do membro inferior esquerdo. É uma infeção bacteriana rara e grave nos tecidos subcutâneos silenciosamente agressiva e que evolui rapidamente. Manifesta-se inicialmente por uma dor localizada e exagerada com sinais inflamatórios, febre, sintomas semelhantes a uma gripe. (…) Tem uma taxa de mortalidade de cerca de 30%. Foi logo iniciada a terapêutica antibiótica e submetido à cirurgia pela equipa de cirugia geral“, explicou, por sua vez, Catarina Diniz, médica cirurgiã plástica.

Ângelo Rodrigues falou sobre a desvalorização dos sintomas iniciais, explicando que “inicialmente eram sintomas gripais… Depois, isso é interessante porque tenho que fazer um rewind de todo esse episódio que foi traumatizante. Comecei a ficar com dificuldades para andar e eu estava a trabalhar na altura e então nesse embalo, nunca me preocupei comigo. Já com estas dificuldades em andar, achava que conseguia dar à volta a isso“.

Procurei uma farmácia porque tentei primeiro com um antibiótico para ver se passava. Não passava. Fiquei a saber que os efeitos do antibiótico só por volta do terceiro dia é que se começam a manifestar… Então eu passei uma semana, essa janela de tempo, na expetativa do antibiótico se manifestar, então os três dias passaram e eu só piorava“, acrescentou.

Foi então ao hospital e “fui às urgências, fizeram os testes, as análises. Deram a possibilidade de ir para casa e ser assistido em casa. As dores foram piorando, um enfermeiro ia uma vez por dia à minha casa, e chegou um ponto em que eu estava praticamente acamado. E ao estar acamado e começaram a administrar-me morfina e já nem conseguia comer sólidos. Resultado: um inchaço gigantesco que se começou a formar na lateral da minha perna“.

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