A companhia Cegada Grupo de Teatro, residente no Teatro-Estúdio Ildefonso Valério (um equipamento cultural público da autarquia de Vila Franca de Xira) emitiu um comunicado no qual dá conta de ter solicitado esclarecimentos à Ministra da Cultura.

Deixa ainda muitas críticas ao Ministério dirigido por Graça Fonseca.

Abaixo o comunicado na íntegra:

IMPOSSIBILITADO DE ABRIR NO PÓS CONFINAMENTO O TEATRO-ESTÚDIO ILDEFONSO VALÉRIO AGUARDA ESCLARECIMENTOS DA MINISTRA DA CULTURA
A resposta da Linha de Apoio de Emergência contraria as conclusões da reunião entre Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.

A companhia Cegada Grupo de Teatro, residente no Teatro-Estúdio Ildefonso Valério (um equipamento cultural público da autarquia de Vila Franca de Xira), solicitou esclarecimentos escritos após ter sido informada, pelo gabinete da Sra. Ministra da Cultura, que foi técnicamente discriminada da “Linha de Apoio de Emergência Covi19” por não ter ficado esclarecido que se trata de uma entidade que “desenvolve criação artística num equipamento cultural público”. Argumento grosseiro, de justificação insustentável, sem qualquer paralelo à realidade documentada – e bem conhecida da Sra. Ministra que demonstrou, nas reuniões presenciais com o Município de Vila Franca de Xira e a companhia Cegada, ter pormenorizado conhecimento das actividades de criação desenvolvidas.

O mesmo gabinete esclareceu ainda que não será do conhecimento público a lista de beneficiários desta linha de apoio, assim como não haverá qualquer possibilidade de recurso.

A assessoria da Sra. Ministra não conseguiu também garantir que, nenhuma das entidades beneficiárias desta linha de emergência, não se encontre agora a acumular financiamento com outros programas de apoio da Direcção Geral das Artes – algo incompatível com o previsto legalmente no aviso de abertura.

SOLICITAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS:
Perante a total desadequação à realidade, conhecida e documentada, dos esclarecimentos telefónicos supra citados, assim como a impossibilidade de os sustentar legalmente, a companhia de teatro solicitou esclarecimentos escritos junto da Sra. Ministra para que os possa partilhar com o público beneficiário e as vinte e sete entidades parcerias da actividade artística desenvolvida, esclarecendo as razões que levarão, não só ao encerramento definitivo deste equipamento cultural público, mas ao termino de toda a actividade desenvolvida.

Na próxima quinta-feira o TEIV – Teatro Estúdio Ildefonso Valério irá juntar-se às diversas vigílias que irão ocorrer por todo o país e permitir que o seu público participe num acontecimento da mesma natureza dos que estão já agendados em todo o território – de acordo com todas as regras de desconfinamento ao Covid19 da Direcção-Geral de Saúde.

ORÇAMENTO ANUAL 2019:
61, 4% – Governo de Portugal / Direcção-Geral das Artes (109.629,52 €)
20,2% – Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (36.050,00 € )
18,4 % – Donativos e receitas da companhia Cegada (32.925,02 €)

corte de 100% representa um apoio de zero euros no lugar dos habituais cem mil euros (109.629,52 €) de apoio anual à realização das actividades culturais, e  o cabal abandono do Governo de Portugal aos serviços públicos protocolados com mais de duas dezenas de instituições (27 entidades abaixo citadas) e público em geral que totaliza mais de nove mil pessoas (9.305) anualmente beneficiadas.
Não sendo este o desfecho esperado da reunião entre o Sr. Presidente da Câmara de Vila Franca de Xira e a Sra. Ministra da Cultura, o governo deixa agora este Município totalmente sozinho no apoio ao funcionamento de um equipamento cultural público que realiza um volume de actividade que a própria Ministra, Dra. Graça Fonseca, considerou presencialmente na reunião de dia 14 de Janeiro como: “…um caso de estudo a ser seguido.”

A companhia Cegada é uma Entidade de Utilidade Pública, que concretizou 84 acções artísticas públicas para 9.305 espectadores/utentes no passado ano de 2019, empregando um modelo de gestão dos mais eficientes do país, com uma relação de apoio do Governo Central de:11,78 € por espectador/utente.

A sua última criação artística, a peça Fonteira Fechada, do autor Alves Redol, figura maior da literatura neorealista em Portugal, contou com 17 postos de trabalho: 3 contratos de trabalho (direcção administrativa, artística e técnica); 11 trabalhadores independentes (actores e formadores, ) e 3 estagiários do curso profissional de artes cénicas da Escola Secundária Eça de Queirós dos Olivais“.

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