“Chego a ter colegas de vinte e poucos anos a pôr botox na cara e a maquilhar os abdominais”

Pedro Granger e Bárbara Bandeira manifestaram-se, hoje, contra a cultura da imagem imposta na TV e na imprensa.

 

Chego a ter colegas de vinte e poucos anos a pôr botox na cara e a maquilhar os abdominais antes de cenas em tronco nu. Chega de atrizes quase tão maquilhadas como no Dallas. Chega de impingir aos teenagers do nosso país uma falsa normalidade de corpo e de beleza“, partilhou na rede social Instagram.

Nunca a faixa de ataques de ansiedade, suicídios, burnouts, entre jovens esteve tão alta por razões relacionadas com a imagem exterior que os outros têm de nós“, acrescentou.

Já Bárbara Bandeira também publicou um texto no qual abordou este tema.

Tenho de admitir que não estava à espera de tocar neste assunto, nem nas minhas redes sociais, nem em televisão. Por uma simples razão: magoa. Magoou-me imenso ter de me ver estampada na capa de uma revista, como se o facto de eu ter engordado durante a quarentena fosse suficientemente mau para vender mais.

Falei com algumas pessoas antes de fazer este post, porque tento sempre resolver este tipo de problemas da forma mais racional possível, até porque, caso contrário, tudo se vira contra mim. Mas após a entrevista de ontem, recebi algumas notícias de revistas que insistem em insinuar nos seus títulos que eu estou muito ofendida ‘só’ porque disseram que eu estou mais ‘gordinha’.

Vamos tentar perceber, para além de as figuras públicas serem tratadas como desenhos animados, como se nada do que se fizesse ou dissesse neste tipo de revistas as magoasse, que tipo de exemplo estamos a dar? Para além da minha dor, eu penso na de outras raparigas, que podem ter engordado ou emagrecido mais do que gostariam e me veem nesta posição.

É isto que querem ensinar? Fotografar pessoas na praia e esticar as fotografias para que seja apelativo julgar a forma ou o tamanho do seu corpo? Quando é que isto vai parar? Gostava muito de falar ao coração de quem faz este tipo de artigos, porque eu sei que é importante fazerem o vosso trabalho, mas por favor, sejam mais humanos.

Até podem não se preocupar comigo, mas preocupem-se com quem vos lê. Provavelmente vão sair mais notícias com títulos extravagantes e distorcidos, mas pelo menos sei que quem os está a escrever leu exatamente o que eu lhe quis dizer. Espero que faças um bom trabalho“.

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Tenho que admitir que não estava à espera de tocar neste assunto, nem nas minhas redes sociais, nem em televisão. Por uma simples razão: magoa. Magoou-me imenso ter que me ver estampada na capa de uma revista, como se o facto de eu ter engordado durante a quarentena fosse suficientemente mau para vender mais. Falei com algumas pessoas antes de fazer este post porque tento sempre resolver este tipo de problemas da forma mais racional possível, até porque caso contrário, tudo se vira contra mim. Mas após a entrevista de ontem, recebi algumas notícias de revistas que insistem em insinuar nos seus títulos que eu estou muito ofendida “só” porque disseram que eu estou mais “gordinha”. Vamos tentar perceber, para além de as figuras públicas serem tratadas como desenhos animados, como se nada do que se fizesse ou dissesse neste tipo de revistas as magoasse, que tipo de exemplo estamos a dar? Para além da minha dor, eu penso na de outras raparigas, que podem ter engordado ou emagrecido mais do que gostariam e me veem nesta posição. É isto que querem ensinar? Fotografar pessoas na praia e esticar as fotografias para que seja apelativo julgar a forma ou o tamanho do seu corpo? Quando é que isto vai parar? Gostava muito de falar ao coração de quem faz este tipo de artigos, porque eu sei que é importante fazerem o vosso trabalho, mas por favor, sejam mais humanos. Até podem não se preocupar comigo, mas preocupem-se com quem vos lê. Provavelmente vão sair mais notícias com títulos extravagantes e distorcidos, mas pelo menos sei que quem os está a escrever leu exatamente o que eu lhe quis dizer. Espero que faças um bom trabalho 🦋

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