Custódia Gallego será Cremilde Perliquitetes em “Vidago Palace”

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Em “Vidago Palace” duas irmãs vão lutar pela moral e os bons costumes das personagens que circulam pelo hotel. Custódia Gallego e Maria Henrique são as actrizes escolhidas para darem vida às personagens de Cremilde e Gertudes Perliquitetes.

 

 

“Estas duas senhoras, as irmãs Perliquitetes, que é o cognome que a sociedade à volta lhes deu. Elas já chegaram a uma certa idade que se não casaram estão no limiar de não casar mais e como nessa sociedade as mulheres não tinham uma profissão, tinham que ter uma fortuna que as mantivesse sozinhas e mesmo nisso, mesmo com a fortuna, ficar sozinhas, solteiras, encalhadas…Estas mulheres pertencem a uma família que já teve dinheiro, poder económico, faziam parte da alta sociedade mas elas continuam a querer fazer parte mas já têm que pedinchar muito. Têm que pedinchar a companhia, têm que pedinchar para ficarem nas mesas melhores”, conta Custódia Gallego sobre a sua nova personagem. 

 

 

As irmãs Perliquitetes serão aquelas que vão saber de tudo sobre as personagens que poderão ser encontradas na trama que vai estrear no dia 30 de Março no horário nobre da RTP1.

 

 

“Somos duas mas estamos sempre em conjunto. Não há hipótese de não haver aqueles momentos em que a gente não tem contracena. Por vezes estamos sozinhos, temos que pensar sozinhos e é mais confortável assim e é muito mais criativo pois somos duas cabeças que estão a pensar, duas criativas que estão a recrear o mesmo personagem sendo dois. As cenas contam com nós as duas, sempre”, diz Custódia Gallego sobre o facto de contracenar sempre com Maria Henrique.

 

 

O trabalho em “Vidago Palace” surgiu depois da participação da actriz na telenovela “Coração de Ouro”, da SIC, onde fez o papel da amiga da protagonista Maria, interpretada por Rita Blanco. 

 

 

“Foi surgindo naturalmente. No corpo, temos corpos diferentes e energias. Vamos criando essas diferenças, é mais nessa energiazinha, nessa fisicalidade, do que na personalidade”, explica Custódia Gallego sobre a criação da personagem que ao lado da sua irmã funcionam quase como se fossem só uma.

 

 

“Elas são como o coro da tragédia e irão dando a incidência do que se diz um dos outros e a importância destes elementos desta sociedade faz parte da conversa delas e da defesa da moralidade delas, da defesa de comportamentos e é isso que elas, como concordam uma com a outra, que são polícias uma da outra. As cenas são construídas como como se elas fossem polícias uma da outra”, conta a actriz sobre a sua personagem que ao lado da irmã vão lutar pela moral e os bons costumes dos personagens que se podem encontrar no Vidago Palace. Cremilde e Gertudes Perliquitetes vão criticar tudo aquilo com que não concordam, mesmo que isso as prejudique.

 

 

A actriz trabalhou em cinema com Monique Rutler, Joaquim Leitão e António Ferreira, sendo “O Fascínio”, de Fonseca e Costa (2003) e “A Costa dos Murmúrios”, de Margarida Cardoso (2004).

 

 

Do elenco de “Vidago Palace” fazem parte: Mikaela Lupu, David Seijo, Anabela Teixeira, Marco António Del Carlo, Pedro Barroso, João Didelet, Susana Mendes, Beatriz Barosa, Margarida Marinho, Maria Henrique e Custódia Gallego. Para a actriz, um dos factores que a fez aceitar este projecto é o facto de ser uma série de época.

 

 

“Não há mesmo, mesmo que a gente não queira, personagens iguais a nós. A tendência é viver outras acções, viver outras emoções, viver outras maneiras de dar a mesma resposta a outras acções que eu fazia assim. A época é só mais uma variante do tempo”, explica a actriz sobre a sua profissão, onde pode viver outras emoções e representar outras pessoas, outras vidas.

 

 

Um dos principais atractivos desta produção histórica, para além do cenário natural do Vidago, o Vidago Palace Hotel foi inaugurado em 1936 e era propriedade do Conde de Caria, personagem interpretada por Almeno Gonçalves, e da história de amor de Mikaela Lupu (Carlota) e David Seijo (Pedro) e o guarda-roupa e caracterização. Nada é deixado ao acaso. As roupas e os penteados transportam o espectador directamente para os anos 30 do século passado.

 

 

“Não acho que demoremos muito tempo porque esse tempo é como eu às vezes costumo dizer no teatro quando a gente se muda nos bastidores, nós vamos ficando cada vez com mais tempo livre quando nos mudamos, a mesma coisa quando se executa as roupas, os cabelos e as maquilhagens ao longo destes dias todos. Fazer a mesma coisa todos os dias acaba por ser mais rápido. 20 minutos em cabelos e maquilhagem, não acho que sejamos daquelas mais demoradas”, explica Custódia Gallego sobre o tempo que a sua personagem e a de Maria Henrique se demoram a arranjar. Ao contrário das restantes mulheres do elenco, as irmãs Perliquitetes são mais antigas no guarda-roupa e maquilhagem, já que não têm dinheiro para comprar o que está na moda e são um pouco mais velhas.

 

 

As gravações da série decorreram até ao fim do mês de Novembro de 2016. Esta produção faz parte de um conjunto de séries que estão a ser preparadas para o horário nobre da estação pública, como é o caso de “Madre Paul”a ou a segunda temporada de “Ministério do Tempo”. “Vidago Palace” é uma coprodução entre a RTP e a TV Galega e já foi vendida mesmo antes de estrear para outros países europeus. Este foi o primeiro trabalho desenvolvido em conjunto pelas duas estações e que trouxe uma vasta equipa ao norte do país.

 

 

“Nós não contracenamos com os galegos. As personagens dos galegos são o que nós dizemos na gíria ‘núcleo pobre’. A gente não se cruzou muito. Cruzei-me com eles todos em conversas nos almoços, naquela primeira semana dos testes de imagem onde estive na produtora mais tempo e falámos uns com os outros”, conta a actriz que é Gallego de apelido mas alentejana de nascimento sobre o facto de poder contracenar com actores estrangeiros, com outra forma de trabalhar, e de como os actores portugueses os “acolheram”.

 

 

As diferentes áreas da dramaturgia apresentam diferentes tempos de trabalho para um actor. Custódia Gallego, tal como os restantes actores portugueses presentes no elenco conhecem bem o ritmo de gravações “alucinado” de uma telenovela. A actriz diz que é bastante diferente do de uma série de época.

 

 

“Uma das coisas que me fez ter muita vontade de fazer isto foi exactamente ser de época pois é outro universo, não é actual, e depois nestes trabalhos, como vocês sabem o tempo que nós levamos a trabalhar e a energia que nós temos que ter durante um dia de trabalho, neste caso, para mim é bom”, conta a actriz sobre como é fazer um trabalho de época, ao contrário das novelas que abordam o quotidiano, onde os tempos da dramaturgia são diferentes. 

 

 

“Eu gosto de fazer televisão. Gosto de fazer personagens boas”, diz Custódia Gallego. Esta série é diferente do que normalmente se vê na televisão portuguesa pois aborda uma época mais remota e esquecida da nossa história.

 

 

Esta série é o segundo trabalho de época que vai estrear no horário nobre da RTP1 durante o ano de 2017. As séries são cada vez mais uma aposta ganha de Daniel Deusdado e da restante direcção de programas da estação para concorrer contra as novelas da SIC e da TVI.

 

 

“Para nós não é muito diferente esses dois formatos, novela ou série. Quando nós iniciamos este trabalho já vamos com um preconceito, no bom sentido, que tenho aquele tempo para trabalhar”, explica Custódia Gallego que poderá ser vista a partir do dia 30 de Março na RTP1 em “Vidago Palace” no papel de Cremilde Perliquitetes.

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