A Organização Mundial da Saúde (OMS) promove a celebração anual do Dia Mundial Sem Tabaco a 31 de maio. A campanha de 2020, a que a Direcção-Geral da Saúde se associa, dá voz às crianças e adolescentes, enquanto alvo das tácticas agressivas de marketing e das campanhas publicitárias da indústria do tabaco.

Esta campanha é especialmente importante neste momento, já que estudos mostram que as pessoas que fumam apresentam uma maior susceptibilidade e um risco acrescido de complicações, quanto infectadas pelo novo coronavírus, SARS-CoV-2.

Todos os anos a indústria tabaqueira gasta 8 000 milhões de euros, a nível mundial, em marketing e publicidade, com o objectivo de captar novos consumidores, tendo os mais jovens e as mulheres como principal público-alvo. Desta forma, procura substituir os 8 milhões de consumidores que morrem a cada ano por doenças relacionadas com o tabaco.

Em Portugal morrem por ano mais de 12 000 pessoas por doenças associadas ao tabaco. Apesar de haver uma redução do consumo em Portugal dos produtos de tabaco convencionais, está a verificar-se um aumento do consumo dos cigarros electrónicos e tabaco aquecido.

A indústria tabaqueira tem procurado recrutar novos consumidores para substituir os que morrem ou deixam de fumar, apostando em campanhas de marketing e no lançamento de novos produtos com nicotina. São utilizadas diversas estratégias de manipulação das crianças e jovens:

• Uso de aromas de frutos e doces em produtos do tabaco e líquidos dos cigarros electrónicos, que levam os jovens a subestimar o risco e a iniciar o consumo.

• Criação de novos produtos com design elegante e atractivo, fáceis de transportar e com formatos tecnológicos atractivos e coloridos, como por exemplo canetas USB.

• Promoção de novos produtos como sendo de “baixo risco” ou “alternativas limpas”, mesmo sem estudos independentes que comprovem essas afirmações.

• Patrocínio de influencers e bloggers que usam o alcance mediático nas redes sociais para promoverem marcas, novos produtos de tabaco e outros produtos com nicotina.

• Colocação estratégica destes produtos nos pontos de venda, junto de doces ou refrigerantes, ou outros locais facilmente visíveis pelas crianças e jovens.

• Venda de cigarros perto das escolas, por vezes à unidade. promovendo a facilidade no acesso e comprometendo o regulamento de proibição da venda a menores de 18 anos.

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