Dias 21 e 22 de Setembro: “Open House representa muito daquilo que tentamos fazer na EGEAC”, diz Joana Gomes Cardoso

 

 

Decorreu esta manhã, 10 de Setembro, a apresentação da Open House Lisboa 2019, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa.

Nesta apresentação marcaram presença José Mateus, presidente da Trienal; Joana Gomes Cardoso, presidente da EGEAC; Patrícia Robalo, comissária OHL 2019 e Filipa Tomaz, responsável pelos programas de voluntariado, Júnior e de Acessibilidade.

Open House representa muito daquilo que tentamos fazer na EGEAC”

No final dos discursos de apresentação, o Infocul.pt entrevistou a presidente da EGEAC, Joana Gomes Cardoso, que começou por nos dizer que a “Open House representa muito daquilo que tentamos fazer na EGEAC, que é oferecer uma programação cultural de uma forma inclusiva e democrática, para que qualquer pessoa, seja qual for o grau de instrução ou mesmo sem grau de instrução, possa aceder e usufruir”.

O tema este ano da Open House é ‘Lisboa sem Centro’, de modo a desconstruir a ideia de uma Lisboa com um centro e levando o público a locais mais recônditos da cidade. Para Joana Cardoso, “a ideia é essa, nós temos a sorte de viver numa cidade extraordinariamente rica, mas grande parte desse património é desconhecido dos próprios lisboetas por várias razões e aquilo que nós tentamos fazer ao longo do ano, com muita programação, designadamente esses concertos no Vale do Silêncio, nos Olivais, mas muito também através da Open House, é essa descoberta da cidade e neste caso através de uma ideia trazida pela comissária que é a ideia de Lisboa não ter centro, como seria Lisboa se nós desconstruíssemos esta ideia de que há um centro histórico, que há outro centro, portanto uma ideia de Lisboa sem qualquer tipo de centro ou periferia e lá está, voltamos à tal ideia de espírito democrático e inclusivo da cidade que é aquilo que nós queremos incutir”.

Orçamento do Lisboa na Rua: “Situa-se um pouco acima dos 300 mil euros

Durante a apresentação, a presidente da EGEAC falou sobre a ‘resistência’ que sentiu ao início para descentralizar as actividades na cidade. Em entrevista ao Infocul explicou que “isso aconteceu no início, porque. que como tudo. o que custa é experimentar a primeira vez, porque a partir do momento em que se experimenta e corre bem a partir daí é fácil e hoje em dia já não existe essa ideia, já não existe esse medo ou esse estigma, existiu no início alguma resistência e algum silêncio, até porque já tinha existido lá experiências que não tinham corrido bem, hoje em dia pelo contrário sentimos grande receptividade não só pelas equipas como pelo público, ou seja, hoje em dia nós podemos fazer uma experiência num sítio da cidade que seria considerado remoto ou desconhecido e pelo contrário sentimos que tornou-se um factor de atractividade, ou seja, as pessoas parecem estar muito receptivas a fazer essa deslocação para outras zonas da cidade e descobrir outras zonas da cidade”.

A 8ª edição do Open House insere-se na programação multicultural do Lisboa na Rua. Questionada sobre o orçamento do Lisboa na Rua, a presidente da EGEAC começou por explicar que “Lisboa na Rua, tal como as Festas de Lisboa, é um programa autos-suficiente no sentido em que a EGEAC tem patrocinadores que patrocinam e que permitem que toda esta programação seja gratuita e neste momento o orçamento para um mês inteiro de programação muito variada, de teatro, cinema, música, etc, situa-se um pouco acima dos 300 mil euros”.

O objectivo é dar a conhecer a descobrir a cidade de uma forma inclusiva e aberta. No Lisboa na Rua a experiência até agora, e estamos a sensivelmente um pouco abaixo da metade, é novamente de grande receptividade. No Jardim Zoológico, onde estamos a fazer pela primeira vez sessões de cinema para crianças e para famílias, temos tido cerca de 500 pessoas em cada sessão. Quinta-feira vamos abrir o festival Lisboa Soa, não é um festival de massas, é um festival mais pequeno, mas que atrai muitas pessoas por estar integrado no Lisboa na Rua. Estamos muito satisfeitos e de novo a notar esta receptividade dos lisboetas talvez porque é um momento em que as pessoas estão a regressar à sua rotina e sabes-lhe bem ter algo, um programa cultural para poderem retomar funções”, acrescentou.

A 8ª edição do Open House Lisboa está marcada para o fim-de-semana de 21 e 22 de Setembro, integrando a rede internacional Open House Worldwide que liga já 45 cidades no mundo inteiro.

São oportunidades primeiras de ver espaços que nunca tiveram acessíveis desta forma”

Ao Infocul, a comissária Patrícia Robalo começou por explicar que “todos os anos com o fim da edição da Open House dá-se início a um processo de selecção dos novos comissariados e eu fui seleccionada num concurso por convite e a minha proposta de ‘Lisboa sem centro’ ganhou e isto foi há cerca de um ano e a partir daí começa-se todo um processo de construção de um roteiro, de trabalho de uma linha curatorial que nos leva a esta apresentação pública e ao fim-de-semana de 21 e 22”.

Sobre a sua ideia, diz que “a ideia central é mudar as concepções que temos sobre Lisboa, ou seja, Lisboa é composta de uma enorme diversidade de paisagens, lugares de habitação, lugares de trabalho, uma enorme interdependência até para fora de Lisboa e portanto é muito limitativo e cria muita confusão ao falarmos destas questões, continuarmos a ter de Lisboa uma visão rígida sobre o que é que é Lisboa, ou seja, produzida à imagem que temos de Lisboa representativa patrimonial do centro”.

Sobre esta edição disse que “este ano temos menos espaços, são 50 espaços, todos eles foram da chamada 1ª circular de Lisboa, temos 25 espaços que nunca entraram na Open House, portanto são oportunidades primeiras de ver espaços que nunca tiveram acessíveis desta forma”.

Sobre as visitas, disse que “é variável, este é um evento extremamente dependente da generosidade das instituições e dos proprietários de cada espaço e portanto nos trabalhamos directamente com cada espaço, para podermos perceber qual é o horário mais extensivo que conseguimos, há espaços que estão abertos o fim-de-semana todo, ou seja os dois dias, há espaços que têm visitas muito particulares só num dia ou noutro e as pessoas convém consultarem os elementos online e os elementos impressos para poderem ter a certeza dos horários de visitas, há visitas guiadas, visitas livres e visitas por especialistas”.

Convidou ainda o público, destacando que “esta edição é especialmente inclusiva, é uma edição que tem 25 espaços que nunca foram abertos no Open House, é uma edição que está a falar sobre o tema da transformação de Lisboa e portanto é uma edição que convida todos a virem, inclusive as pessoas mais jovens, as pessoas mais idosas, com limitações físicas, nós trabalhamos em programas júnior, plus e acessibilidade para que todos sejam bem-vindos”

Toda a programação e roteiro podem ser consultados aqui.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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