Eduardo Luciano: “Existe total abertura para que haja um patrocinador no Artes à Rua ou até vários.”

Prestes a chegar ao final do ano de 2019, fomos a Évora conversar com o vereador do pelouro da cultura da Câmara Municipal, Eduardo Luciano.

Do Artes À Rua aos restantes ciclos de programação, da tauromaquia à candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura, e passando pelos equipamentos culturais da cidade, nada ficou por responder.

Destacar ainda a valorização que fez dos criadores locais e o anúncio da banda que actuará na noite de passagem de ano na Praça de Giraldo.

“Criaram-se aqui novas sinergias, novas parcerias”

Já é possível fazer um balanço da actividade cultural em Évora, durante 2019?

Sim, já é possível fazer um balanço. Um balanço prévio mas é possível. Este ano tivemos uma actividade extraordinariamente intensa, com ciclos de programação que se colaram uns aos outros, durante todo o ano. Isso é algo que temos vindo a aprofundar. Não fixar durante um período do ano, a actividade cultural promovida pela câmara municipal, mas sim espalhar ao longo do ano. Foi assim com os ciclos que fizemos acontecer no teatro, foi assim com ciclos que aconteceram no verão, foi assim com o Artes à Rua, foi assim com a chamada aos criadores locais para a apresentação de novas criações. Estamos a chegar ao final do ano cumprindo tudo aquilo que tínhamos visto e proposto, quando apresentámos a programação do Teatro Garcia de Resende, a cumprir aquilo que prometemos quando apresentámos a programação da arte de rua, que aconteceu maioritariamente no verão. Portanto é um balanço extraordinariamente positivo. Criaram-se aqui novas sinergias, novas parcerias que resultaram deste trabalho conjunto com o Festival de Músicas do Mundo de Sines, com a Fundação INATEL, com um conjunto de festivais internacionais… Nós estamos a ser convidados para participar em feiras e mercados de festivais por esse mundo fora, desde a Islândia a Moçambique. Isso significa que aquilo que foi a programação cultural de Évora, mais do que se cingir às muralhas, projectou-se para fora e esse era um dos grandes objectivos.

Conseguiu, em conjunto com a sua equipa de programação, colocar várias equipas e entidades a trabalhar em conjunto. Por norma isso é complicado em Portugal. Como o conseguiu e qual o maior desafio?

Quando começamos a mexer nestes projectos e a chamar pessoas de áreas diferentes para projectos comuns temos sempre essa dificuldade. Faz parte, da idiossincrasia dos artistas, que cada um defenda a sua forma de estar, os seus projectos pessoais. Tudo isso existe e ainda bem que existe porque é daí que sai a criação. Pôr esta gente a trabalhar em conjunto é difícil mas consegue-se. Consegue-se com muita paciência, com disponibilidade para acompanhar os projectos, e dou aqui dois ou três exemplos de projectos que aconteceram aqui, este ano, resultado desse cruzamento. O projecto Omiri com ‘Alentejo Vol.1 Évora’ que jutou um conjunto de criadores e agentes locais, através do projecto Omiri, que resultou no espectáculo de abertura do Artes à Rua que foi absolutamente fantástico. Poderíamos com o mesmo dinheiro desse espectáculo contratar uma banda que viria cá fazer o espectáculo, mas não teríamos todos os meses de trabalho e preparação que envolveram toda a gente. Tivemos mais trabalho, custou mais dinheiro, mas o resultado é outro. Temos o projecto ‘Mar-Planicie’ com o músico Carlos Martins, o escritor José Luís Peixoto e o fotógrafo José Manuel Rodrigues, que são três grandes figuras da cultura portuguesa e que se juntaram para construir um espectáculo que cruza, o jazz com o cante e outras influências sonoras, com a poesia de José Luís Peixoto e com a fotografia de José Manuel Rodrigues. Como se deve imaginar, estamos a falar de três grandes nomes da cultura portuguesa, cada um com a sua forma de estar, com os seus objectivos e com as suas visões da realidade. E ainda assim, foi possível criar um espectáculo único, que aconteceu durante o Artes à Rua. Como lhe disse, é difícil. É mais fácil pagar a um agente que contrata uma banda para cá vir tocar. É mais fácil criarmos ilhas, mas não há futuro para as ilhas, estão esgotadas. Mesmo na criação! E não é isso que queremos para o território. Queremos que seja um território de cruzamentos, de criação, e a partir da criação nasce a partilha.

O balanço do Artes à Rua é positivo?

É um balanço muito, muito positivo. Temos de separar isto tudo. O Artes à Rua é programado pela câmara municipal, te curadoria da câmara municipal com a equipa de programação. Depois, debaixo desse chapéu,Artes à Rua, temos outras coisas e essas outras coisas não são o Artes à Rua. Estão debaixo desse chapéu. Temos por exemplo o cruzamento com o Festival de Música do Mundo de Sines, com a Fundação INATEL, com a Casa da Música, e temos um que para nós é o mais importante: a chamada aos criadores locais para apresentarem novas criações. E esse é, de facto, para nós o mais importante porque por muito interessantes que sejam os outros projectos, eles acontecem e vão, estes são criadores que ficam no território, a trabalhar no território, na cidade, no concelho, no Alentejo. E esse é para nós o aspecto que mais toca e que se cola mais com a ambição da Capital Europeia da Cultura, que é transformar numa cidade de criadores. Portanto, estes aspectos juntos, debaixo de um chapéu a que vamos chamar Artes à Rua (mas o Artes à Rua é apenas uma pequena parte de tudo isto), esse projecto teve um sucesso imenso ao nível de público, de divulgação, ao nível da presença nos meios de comunicação nacionais. O que melhorou relativamente aos outros anos? Para já, foi uma aposta na comunicação, nós apostámos mais este ano na comunicação, demos a comunicação a quem sabe e foi conseguido. Poderia ter sido melhor, e melhoraremos esse aspecto, porque começamos sempre tarde. Por mais cedo que comecemos, é sempre tarde. Temos sempre essa ideia relativamente à comunicação, ‘deveríamos ter começado a comunicar mais cedo…’, mas a posta na comunicação este ano foi mais forte e logo os resultados em termos de visibilidade nacional foram outros. Não foram excepcionais, não foram os melhores do mundo, mas houve um salto qualitativo e quantitativo dos anos anteriores para este.

Há espectáculos no Artes à Rua que realizando-se, também, em espaços mais pequenos, levam menos gente. Como reage aos críticos que dizem que gastar dinheiro em espectáculos com apenas 20/30 pessoas a assistir,é mal gasto?

Reajo mal, reajo mal (risos). Um dos objectivos daquilo que é a programação cultural do município, é do município e do dinheiro público que estamos a falar, é investir na educação e criação de públicos. E a educação e criação de públicos faz-se mostrando aquilo que as pessoas não vêm na televisão, nos grandes concertos e que desconhecem até que existe. É assim que se cria público. Esse é que é o serviço público a que estamos obrigados. O nosso serviço público não é dar, desculpe a expressão, ao povo aquilo que o povo gosta. Porque isso consegue-se através dos canais comerciais, normais, tranquilamente. O verdadeiro serviço público da cultura é, para além de criar condições para que os criadorespossa criar, educar públicos. Mostrar ao público que existem coisas diferentes, para além daquilo que leva 50 mil pessoas a bater palmas ao mesmo tempo, para aquilo que leva 10 mil pessoas a cantar em coro. Há outras realidades culturais, de desafio, que nos levam a questionar porque estamos aqui com os dois pés na terra,e não estamos noutro sítio qualquer, e o que andamos cá a fazer. Isso passa por pequenos concertos, pequenas intervenções artísticas, pequenos desafios. Quando alguém passa por uma intervenção em espaço público e pára para dizer mal, essa intervenção em espaço público já cumpriu parte do seu papel que é levar alguém a parar e questionar-se. Quando trazemos música do Quirguistão para tocar na Igreja de São Vicente, que leva 100 pessoas e está cheia, essas 100 pessoas tiveram a oportunidade única, sem gastar um chavo, de poder assistir a uma cultura completamente diferente e que também é cultura. Isto quebra fronteiras, faz-nos sair do nosso bem-estar que estamos habituados a ver e ouvir para nos questionarmos.

Por norma, inicialmente, reagimos sempre mal ao que é diferente. Acredito que já tenha feito um balanço do Artes à Rua. Mudaria algo na programação?

Depois do evento, fizemos uma reunião, na Igreja de São Vicente, com quem quis aparecer. Uma reunião aberta. E nessa reunião conversámos abertamente sobre o que correu bem e o que correu mal. Não fizemos a reunião para baterem palmas, para dizer que estava tudo muito bem, para repetir tudo…o objectivo foi perceber o que estava bem e o que estava mal e o que poderíamos melhorar. Há coisas que ficam sempre em cima da mesa. A localização do palco principal é uma delas. Será que faz sentido que seja na Praça de Giraldo ou devemos procurar outro local na cidade? Retirando o incómodo do palco na Praça de Giraldo e colocando-o noutro sítio e até com outras condições técnicas. Esta foi uma questão que se colocou. Outra questão foi o facto de este ano termos concentrado muito no centro histórico e irmos menos para os bairros e para as freguesias rurais. É uma crítica que aceitamos e julgamos justa. Não fizemos propositadamente, fizemos por necessidades de produção. Produzir 157 espectáculos em 2 meses e meio com uma equipa de produção muito pequena, fez com que nos levássemos a concentrar no território. Isto é algo que temos de mudar. O próximo ano temos de levar o Artes à Rua, e aquilo que são as componentes do Artes à Rua, para fora do centro histórico de Évora. Para os bairros e para as freguesias rurais. Outra coisa que me parece ter de ter uma avaliação crítica da nossa parte é a intensidade. É bom termos 6 coisas a acontecer ao mesmo tempo na cidade, no mesmo dia e hora, mas pontualmente. Mas se calhar não é bom que isso aconteça tantas vezes porque…

Retira público?

O público é o que é e o que temos, nesta cidade e concelho. Se há dias em que a cidade se enche de gente, porque coincide num fim-de-semana de várias coisas, e é óptimo, também há dias em que a cidade não enche e há pessoas que querem ver aqueles espectáculos e não podem porque ou veem um ou veem outro. Têm de escolher. Portanto, se calhar, a intensidade do Artes à Rua tem de diminuir. Outra questão que se coloca é a duração do Artes à Rua. São muitos dias e muitas horas. Ou diminuímos a intensidade e a duração ou se queremos manter a mesma intensidade, temos de concentrar em menos dias. É muito bom, as pessoas gostam muito, mas o esforço da equipa de produção e até os custos associados, o balanço que fazemos é que temos de afinar esse aspecto. Afinar a intensidade e duração do Artes à Rua. Outra questão que é preciso analisar é o envolvimento da economia local e regional no não-festival, e que para nós é insuficiente. O Artes à Rua, de facto, cria economia e estou a falar de alojamento, restauração e isso é economia directa. E é preciso que esses agentes económicos se envolvam mais naquilo que é o Artes à Rua: patrocinando, apoiando, cedendo, enfim…

Porque é que acha que isso não acontece?

O Artes à Rua acontece no período do verão e,nesse período, os agentes económicos, principalmente afectos ao sector do turismo, dizem, muitas vezes, ‘nós não precisamos disto no verão, precisamos disto no inverno’, ‘se não vendermos os quartos a quem vem ver isto, vendemos a outros’. E esta menos compreensão do fenómeno leva a uma menor participação. Trabalhamos muito isso, reunimos com os agentes económicos, mostramos, em números, o que o Artes à Rua carregou para a restauração e hotelaria, conversámos sobre isso e é algo a que daremos continuidade. Estamos num território de interior e é mais fácil qualquer banco, seguradora ou marca de cervejas investir um milhão de euros num festival de três dias em Lisboa, do que investir 100 mil euros numa coisa que dura dois meses e meio aqui…

Existe total abertura para que haja um patrocinador no Artes à Rua ou até vários.”

Peço desculpa interromper… Mas tem existido dificuldade para encontrar um patrocinador para o Artes à Rua? Existe abertura para que o Artes à Rua tenha um patrocinador?

Existe total abertura para que haja um patrocinador no Artes à Rua ou até vários. Duas questões aqui se cruzam. Nós não queremos atirar os ónus todos para fora, não há uma grande apetência para este tipo de festivais que não tem entradas pagas e se não tem entradas pagas eu não consigo controlar o número de espectadores. Há essa dificuldade e há outra que é, nós câmara municipal não estamos vocacionados para a busca desses financiamentos. Fazemos mal esse trabalho, não estamos vocacionados. E portanto ficamos um bocadinho à espera que nos venham bater à porta e dizer ‘Eu quero apoiar. Precisam de apoio?’. E isto tem de mudar! Eu sei que o que brilha aos olhos de uma equipa de programação é ‘quem é que eu vou trazer’ ou ‘como é que eu cruzo quem vem’ ou a linha estética. O que não brilha aos olhos da equipa de programação é ‘quem é que eu vou bater à porta para pagar isto’. Isso é desinteressante para os programadores. E nós vamos ter de ter na equipa de programação gente que busque esse tipo de patrocínios e ache interessante esse trabalho. Senão depois torna-se insustentável e portanto vamos ter de ter na equipa de programação, gente para isso.

Artes À Rua: 157 espectáculos e um orçamento de 500 mil euros, aproximadamente…

Que foi ultrapassado. Nós separamos o orçamento do Artes à Rua dos outros eventos.

Qual o valor que o Artes à Rua trouxe para o território?

Não temos essa medida e isso é outra coisa que vamos ter de melhorar. A Câmara Municipal não tem estrutura humana para isso, no próximo ano vamos ter de contratar externos para fazer esse estudo. Um estudo de impacto de públicos e o impacto na economia. Temos percepção de que o impacto é enorme mas não temos um número. Temos aqui uma avaliação que além de subjectiva, perfeitamente qualitativa da coisa, mas não temos um número para dizer. E isso é também algo que temos de alterar. Porque se queremos atrair patrocinadores, mecenas se quiser chamar assim, temos de saber dizer o Artes à Rua vale isto. E nós neste momento apenas podemos dizer que o Artes à Rua é óptimo, vale muito, mas não sabemos quanto vale. Podemos inventar um número mas não seria honesto fazê-lo.

Há possibilidade de alterar o período em que se realiza o Artes à Rua ou continuará a ser no verão?

Tem de ser no verão. Repare, ele acontece quando as pessoas estão predisponiveis para sair à rua à noite, todos os outros períodos são maus para sair à rua…

Mesmo tendo uma grande competição de outros festivais de grandes dimensões?

É diferente. Quem vem para o Artes à Rua não vem à procura do grande nome.

Embora aqui também os encontre…

Sim claro. Tivemos Madeleine Peiroux, Chico César, Dorantes…sem que as pessoas paguem algo para os ver. Lembro que há festivais em que as pessoas pagam 70/80 euros para os três dias de festival e muitas vezes vão lá apenas 1 dia para ver 1 banda. Portanto estamos a falar de coisas diferentes, não há competição possível, e como é muito alargado no tempo permite que as pessoas lá fiquem e vejam outras coisas. Essa é a nossa marca e portanto tem de acontecer neste período. Pode acontecer entre 15 de Julho e meados de Setembro, como está agora. Pode acontecer acabar em finais de Agosto. Será por aí…

O mês de Junho está fora de questão?

Está! Está por várias razões. Porque temos a Feira de São João e temos todos os recursos disponíveis alocados à Feira de São João. A Feira de São João é um consumidor de recursos humanos e portanto a partir do início de Maio até ao desmontar da feira, tudo o que é recurso está ali na Feira de São João. Antes disso temos outras iniciativas da cidade com os agentes culturais de quem ainda não falámos. Temos a Queima das Fitas, o Évora Wine…um conjunto de iniciativas que vão ocupar espaço, e bem. Porque a câmara não tem de programar tudo! Entendemos que o Artes à Rua está bem naquele período. Em anos de Bienal de Marionetas não coincide porque a Bienal é no principio de Junho, portanto julgamos que é o período ideal para que existam estas intervenções de rua muito diversas.

Para encerrar este capitulo do Artes à Rua: Cortando a durabilidade ou na intensidade, irá baixar o orçamento?

Não.

Portanto continuará a rondar os 500 mil euros?

Não vou falar em números do orçamento. O orçamento foi ultrapassado, não fugimos a isso. Estamos agora a finalizar o relatório do Artes à Rua, mas o orçamento foi ultrapassado mas aquilo em que pensamos é fazer mais e melhor mas com o mesmo. Esse é o objectivo. Sabemos que isso é muito difícil, por isso ano a ano iremos analisar o que é possível. Claro que se tivermos apoios ou financiamentos externos as coisas mudarão de figura.

Falou da Feira de São João. Não resisto em perguntar se é uma programação mais fácil, tendo em conta que o cartaz é muito mais mainstream…

Sim é mais fácil, porque temos um cardápio de artistas para vir e é escolher. Colocar nos dias de mais gente na rua, aquilo que é mais popular ou está mais na moda. A Feira de São João não tem como objectivo principal a educação de públicos. Embora já tenhamos feito coisas arriscadas a Feira de São João. Porque achamos que mesmo na Feira de São João é possível ir metendo coisas menos mainstream. No ano passado apostámos de forma diferente, lembro que no concerto da Ana Moura não havia espaço para a cabeça de um alfinete à frente do palco. O palco também mudou de sítio por causa das obras e portanto aquele palco naquele sítio também me parece ter sido uma aposta ganha, contrariamente às expectativas de muita gente e incluindo as minhas. Portanto, a programação da Feira de São João é uma coisa completamente diferente. O ambiente da feira é o ambiente da feira. Entre uma voltinha no carrossel, uma fartura e um concerto não há grande espaço para outro tipo de programação.

Sem os agentes culturais, a oferta cultural na cidade é seguramente muito mais pobre”

Há ideia de quantos agentes culturais existem neste momento em Évora, tendo em conta toda a criatividade que aqui acontece ao longo do ano? 

São muitas dezenas. Muitas dezenas de pequenos e grandes agentes culturais. São de geometria variável. Os mesmos criadores partilham vários espaços e partilham vários agentes culturais, mas são muitas dezenas. Eu queria aqui realçar isto: apesar de a Câmara Municipal ter esta programação intensíssima, como aconteceu em 2019, é a rede de programação dos agentes culturais que garante que nada disto cai, nada disto é efémero. Foram os agentes culturais que, quando a Câmara Municipal se demitiu do seu papel de apoiar a cultura, que garantiram que a cultura em Évora se mantivesse viva e que Évora continuasse a ser uma cidade de cultura. Portanto, continuam a ser os agentes culturais que, aconteça o que acontecer, vão continuar a sua tarefa e o seu papel de resistência para conseguir garantir que esta rede, que garante que Évora é uma cidade de cultura, se mantenha, portanto o papel dos agentes culturais é absolutamente essencial. Nós nesta programação muito intensa no ano de 2019 fomos algumas vezes questionados se não estaríamos nós (Câmara Municipal) com esta ânsia de pôr a cultura no topo daquilo que é a âncora de desenvolvimento do concelho, não seriamos nós a substituir os agentes culturais, e de alguma forma a roubar espaço aos agentes culturais. Naturalmente, que quando a Câmara programa, os agentes culturais sentem-se em competição com algo que é mais poderoso, em termos de máquina de programação, mas também é verdade que essa complementaridade daquilo que é a oferta dos agentes culturais, daquilo que é oferta pública, oferta do município é absolutamente essencial. Nós percebemos essas críticas, ouvi-mo-las, vamos avaliar e vamos perceber se é possível, porque há de ser possível,  com certeza, criar e encontrar uma forma de que a programação da Câmara Municipal não afaste a programação dos agentes culturais, antes sejam uma complementar da outra e convivam claramente para que todos os dias haja oferta cultural na cidade. Quero sublinhar isto: sem os agentes culturais locais, sem o seu esforço isso não é possível. Por muito que a Câmara Municipal programe, por muito que a Câmara Municipal crie ciclos e ciclos de programação, são absolutamente essenciais; sem os agentes culturais, a oferta cultural na cidade é seguramente muito mais pobre, e esse aspecto é intocável.

Serão sempre eles a base da cultura em Évora?

Em Évora ou em qualquer outro sítio. Sem os agentes culturais locais, sem aqueles que quando a festa acaba, quando se arrumam as cadeiras, quando no dia seguinte estão cá para trabalhar, sem esses não há cultura. Há depois coisas importadas, enfim, há tudo, mas sem esses não há cultura local, não existe criação local. Se queremos ser uma cidade de criadores, uma cidade que exporte criação, como acontece com alguns projectos que já saíram, se queremos isso temos que ter agentes culturais e é por isso que , num orçamento daquilo que é o grande chapéu do “Artes à Rua”, nós temos uma fatia muito importante para aquilo que são as novas criações. Não é um apoio para todos os agentes, mas para os criadores que vêm naturalmente através dos agentes locais. E essa fatia, que é significativa, queremos manter e alargar num contexto da programação rural. E portanto, esse é um papel absolutamente decisivo, que é proporcionar aos novos criadores , e aos criadores de coisas novas a oportunidade de mostrar os seus projectos acabadinhos de fazer, e mostrar-lhes que é possível criar neste território, e que é possível dar um passo para mostrar também fora do concelho e fora do Alentejo.

A cultura tem trazido pessoas para viver em Évora”.

A cultura tem trazido pessoas para viver em Évora?

A cultura tem trazido pessoas para viver em Évora. Não tantas como nós desejaríamos, mas têm trazido pessoas. Esta visibilidade nacional e até internacional daquilo que vai acontecendo no panorama cultural em Évora, obviamente que trás mais gente da cultura para viver em Évora. Quanto às pessoas que vêm viver em Évora por outras razões, por actividades económicas que estão aqui a acontecer em Évora e que são muitas. Obviamente que escolhe Évora pela sua actividade e oferta cultural, queremos acreditar que esse é um factor diferenciador, não é a mesma coisa viver numa cidade que tem estes ciclos todos de programação e que tem estes agentes culturais todos a trabalhar e viver numa cidade que tem a programação da sua feira anual e nada mais.

Pode-se dizer que também está em vantagem por estar a uma hora e meia de Lisboa de transportes…

Tem essa vantagem e essa desvantagem. Temos de transformar essa proximidade ainda mais em vantagem, porque se é uma vantagem também é uma desvantagem.

Porque vão pessoas daqui para lá?

Exactamente. E também há público que vem, portanto é uma vantagem e uma desvantagem. Obviamente que estar a uma hora e meia de Lisboa, a uma hora de Badajoz, portanto da estremadura espanhola são vantagens. É por estar numa localização geográfica em termos  competitivos com outras regiões; já que estamos mesmo no centro da confluência, de boas vias de comunicação: como as autoestradas, os transportes públicos ainda não são em particular, os transportes ferroviários que podiam ter outra frequência, isso seria óptimo. Mas de facto é uma localização privilegiada e por isso temos cada vez mais, por exemplo, gente da Estremadura Espanhola a vir, a ficar e a estar e cada vez temos mais projectos cruzados, até com o governo da Estremadura e com a Universidade de Badajoz, a Câmara de Badajoz, e há aqui um conjunto de parcerias que se vão afirmando e a localização é decisiva para isso. 

 

Neste momento, existe a candidatura a Capital Europeia da Cultura em 2020. Em que ponto é que está essa candidatura?

Neste momento, estamos na fase de avançar aquilo que é participação pública, estamos construir um documento aberto, que virá a ser a base a discussão. Neste momento temos contratado o Sr. Fleming , que está neste momento a fazer consultas, entrevistas a Presidentes da Câmara aqui à volta , a outras individualidades. Como sabe a candidatura é Évora-Alentejo, portanto queremos toda a gente envolvida. O passo seguinte, a seguir a próxima reunião da Comissão Executiva, é o lançamento da discussão pública, a criação da equipa técnica especifica, que irá sair daqui do edifício da Câmara, e irá ter instalações próprias que em principio serão na Torre do Salvador, portanto o autonomizar da candidatura da Câmara Municipal, e depois a discussão do modelo de governação. É uma discussão muito interessante que tem a haver com o tipo de estrutura que criamos para a candidatura, sabendo que todas aquelas que vimos até hoje assentam ou numa fundação de direito privado, ou uma fundação de direito público, de todas aquelas que estão disponíveis a nível jurídico, qual é aquela que melhor se adequa ao contexto de Évora e ao contexto destes parceiros de candidatura. Dentro desses há entidades públicas na sua  maioria e há entidades privadas, e as entidades públicas têm níveis de autonomia relativamente às diversas tutelas muito diferentes. Temos que encontrar aqui uma estrutura que sirva a todos e que seja ágil, porque não se comparece com aquilo que é a lentidão democrática dos processos administrativos normais na Administração Publica, portanto tem que se encontrar essa solução e em cima da mesa estão várias propostas e que sairá na próxima reunião da Comissão Executiva que está marcada para breve.

 

“(…) Esta coisa da Capital Europeia da Cultura não é um ano de programação, mas trata-se da construção de cidades (…)”

Penso que também Guarda se irá candidatar a capital da cultura de 2027, não seria importante , a nível nacional, que houvesse apenas uma única candidatura?

Esse modelo de candidatura já não existe. O modelo que existe agora é um modelo de competição interna, e depois de fazer uma pequena lista de candidatos é apresentada a candidatura na União Europeia, o que levou a nove cidades a apresentar candidaturas: Guarda, Leiria, Aveiro, Braga, Coimbra, Faro, Ponta Delgada e Oeiras, mas não nos preocupamos muito com a concorrência. Eu acho que se estas nove cidades trabalharem as suas candidaturas é óptimo, porque teremos nove cidades melhores em 2027 independentemente de haver só 1, que espero eu que seja Évora, que fica com o pin na lapela do casaco. É um desafio que pode levar a que mais cidades melhorem o seu envolvimento na cultura. E quer dizer que esta coisa da Capital Europeia da Cultura não é um ano de programação, mas trata-se da construção de cidades que envolve tudo: urbanismo, limpeza, habitação, cultura. E a definição de estratégia que aqui iremos candidatar é para além de 2027, e pelo menos até 2030, por isso é que as cidades que estão a trabalhar nas candidaturas estão claramente apostadas na definição da sua estratégia ate 2030, até para coincidir com o próximo quadro comunitário. E essa é que é uma visão que temos que ter, aqueles que pensam “Quem apresentar a melhor programação cultural para aquele ano é quem ganha”, esqueçam isso, porque não é disso que se trata. Trata-se muito mais do que isso. Trata-se de usar a cultura como o motor de desenvolvimento, mas toca todos os aspectos essenciais da cidade, e portanto estamos a falar de criação de cidade.

Mas isso também não se deve ao facto das pessoas actualmente uma ideia errada de cultura? As pessoas olham para a cultura, como por exemplo, apenas um concerto, peça de teatro, cinema, quando cultura é muito mais abrangente.

Tem a haver com isso. As pessoas acham que a cultura se resume à criação de uns quantos que fazem coisas menos compreensivas para uns, mais compreensivas para outros, ou que a cultura é o grande espectáculo numa praça de touros ou uma praça pública, sendo que é muito mais do que isso. E tem de contaminar toda a sociedade, e tem que ser aquilo que nos diferencia dos outros animais, não é? 

E convém criar discussão?

E convém criar discussão. Quando falamos em gestão humanística , e quando falamos em intervenção em espaço publico, estamos a falar de cultura. Não é indiferente apostar num determinado tipo de planeamento urbanístico, quando falamos da revisão do Plano da Urbanização de Évora, não estamos a falar apenas de construção, mas também a falar de cultura em termos de cidade. A cultura tem de contaminar tudo e tem que se contaminada por tudo

 

A cultura pode ser quase comparada com identidade .

A identidade é um dos aspectos essenciais da cultura, sendo que aqui não falamos de identidade como factor de exclusão, mas como identidade em forma de estar, como forma de viver a cidade, e isso é também a base da cultura .

Falando dos equipamentos da cidade, começando com o Teatro Garcia de Resende, que foi agora assinado o contrato de empreitada, eram obras que eram mais do que necessárias para o edifício histórico e único a nível nacional. Presumo que esteja muito satisfeito.

Estou muito satisfeito com o teatro, com o salão central, e com o parque de estacionamento. Mas estou satisfeito porque esta intervenção não era a intervenção que nós queríamos, pois não existia dinheiro disponível, mas foi uma intervenção de 1.300.000€, que vai criar no teatro outras condições de segurança. Muito gostaríamos nós de tratar de outros problemas, mas não é possível para já, mas é uma obra que vai garantir as questões de segurança do teatro. Nós temos estado a utilizar o teatro em condições precárias em termos de segurança, e era preciso do tal para que o teatro, à semelhança dos outros,  tivesse uma licença de utilização normal para poder ser utilizado. Portanto esta intervenção, que se pretende que não se note que ocorreu, era absolutamente essencial à semelhança do que foi a intervenção´ao Palácio de D. Manuel e que está agora a terminar, que vai acontecer no Teatro e no Salão Central que vai devolver à cidade um equipamento cultural. Estes conjuntos de intervenções, que estão implementados no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano são absolutamente essenciais. Gostaríamos que tivessem acontecido mais cedo, mas os Processos Burocráticos de Avaliação de Contratação Pública são terríveis, e neste momento ainda estamos à espera do visto do Tribunal de Contas para avançar com as duas obras (a do Salão Central e a do Teatro). Prevemos que tudo fique resolvido até ao final do ano do Salão Central e que no primeiro mês de 2020 tenhamos o visto também do Teatro, e isso também é essencial à criação desta rede de equipamentos  que também é importante. Quando pensamos numa candidatura a Capital Europeia da Cultura, demonstra que estamos a aumentar a nossa rede de equipamentos culturais. 

 

Será muito bom que essa crítica venha , porque significa que o objectivo foi cumprido.”

 

Referiu obra pode não ser muito visível. Pergunto-lhe o seguinte: Já se está a preparar para que o povo diga que foram gastos 1.300.000€ e que não se vê nada de novo no teatro?

Será muito bom que essa crítica venha , porque significa que o objectivo foi cumprido. Com certeza que se verão coisas novas, com certeza que o aspecto do exterior do teatro, com a recuperação dos vãos e janelas seja visível, quando digo que não se vai espero que o impacto seja mínimo dentro da sala de espectáculos, como é evidente, que o cheiro daquele teatro centenário seria um desastre. Mas se vier essa critica, entramos na sala e tudo estará na mesma e será óptimo.

Outro dos equipamentos que tem uma programação completamente diferente é a Antiga Praça de Touros , considerada Arena. Qual é o posicionamento enquanto Vereador da Cultura quanto àquele equipamento?

Aquele equipamento tem características próprias e não possui características de grande qualidade para um espectáculo , qualquer um que tenha assistido a um espectáculo na arena sabe disso, mas ainda assim é único equipamento que temos na cidade que pode levar ate 2.000 pessoas, portanto para espectáculos com potência para grandes públicos. A programação daquele equipamento irá mudar em 2020 e iremos ter um maior cuidado com a programação. Temos sido passivos , aceitamos as propostas para aquele espaço, sejam mais populares ou mais mainstream, e irá manter-se assim. Não vejo grandes alterações, mas iremos ser mais cuidadosos naquilo que é a programação, não afastando da arena aquilo que são os espectáculos de cariz menos exigente, menos culturais e mais de entretenimento, portanto essa vertente irá manter-se na arena, tentando nós que a coisa se aproxime mais daquilo que é a exigência da intervenção cultural, mantendo aquilo que a sala tenha de características relacionadas com o entretenimento.

 

Alterando a programação e tendo a Câmara uma presença mais forte, portanto define mesmo essa programação, como vai ser o trabalho em conjunto, como por exemplo com as Corridas de Touros? 

Aquilo é um trabalho conjunto. A Câmara anterior quando aceitou ficar coma posse da Praça de Touros um largo número de anos, em troco das obras que lá foram realizadas, assinou um protocolo, que garante que a Praça de Touros é usada pela família proprietária até dez corridas de touros. São espectáculos que a Câmara Municipal não tem qualquer interesse ou motivação. Após dias de montagem e de desmontagem, volta para a família proprietária que envia um conjunto de datas. Nós conjugamos as datas com aquilo que vai acontecer, e quando o protocolo chegar ao fim, terá que necessariamente rever-se o protocolo. As datas são acertadas no final de cada ano para o ano seguinte.

 

Esse protocolo tem durabilidade até quando?

Não sei a data de cor, mas sei que ainda faltam uns belos anos para ele se cumprir.

 

Uma das cidades que também se vai candidatar a Capital Europeia da Cultura é Leiria, e foi polémico para alguns jornais nacionais e regionais o facto de não integrarem a Feira de Abiul. Aquilo que pergunto é o seguinte: sendo esta uma candidatura do Alentejo, de Évora, estando a cultura tauromáquica implementada nesta região, qual será o posicionamento da Câmara perante isto, na candidatura de Évora a Capital Europeia?

A Câmara não terá um posicionamento próprio quanto a isso, ou seja, quando lançarmos a discussão pública, vão ser os cidadãos que vão definir a tal estratégia de 2030, da intervenção cultural na cidade, é no âmbito dessa discussão que poderá aparecer  questão da tauromaquia, portanto é nesse âmbito que a discussão se dará. Não há, à partida, da Câmara Municipal neste momento definida qualquer posição referente a isso. E portanto, na construção da estratégia: o que é que é incluído, o que é que não é, o que é identitário, o que é que é de ruptura, isso é a definição da estratégia, da tal estratégia a definir  até 2020 e que se tenha candidatado. Sabemos que o assunto é polémico, qualquer a nota que saia relativamente a essa matéria da estratégia irá provocar discussão acesa, mas as discussões acesas, desde que caminhem no bom sentido estão certas. Nós não temos nenhuma posição ainda relativamente a essa matéria .

 

Mas se essa hipótese se se colocar na abordagem pública, a tauromaquia não estará à partida bloqueada dessa estratégia?

Neste momento não posso fazer nenhum tipo de afirmação relacionada a isso. Nem relacionado com a tauromaquia, nem com o que for. Seria mau da minha parte estar em nome da Câmara e dizer se está bloqueado ou não. O processo da construção da estratégia é público, participado e temos de falar com toda a gente. A equipa técnica que vai construir a estratégia a falar com toda a gente , e depois ver-se-á.

 

Para 2020, o que é que já pode adiantar relativamente à Programação Cultural de Évora? Presumo que já esteja a ser trabalhada.

Sim. Em 2020 iremos ter naturalmente uma programação assente praticamente nos mesmos ciclos. Nós em 2020 temos aqui um problema que não é fácil de resolver. Há pouco, perguntou-me se estava contente com o Teatro estar em obras, estou muito satisfeito. Contudo, o Teatro vai estar fechado há volta de 450 dias. E portanto, toda aquele ciclo de programação que lá acontecia no Teatro, não vai poder acontecer no Teatro e temos que encontrar espaços para que ele aconteça, e é nisso que estamos a trabalhar neste momento e acreditamos que é possível. Vamos manter todos (ou quase todos) os ciclos de programação que fizemos para o Teatro de Garcia Resende este ano. Todos aqueles ciclos que já fizemos pode sair um ou outro daqueles que são extensões de festivais fora daqui, porque estando limitado a um espaço vamos ter que tomar opções, e as opções são sempre em função daquilo que se vai sedimentando aqui, e não em função de extensões que venham de fora. Relativamente à chamada para os criadores locais irá manter-se, o “Artes à Rua” irá manter-se também, estamos a discutir neste momento a questão da densidade e a questão da duração. Portanto aquilo que lhe posso adiantar para 2020  é que, não tendo esse equipamento, iremos tudo fazer para que os ciclos de programação para este ano se mantenham no próximo ano de 2020. Continuemos naturalmente a apoiar aquilo que é a programação de outros agentes em co-produção, como na realização de pequenos encontros que acontecem em períodos de 3 dias. Como lhe digo, temos aqui um desafio pela frente que é encontrar um espaço que a partir de Março.

 

Quais são as alternativas ao Teatro?

São poucas. Existe a possibilidade na ex-Rodoviária criar um espaço, e a possibilidade de através do arrendamento de um barracão fora do centro histórico. Temos também como alternativa, em parceria com a Universidade, de usar o auditório.  Qualquer uma destas alternativas, tirando aquelas que são de partilha de espaços com outras instituições, vai implicar um investimento pesado para criar um espaço em condições para espectáculos. Portanto, é neste balanço que nós estamos. Preferíamos, já que temos de investir, investir num espaço que depois das obras do Garcia ficasse, do que investir num espaço que, quando acabar as obras do Garcia , tivéssemos que devolver ao dono e desmontar a tenda e lá vai todo o investimento que fizemos. Estamos a alinhar este tipo de alternativas.

Já tem nomes contratados para o “Arte À Rua” do próximo ano?

Há ideias, há um cartaz que se vai discutindo, mas é cedo para anunciar.

Para a Passagem de Ano em Évora, no ano passado foi feita uma aposta muito arriscada, mas que resultou muito bem. Este ano, já pode anunciar que irá fazer a Passagem de Ano?

Já sim senhora. São um grupo que vem de Espanha , um grupo de festa, que se chama Eskorzo. É um grupo muito na onda das fusões e misturas de metais , para dançar a noite toda , tal como no ano passado, há dois anos, enfim. Se consultarem no YouTube, vão verificar que é a partir a noite toda.

Portanto, numa data emblemática em que vários locais e cidades apostam em nomes mainstream,volta a arriscara aqui num nome menos conhecido, é isso?

É uma noite de festa, e de facto as pessoas vão para a Praça de Giraldo, vão perder o espectáculo naturalmente, mas vão para a Praça para se abraçarem umas as outras e desejarem um bom ano, em ambiente de festa, e Eskorzo como outros que trouxemos em anos anteriores, garantem  seguramente uma noite de festa em que as pessoas dançam despreocupadamente. Esta não é uma noite para grandes reflexões, é uma noite para dançar, para brindar, portanto esta banda cumpre esse fim. Trazer um grande nome, fazer um espectáculo em que as pessoas tenham que estar muito atentas ao que se passa em palco e o que se passa no parque numa noite como esta não nos pareceu que fosse melhor. Claro que teremos naturalmente os apoios habituais e as criticas habituais, mas cá estaremos para isso, o que queremos é a Praça de Giraldo cheia de gente a dançar ao som dos Eskorzo, que são uma banda muito animada.

Para terminar, o que tem sido mais fácil na sua actividade enquanto Vereador?

O mais fácil na minha actividade como Vereador é fazer o que gosto, que é trabalhar para a cidade, é saber que aquilo que nós fazemos todos aqui nesta equipa dos eleitos é tudo o que está ao nosso alcance para trabalhar para a cidade.

 

As incompreensões são sempre o mais difícil de resolver dentro da nossa equipa.”

 

E o mais difícil?

As incompreensões são sempre o mais difícil de resolver dentro da nossa equipa. Chegar ao fim do dia fazendo as coisas bem e outras mal, como toda a gente na vida, e chegar ao fim do dia e a crítica que vem não é relativamente ao que fizemos mal, mas ao que fizemos bem, isso sim é o mais difícil de ultrapassar.

 

Enquanto Vereador e enquanto homem, recebe também opiniões contrárias à sua, e visões diferentes daquilo que idealiza para a cidade? 

Seguramente. Se há alguma coisa que eu tenha certeza é que não tenho razão em tudo, e provavelmente não terei razão em maior parte das coisas. Aliás … de forma honesta, isso é que são as diferenças  e quem me conhece sabe que é assim. Diferenças são diferenças, discutimos essas diferenças , vamos até ao fim com as discussões e depois partimos para fazer acontecer. Essas discussões e diferenças não me preocupam, antes pelo contrário, obrigam–me a que não me deixe contaminar por aquilo que algumas pessoas se deixam contaminar quando estão neste lugares, que é a certeza que vão fazer tudo bem, a certeza que não há outra visão do mundo. Não quero ser contaminado por isso e quero ser posto em causa todos os dias, porque se isso acontecer todos do dias de forma honesta, de certeza absoluta que consigo fazer melhor o trabalho para qual fui mandatado.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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