Fabiano de Abreu: “O Instagram ao meu ver é um impulsionador de deficiência cerebral”

O filósofo e psicanalista Fabiano de Abreu acaba de lançar o seu quinto livro na Amazon e no Google Books. Concedeu uma entrevista ao Infocul.pt, na qual aborda os 7 pecados mortais, que são o fio condutor do livro.

A nova obra analisa os sete pecados capitais pela ótica da filosofia e do comportamento humano.

O filósofo e psicanalista Fabiano de Abreu é um estudioso da mente e comportamento humano. Com especialização em história da ética e moral pela Universidade Carlos III de Madrid, em Espanha, Abreu analisou, pela ótica da filosofia e com base nos seus estudos, os sete pecados capitais. O resultado é o 5.º livro do autor, chamado 7 pecados capitais que a filosofia explica, lançado pela editora MF Press Global em formato e-book mundialmente na Amazon e no Google Books.

Os conceitos incorporados no que se conhece hoje como os sete pecados capitais tratam de uma classificação de condições humanas conhecidas atualmente como vícios, que foram usadas mais tarde pelo catolicismo com o intuito de educar os seguidores, de forma a compreender e controlar os instintos básicos do ser humano e assim, sob a ótica da religião, aproximar-se de Deus. No entanto, o conceito de vícios e virtudes vai muito além da visão religiosa.

Como é que a filosofia explica os 7 pecados mortais?

A filosofia tenta explicar qualquer coisa na vida humana, ela é a mãe das ciências. No meu caso, a filosofia é questionadora, observadora e estudiosa do comportamento humano. Minha curiosidade é tamanha que a filosofia me impulsionou a me especializar nos estudos da psicanálise e neurociência para encontrar respostas, através de um raciocínio lógico, para explicar os comportamentos humanos. O tema dos 7 pecados capitais é muito interessante. Eles sofrem preconceitos estimulados pela religião pois realmente são defeitos, mas muitos deles fazem parte do instinto humano. O que diferencia é a sua intensidade e como isso interfere em si mesmo e na sociedade.

Quando começou a pensar neste livro?

Eu trabalho com jornalismo em Portugal e assessoria no Brasil, não tenho muito tempo, mas trabalhei um tema por semana totalizando 7 semanas de estudos e escrita.

Para os mais distraídos, quais os 7 pecados mortais?

A gula, ira, luxúria, avareza, melancolia, preguiça, orgulho, há outros que ultrapassam o número 7 que foram criados com o tempo, mas esses são os simbólicos e mais determinantes por mais de mil anos. Será que o leitor identificou alguns deles na sua personalidade? (risos)

Há uma clara ligação religiosa aos pecados, certo?

Os pecados são traços de personalidade já avaliados desde a Grécia antiga e também em outros povos da época, mas foram descritos pelo monge greco-romano Evágrio do Ponto entre 345-399. No fim do século VI, o Papa Gregório I transformou, o que Evágrio chamou de crime, em textos como mandamentos do que não pode ser cometido.  Os pecados ganharam maior peso através do famoso filósofo católico Tomás de Aquino determinando os nomes que são usados até hoje.

Qual o pecado mais difícil de controlar, no mundo actual?

O mais difícil de controlar varia de acordo com a pessoa, aquele que tem com maior intensidade e é mais difícil de controlar. É um tanto quanto individual. Mas eu denomino num geral, os que são de natureza humana mais intensa que é a ira e pecados relacionados ao egoísmo.

E qual o mais grave?

Isso depende do comportamento da pessoa que o tem com maior intensidade e como afeta a sociedade. No meu ponto de vista pessoal, não gosto de pessoas que ostentam muito então, a luxúria dos dias atuais incentivada pela mídia social não me agradam.

O que pretende transmitir a quem ler este livro?

A razão, sempre a razão. Temos personalidades instintivas mas isso não quer dizer que isso amenizam os defeitos. Tudo na vida tem um meio termo, um equilíbrio e nunca podemos esquecer da ética e da moral. Fazer a pessoa enxergar, reconhecer e dar soluções é o meu maior objetivo em todas as minhas escritas que são publicadas em diversas colunas que tenho no Brasil, Portugal e Angola.

Já tem alguma reacção mais caricata ou marcante ao livro?

Ainda não deu tempo de medir isso pois entrei em um universo de escrita e pensamentos em meio a quarentena. Estou fazendo pós, cursos de especialização, trabalho e lançarei um total de 5 livros até o final do mês que vem.

Onde podem as pessoas interagir consigo e ter acesso ao livro?

Eu realmente não consigo interagir muito na media social, eu não gosto muito da rede social pois prezo muito o tempo que tenho para absorver conhecimento e a media social nos tira muito tempo. Mas tento sempre responder a todos pelo Instagram que é o fabianodeabreuoficial. O utilizo mais pois a maior massa de público é do Brasil e eles se conectam mais ao Instagram. Mas eu particularmente prefiro o Facebook pois cabem textos maiores. Vejo o Instagram como o pecado do preguiçoso que só vê foto e não gosta de escrever. O Instagram ao meu ver é um impulsionador de deficiência cerebral.

Qual a mensagem que deixa ao povo português?

Eu nasci no Brasil mais sou filho de uma mãe madeirense que migrou para o Brasil assim como outros milhões. Fui criado em uma colónia portuguesa onde me relacionei com lusodescendentes e frequentei clubes portugueses. Não esqueçam as suas origens. Percebi que o lusodescendente no Brasil ama mais fervorosamente a nossa pátria que muitos aqui e isso é o princípio básico do estímulo para o sucesso, amar nosso país. Quero através da escrita e do conhecimento levar o nome de Portugal para o mundo para que tenhamos a valorização que não tivemos até hoje mesmo depois de tantos feitos, de termos sido a maior potência do mundo e, eu que estive em mais de 15 países de importância, avaliei que não sabem disso.
A minha mensagem resumida é: sejam o melhor para si mesmo e para o outro, seja um bom profissional e eleve o nome de Portugal. Conhecimento é a chave para uma melhor vida e não digo conhecimento académico, pois há quem estuda só uma coisa a vida inteira e mesmo com doutorado só sabe aquilo e mais nada. Eu digo o conhecimento geral.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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