InPortugal: “O objectivo passa por atrair profissionais, que preferem ir a estes eventos durante a semana”

De 14 a 17 de Maio, no Parque de Exposições da Porte de Versailles, em Paris, realiza-se o InPortugal, até agora conhecido como Salão do Imobiliário e do Turismo Português em Paris.

No passado dia 9, na FIL, decorreu a apresentação do certame e a apresentação das novidades, momento que aproveitámos para entrevistar Ricardo Simões, director do salão.

O nome muda e essa é “uma das novidades, entre outras!”, começou por nos dizer. Explicou que “a mudança de imagem e de nome resulta do contexto, da conjuntura do mercado e da ambição. Um evento com esta dimensão e com a história de sucesso que lhe é reconhecida ao longo destes 8 anos tem de se reinventar para melhor servir expositores e visitantes, a sua principal missão. Somos promotores de encontros que geram valor. O contexto deixou de ser de abundância de bens imobiliários disponíveis no mercado e passou para a venda em planta, novos empreendimentos e reabilitação. Deixou de ser de preços abaixo do normal, para preços ajustados ao mercado e à procura nomeadamente dos franceses e europeus. A necessidade é, pois, de qualificarmos a oferta para um público exigente. De passarmos de uma mensagem de oportunidade, que é efémera, para uma de sustentabilidade como, por exemplo, é INteligente investir em Portugal!”.

O InPortugal é um salão internacional exclusivamente português, criado em 2012, direccionado para o público francófono que quer residir, investir, empreender, estudar ou visitar Portugal.

Os franceses estão no topo da lista de compradores de bens imobiliários, com um valor estimado das aquisições superior a 671 milhões de euros em 2018. Também o fluxo de cidadãos franceses a entrar em Portugal registou, em 2018, um aumento de mais de 25%, a segunda maior progressão constatada, sendo a comunidade francesa a sétima comunidade estrangeira do país (dados INE, Setembro 2019).

Sobre se a mudança de nome permite um maior destaque a outras áreas, além do turismo e imobiliário, disse que “os visitantes do salão procuram soluções para estas 5 motivações: residir, investir, empreender, visitar e trabalhar em/com Portugal. O imobiliário é transversal a estas cinco motivações e é o core do salão. O turismo é fundamental para a descoberta, a diversificação e promoção do território. O ecossistema de startups, tecnologia e inovação é algo que queremos promover melhor. O próprio ecossistema está mais estruturado e oferece um potencial enorme para atrair talento estrangeiro para Portugal. Os serviços de consultoria, legais, fiscais, financeiros e de saúde são deveras importantes para acompanhar os visitantes em todo o processo ou, no caso da saúde, responder às necessidades que possam surgir”.

Sobre o crescimento desde a primeira edição e até ao momento, explicou que “de 2012 a 2014 duplicámos o número de expositores e de visitantes e a partir de 2015 verificámos um crescimento sustentado e um alargamento a áreas como o investimento e o empreendedorismo”.

Acrescentou ainda que “o objectivo passa por atrair profissionais, que preferem ir a estes eventos durante a semana, onde podem fazer negócio e contactos. Estamos a falar de empreendedores ou CEO’s, mas também de gestores de património, advogados, promotores e construtores imobiliários e investidores à procura de oportunidades. Através da nossa app os profissionais podem agendar previamente reuniões com os expositores e beneficiar de conferências e apresentações adaptadas ao seu perfil”.

Questionado se o interior português, tantas vezes esquecido, terá espaço no certame, revelou que “há muito que defendemos a descentralização do investimento, no sentido de mostrar que existem excelentes oportunidades no interior. Precisamos que essa oferta esteja presente no salão para a materializarmos. Isso passa por uma aposta forte dos territórios do interior de Portugal, de maneira a aproveitarem este palco para exporem a visão e os projectos em curso nas respetivas regiões. O resultado traduzir-se-á certamente em criação de emprego, riqueza e por conseguinte desenvolvimento para as regiões”.

Disse ainda que “o melhor indicador que temos do retorno é o regresso dos expositores. Mais de 70% dos nossos expositores já expõem há vários anos, desenvolvendo uma estratégia de promoção em França que tem no Salão o seu ponto alto, e acompanhando os leads gerados ao longo do ano”.

Sobre o número de expositores previsto para este ano, disse que “esperamos cerca de 190 expositores este ano”.

Ressalvou que “temos desde promotores, mediadoras e agências imobiliárias, passando ainda por gabinetes de arquitectura e startups ligadas à área. Também estarão presentes os municípios e associações regionais, bem como empresas na área dos serviços, que podem ir do financiamento à área dos seguros, fiscalidade e saúde. No âmbito do turismo, encontramos expositores diversos, desde associações de turismo a hotéis e resorts, passando por operadores e eventos. Universidades, incubadoras, coworks e pólos tecnológicos são entidades que mostram interesse em estar no InPortugal”.

Além do público francófono, explicou na apresentação que o Reino Unido era o segundo em termos de visitantes do certame. Questionámos, então, quais seriam os outros públicos-alvo, tendo Ricardo Simões explicado que “o salão é dirigido aos francófonos, todavia é um salão que recebe mais de 20 nacionalidades. Os visitantes percebem a oportunidade única de ter contacto com os actores mais importantes de Portugal, que se encontram concentrados no mesmo local e disponíveis para os ajudar na concretização dos respectivos projectos. A alternativa é passar dias, semanas a pesquisar na internet, para identificar os bons contactos e outro tanto tempo para conseguir contactá-los”.

Considera que o certame será positivo se “prosseguirmos uma promoção sustentada à escala europeia das valias do país para a atração de pessoas, talento e capital para Portugal”.

Na área do investimento, há cerca de 750 empresas com capitais franceses em Portugal, que empregam cerca de 60 mil pessoas (dados da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, 2018). Números que têm tendência a aumentar, também devido às facilidades oferecidas para a fixação de empresas estrangeiras em território nacional, especialmente na área das novas tecnologias e serviços.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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