“Jantares de Estado da República Portuguesa. Bastidores e Esplendor.”: Saiba como decorrem e qual o protocolo destes jantares no Palácio Nacional da Ajuda

 

 

 

No passado dia 19 de Fevereiro decorreu no Palácio Nacional da Ajuda uma palestra referente aos Jantares de Estado da República Portuguesa e os seus bastidores, intitulada “Jantares de Estado da República Portuguesa. Bastidores e Esplendor.” a cargo de Joaquim Afonso e Fátima Patacho. O Infocul marcou presença e apresenta agora uma entrevista na qual são reveladas algumas curiosidades sobre um tema pouco abordado mas despertador de interesse por parte do povo português.

 

Esta palestra começou por ser realizada devido à enorme curiosidade por parte dos visitantes do palácio relativamente a estes eventos da Presidência da República. Como oradores, dois elementos que conhecem como ninguém todo o protocolo destes jantares.

Joaquim Morais Afonso, Voluntário no PNA desde 1991, tem colaborado ao longo dos anos na preparação dos eventos oficiais, por parte do Palácio. Maria de Fátima Vasconcelos Patacho, Técnica Superior do PNA (Palácio Nacional da Ajuda) desde 1992, é responsável pelos preparativos das Cerimónias de Estado no PNA.

Assim apresentamos, de seguida, a entrevista realizada por Rui Lavrador a Fátima Patacho e Joaquim Afonso sobre estes eventos.

 

 

Com quantos dias de antecedência começa a ser preparado um jantar de estado?

Seria bastante redutor poder dizer-lhe exactamente com quantos dias de antecedência começamos a preparar um Banquete, não só porque os preparativos começam após o convite de S. Exa o nosso PR ao seu homólogo, no momento em que este aceita e se acordam as datas, toda esta parte se passe entre 2 instituições: Protocolo de Estado e Presidência da República. É o Protocolo que envia e recebe a resposta dos convidados de ambos os países, que escolhe o menu, flores, o/a fadista, define o número de convidados e apenas depois deste número fixado nos informam da data. Posteriormente, entre o PNA e o Protocolo e de acordo com o numero de convidados, se decidirá se é necessário aumentar ou diminuir a “mesa em U”. Entre dois Banquetes com relativamente o mesmo número de convidados, ou seja caso a “Mesa em U” se mantenha, bastam três dias úteis para:

1- Retirarmos a decoração museológica das mesas (pratas, toalhas linho etc)
2- Colocação das toalhas bordadas
3 – Engomar as referidas toalhas.
4 – Colocação da Baixela decorativa
5- Disponibilizar porcelanas, pratas e cristais de acordo com as necessidades.

Os restantes serviços, tais como decorações florais, catering, aquecimento, artistas etc são contratados pelo Protocolo do Estado.

 

 

 

Qual a baixela utilizada, quer na mesa de estado, quer nas mesas dos convidados?

Baixela Thomire em bronze dourado. Apenas peças decorativas.

Quantas baixelas são usadas nos Banquetes de Estado no Palácio da Ajuda?

São usadas peças decorativas da Baixela Thomire (versão dourada), e também pode ser solicitada a versão prata branca, que é a visível com a sala em versão museu.

 

 

 

Quais as várias formas como a sala pode ser organizada para os jantares de estado?

Depende do tipo de Cerimonial e número de convidados. Pode ser “mesa em U” ou mesas redondas.

Como são definidos os convidados a estar nesse jantar?

Assunto do estrito âmbito da Presidência da República e Protocolo de Estado.

 

 

 

Para quem nunca foi a um jantar de estado e vá pela pela primeira vez, qual o ‘ritual’ quando chega ao Palácio da Ajuda e quais os passos a dar?

À chegada ao Palácio verá que das várias entradas apenas uma, a do pátio (entrada principal) tem plantas e sentinelas Honoríficas da GNR – essa é a entrada.

Do Vestíbulo para a Escadaria Nobre não há espaço para dúvidas é o único percurso possível.

No topo da Escadaria Nobre, encontram-se os funcionários do Protocolo de Estado que procedem à recepção dos convidados.

O Convidado apresenta o seu convite, e em troca recebe 2 Cartões: Cartão de Mão e o Cartão de Mesa.

Entretanto na Sala D. João VI são servidos os aperitivos. Seguidamente o Protocolo ordena as pessoas para os cumprimentos aos Chefes de Estado, na Sala do Trono.

O convidado avança e entrega o Cartão de Mão com o seu nome ao funcionário do Protocolo, o qual por sua vez, “cantará” ou seja anuncia em voz alta, o nome do referido convidado, avançando este para prestar os seus cumprimentos aos 2 Chefes de Estado.

 

 

 

Ao longo destes anos todos, qual a história mais divertida que possam contar e que tenha ‘fugido’ ao habitual?

Havendo vários episódios ocorre-nos um que resultou em gargalhada geral. Passo a descrever: a Sala de Banquetes (agora designada como outrora, Sala dos Jantares Grandes) estava armada com mesas redondas. Um convidado estrangeiro em alegre conversa com os restantes parceiros de mesa, e com o à vontade de quem está na sua própria casa, baloiçava a cadeira onde se encontrava sentado. Em determinado momento perdeu o equilíbrio e a compostura e estatelou-se no chão, causando gargalhada geral.

Quantas peças constituem as baixelas usadas nos jantares de Estado?

Depende do tipo e comprimento da mesa/s, são escolhidas as peças da mesma baixela Thomire.

 

 

 

Há sempre um momento de fado nestes jantares. Quando começou e qual o/a fadista que mais vezes actuou nestes jantares?

Desde que o Fado foi considerado Património Imaterial da Humanidade. Não fazemos estatísticas musicais

Sendo que nada pode falhar, o que é mais difícil controlar?

O incontrolável… A repentina falta de luz a meio de um Banquete, a falta de água num outro, etc. Mas tudo situações que se resolvem num ápice com as equipas e piquetes técnicos presentes.

Em termos de alimentação, sem pormenorizar, os jantares são constituídos por Entrada, Prato Principal, Sobremesa e Café, certo?

Exactamente.

 

 

 

Quando os convidados chegam à mesa têm, já servidos, água e vinho da Madeira. Porquê?

A água está à temperatura ambiente e pode alguém querer beber mesmo antes de se sentar. Vinho da Madeira – para se brindar após os hinos e discursos.

Houve algum Chefe de Estado que vos tivesse marcado, por algo diferenciador?

FP- Pessoalmente lembro-me do PR Jacques Chirac, da Rainha da Holanda pela simpatia esfuziante. Pela negativa o Presidente Mugabe e o Presidente Kadaffi que vieram apenas em cimeira UE-África.

JA – A visita de Estado dos Reis da Suécia, Espanha, Bélgica, França etc.

Texto e Entrevista: Rui Lavrador
Fotografias: Arlindo Homem

Nota: O Infocul agradece ao Palácio Nacional da Ajuda a disponibilidade para esta entrevista.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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