João Loy quer alterar Touradas e defende que o 25 de Abril foi “um movimento corruptivo”

 

 

Depois de aqui ter anunciado a sua ideia de candidatura às eleições legislativas, João Loy, actor e fadista, concede uma alargada entrevista na qual fala sobre o programa que pretende levar às eleições.

Antes terá de proceder à recolha de assinatura para formação do partido, explicando que “aquilo que a minha consciência me pede e me dita, por isso lhe chamo movimento/partido, é criar um movimento à volta daquilo que acho que são as ideias e o que a sociedade precisa. Depois, então, se as pessoas me entenderem e apoiarem, passa a partido”, acrescentando que “já devia ter começado. Porque ao contrário do que eu pensava, todo este movimento que se criou quase do nada, ou de uma brincadeira como lhe queiras chamar, tornou-se uma coisa muito séria e eu nunca pensei que tivesse a repercussão que teve a nível nacional e agora percebe-se que, para algumas coisas, o facebook tem uma importância brutal. É violento no bom e no mau sentido, porque de repente percebes que ganhas uma dimensão que não estavas à espera. Pensei que as pessoas encarassem isto como brincadeira ou um grito de alguém a dizer o que acha que está mal na política e democracia em Portugal e de repente tenho uma quantidade de apoiantes”.

Mas estará João Loy preparado para não conseguir recolher o número suficiente de assinatura? “Estou. Claro que estou. Repara numa coisa, eu sei que é diferente a reacção no facebook depois de andar porta-a-porta para se recolher as assinaturas. Até porque se as pessoas não sabem, ficam a saber se me dás esse espaço, aquilo que é pedido na folha que lhes é dada para assinarem tem um truque brutal para dificultar os novos movimentos e/ou partidos que é quando te pedem o número do cartão de eleitor. Ninguém anda com isso na carteira, maior parte das vezes nem sabemos onde o temos, portanto se eu vier aqui para a rua e abordar 500 pessoas que possam gostar do meu partido, talvez apenas 5 tenham consigo o cartão de eleitor”.

Caso forme partido e vá a eleições, haverá várias áreas a merecer destaque.

Na educação pretende “tudo alterado. Acho que a meritocracia deve funcionar de uma vez por todas e rapidamente. Até porque eu tenho dois ou três projectos através da minha empresa, culturais, e para mim a educação mistura-se sempre com a cultura. E para mim é vergonhoso o que se está a passar no ensino. E um dos grandes problemas no ensino não está nos alunos que têm problemas na aprendizagem mas sim nos que têm facilidade na aprendizagem. E facilidade porque trabalham, estudam, e neste momento há um descrédito nesses alunos. Alunos que tinham médias de 17, 18, 19 e 20 começam neste momento a reagir e já há nesses alunos quem diga ‘ porque é que eu vou estudar se os que têm 7, 8 ou 9 passam da mesma maneira que eu?’. Sendo que não há exigência nenhuma e isso mais tarde reflecte-se”.

Para João Loy, todos os alunos “têm as mesmas possibilidades. Hoje em dia, o sistema democrático permite o acesso aos mesmos livros, cadernos… Agora, é uma questão de trabalho em casa. É uma questão de estudar, porque se eu sei que tenho mais dificuldade numa disciplina, tenho de estudar mais essa disciplina. Os paizinhos não deixam as criancinhas trabalhar em casa por causa de estudar tanto, mas depois deixam várias horas nas escolas de futebol. Porque querem que os filhos sejam todos ‘Ronaldo’ para depois viverem à custa dos filhos? Deixa-me dar-te este exemplo da minha mãezinha, que é alentejana, o dia tem 24 horas e se divivires por 3 dá 8. E portanto vou-te dizer como a minha mãezinha me ensinou: 8 horas para dormir, 8 para trabalhar e 8 para divertir. E está tão certo!

Na vertente cultural, começa por dizer que “sou anti-subsídios”.

É apologista e ser feito “o apoio ao público. Neste momento deve-se fazer uma campanha fortíssima. Eu aprendi muito com António Puig, maioria as pessoas ligadas à cultura não sabe quem é mas façam como eu: procurem, trabalhem, investiguem, aqueles que são bons. E eu de repente, por acaso fiz um Mestrado na Universidade Nova de Lisboa há relativamente pouco tempo, e tive a sorte de trabalhar com um senhor chamado António Puig e que na altura tinha 80 anos e foi tão somente a pessoa que colocou Barcelona no mapa. E ensinou-nos como é que as grandes capitais podem funcionar em termos culturais e como é que os subsídios podem e devem ser. Porque os subsídios indo para a companhia, tu não está a subsidiar o público. O público apenas se subsidia aprendendo a ser público. Se calhar os bilhetes têm de ser um pouco mais baratos mas nunca à borla, mas os subsídios têm de ser um pouco em função daquilo que estás a querer que o público perceba. Ou seja, no fundo trabalhares o público em termos de aprendizagem, para depois eles aguentarem o teatro. Nunca o apoio às companhias. Não estou a dizer que não haja um pequeno apoio, o que eu estou dizer é que não quero que as companhias sobrevivam em função do apoio”.

Defende que as companhias devem ser sustentáveis pois “há uma coisa que aprendi na vida, a cultura é para dar dinheiro. Ponto. A cultura não tem de ser só para mostrar floreados e coisas bonitas. A cultura é para se pagar, como pagas a um bom pintor ou a um bom arquitecto. O grande problema é que as pessoas ainda não perceberam o que é a cultura e o que é o arraial, o resultado no sentido final que é o espectáculo. Isso é a consequência e no dia em que toda a gente quiser falar e perceber o que é a cultura, então aí as coisas mudam radicalmente. A cultura é tudo o que está antes de subires a palco”.

Revela que “ainda não li, confesso”, o plano nacional das Artes. Mas mostra-se contra com os artistas irem às escolas pois “há 19 anos que a minha associação trabalha com espectáculos para alunos do 10º, 11º e 12º ano e depois temos outro espectáculo. No total temos 5 espectáculos, há 19 anos só com esse projectos. Mas há uma coisa que digo já, não vão às escolas senhores ignorantes da cultura. É anti-pedagógico, é pedagogicamente incorrecto. Os alunos têm de ir ao teatro. Mesmo que seja nas suas próprias localidades, mas nunca nós invadirmos o espaço deles. É uma questão importante de os alunos dizerem: Eu vou ao teatro!

Um dos temas sobre os quais mais se debruça publicamente são as touradas. Diz que “assumo inclusive que as touradas são um espectáculo bonito até ao massacre do animal. Acho bonitos os trajes, acho bonito todo aquele movimento, perceber as diferenças entre a muleta e o capote, depois também a vertente dos forcados, acho toda uma encenação fabulosa. É um espectáculo como qualquer outro, de ópera, teatro, seja lá do que for. O que eu não consigo é perceber aquele massacre. Não consigo! Hoje em dia, e já há países que o fazem, há tanta coisa que pode simular aquele massacre dos animais. Seja o velcro, seja uma coisa electrónica…”, acrescentando que “a tradição terminou no século XVIII ou já se esqueceram que foi o Marquês de Pombal que um dia disse que acabaram os touros de morte em Portugal? E agora os aficionados falam em tradição milenar? Vão pastar caracóis…”. Caso chegue a primeiro-ministro altera a lei neste sentido “garantidamente. Isso não tenhas a menor dúvida”.

Em termos de apoios sociais aos mais carenciados, entre os quais os idosos, diz-nos que tudo começa por “acabares com a corrupção… Tens noção os milhões que estão neste momento envolvidos na corrupção?”.

E para isso acontecer, é necessário “punir severamente. Tu não podes violar uma criança ou roubar e ficar com pena suspensa. Esse nojento do Berardo, e podes mesmo aplicar a palavra nojento porque é assim que eu os gosto de tratar e porque sei que é assim que eles me tratam a mim, que deve quase mil milhões, tens noção de quantos lares ou creches fazias? Tens noção de quantos subsídios podias dar a pessoas que vivem em cidades grandes e num quarto ou quinto andar sem elevador e que não conseguem sair de casa e que nem recebem 200 euros? Tens noção do quanto foi roubado pelo Salgado? Porque é que ele continua a viver e não lhe foi retirada a casa que tem para minimizar os custos e ele que fosse à procura de um apartamento T0 na Reboleira, com todo o respeito pelas pessoas que moram na Reboleira? Tu se tiveres 6 meses sem pagar a renda da casa ficas sem ela…Há coisas que não batem certo. Tens noção que a maioria destes gajos sabe que somos um povo manso? Por isso fazem o que lhes apetece. É ridículo que todos os órgãos de comunicação social, há dois dias, deu notícia de Ramalho Eanes dizer que o cancro de Portugal era a corrupção. Olha que novidade que o senhor general nos veio dar, esquece-se é de como chegou a general. Ele que conte a história dos capitães de Abril que mais não eram do que uma cambada de gentalha que nem sequer eram quadros superiores e sabiam que não passavam dali. Então o melhor foi fazer o 25 de Abril porque rapidamente chegaram a generais e ficaram com uma reforma fantástica. Isso não é corrupção? É, uma corrupção encapotada. Mais do que isso, na altura dele já existia corrupção e ele nada fez. No dia seguinte, aparece o actual Presidente da República, o Senhor Selfies, a dizer que temos de nos concentrar em acabar com a corrupção. Ó Senhor Presidente da República vá pastar caracóis”.

Acrescenta mesmo que o 25 de Abril “é um movimento corruptivo, começa logo quando tu fazes uma democracia com cravos, tu não podes fazer uma democracia com cravos porque ninguém nos ensinou a ser democrata. De repente tu acordas e acabou a ditadura e somos democratas. E como somos democratas temos liberdade para fazermos o que queremos, e como o povo português não foi educado para isso, acha que democracia é fazer tudo o que queremos, quando é exactamente o contrário”.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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3 thoughts on “João Loy quer alterar Touradas e defende que o 25 de Abril foi “um movimento corruptivo”

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    Muito interessante,estou fortemente inclinado a filiar me no seu futuro partido

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    “E eu de repente, por acaso fiz um Mestrado na Universidade Nova de Lisboa à relativamente pouco tempo”.

    Onde está a meritocracia? Por que é que eu tive de aprender a escrever Português sem erros e este Loy Soprano pode escrever “há” sem h?

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    “à relativamente pouco tempo”

    really? tanta coisa sobre meritocracia e depois um erro destes?

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