Lince-Ibérico encontrado morto, com sinais de atropelamento, perto de Mértola

 

 

O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (INCF) revela, em comunicado, que foi ontem encontrado morto um lince-bérico, perto de Mértola.

 

 

Mistral, um macho de lince-ibérico, foi ontem, dia 2 de Janeiro, encontrado morto na estrada nacional 122, a cerca de 10 km de Mértola, junto à Herdade da Cela, com sinais de atropelamento. Neste mesmo local, outro lince (Olmo) tinha sido encontrado atropelado em maio de 2018 admitindo-se que se tratará de um ponto negro de mortalidade, isto é, um local onde ocorrem travessias recorrentes de animais selvagens, entre áreas de habitat natural adjacente e apresentando condições que propiciam o atropelamento”, começa por revelar o comunicado.

Sobre o animal encontrado morto é revelado que nasceu em “2015, no Centro de Reprodução em Cativeiro de Lince Ibérico de Zarza de Granadilla, tinha sido libertado no concelho de Mértola em 13 de maio de 2016, durante o processo da reintrodução da espécie no Vale do Guadiana preconizado no Projeto “Recuperação da Distribuição Histórica do Lince Ibérico (Lynx pardinus) em Espanha e Portugal (LIFE+10/NAT/ES/000570). Mistral fixou-se na Herdade da Cela onde manteve um território de cerca de 10 km2 e terá acasalado duas vezes com a fêmea Moreira, sendo o provável progenitor de quatro crias”.

O exemplar foi recolhido cerca das 9h pela equipa de monitorização do ICNF sediada no Parque Natural do Vale do Guadiana”, sendo que o o INCF revela aina que “este foi o quarto atropelamento de exemplares de lince- ibérico libertados no Guadiana, desde 2015, continuando a ser alta a taxa de sobrevivência dos exemplares reintroduzidos do projeto LIFE+ Iberlince em Portugal, estimada em 75%”.

Os dados, em 2018, são positivos segundo o INCF, pois “apesar do risco de atropelamento continuar a ser uma ameaça para a espécie em toda a Península Ibérica, o ano de 2018 foi particularmente favorável ao lince em Portugal. Com o nascimento de 29 crias em meio natural e 11 fêmeas reprodutoras estabilizadas, o Vale do Guadiana tornou-se uma das áreas de reintrodução com maior sucesso a nível ibérico. O núcleo populacional apresenta um franco crescimento, já com fêmeas aqui nascidas em 2016 a reproduzir, o que permitirá a existência de uma população viável a longo prazo. Este cenário positivo tem sido possível graças à colaboração de proprietários e das zonas de caça, a uma gestão sustentável do território, à abundância elevada de coelho-bravo e a uma atitude favorável à presença do predador”.

É ainda destacado que a “conectividade da população do Vale do Guadiana com outras áreas em Espanha, fundamental para a manutenção da variabilidade genética, ficou definitivamente confirmada durante 2018. Não só Mundo, um macho oriundo de Doñana, reproduziu novamente este ano em Serpa, como Nairobi, uma fêmea com a mesma origem, fixou-se no concelho de Mértola. Por outro lado, Lítio, um macho de 4 anos, originalmente libertado em Mértola, foi encontrado perto de Barcelona, numa zona sem congéneres e após ter percorrido uma distância de cerca de mil quilómetros. Este macho, capturado e libertado novamente no Vale do Guadiana, encontra-se hoje com um território estabilizado e junto a uma das fêmeas residentes”.

Relativamente a perdas conhecidas em 2018, registaram-se duas fêmeas afogadas no concelho de Serpa e uma fêmea atropelada entre Tavira e Olhão, além do macho Olmo atropelado em Mértola. Durante o ano que findou a equipa do ICNF procedeu também, com sucesso, a uma operação de captura e marcação de linces, com o objectivo de monitorizar a população do ponto de vista sanitário e continuar o seguimento necessário para conhecer a sua evolução no território. Durante 23 dias foram capturados 13 exemplares dos quais sete eram subadultos nascidos em 2018, não tendo sido detectadas quaisquer patologias preocupantes”, acrescenta o comunicado.

Em 2019, “prepara-se, neste momento, uma nova candidatura ao programa LIFE com parceiros de Portugal e Espanha que permitirá consolidar os objectivos da reintrodução e da presença de lince como espécie de topo e peça de equilíbrio dos ecossistemas mediterrânicos. Algumas das ações previstas na continuação do projeto, deverão contribuir para a desfragmentação de habitats e a minimização de mortalidade em estradas”, sendo ainda acrescentada a informação de que “o ICNF tem registado um interesse e envolvimento crescentes dos cidadãos pela conservação de lince-ibérico. A participação em soltas públicas e colaboração com a equipa têm sido constantes, tendo a votação de nomes online em 2018 contabilizado 406 participações. Uma exposição ao público sobre a história do lince em Portugal e a sua reintrodução abrirá ao público no próximo mês de fevereiro em Mértola”.

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