Numa activação inédita, especialistas nacionais e estrangeiros de várias instituições museológicas, académicas e desportivas, debateram ontem no Porto a importância do património desportivo, na conferência internacional “Sports Heritage Collections”, uma organização do Museu FC Porto, em parceria com a 20|21 – Conservação e Restauro.
Do estudo das colecções à partilha da memória, o evento proporcionou momentos de análise e discussão sobre diferentes temáticas associadas a este segmento da História, no ano em que o FC Porto comemora 125 anos da sua fundação e o Museu FC Porto o seu 5.º aniversário.
Para Jorge Maurício Pinto, Director de programação do Museu FC Porto, “hoje é um dia importante para a valorização e promoção do património desportivo, com a organização pioneira em Portugal, neste caso na cidade do Porto, no Museu FC Porto, de uma conferência com esta abrangência focada no património desportivo, que abordou temas como o restauro, o tipo de colecções existentes e a partilha de “tesouros” em diversos museus desportivos espalhados pelo mundo. Esta conferência internacional permitiu ainda evidenciar o serviço público que o Museu FC Porto continua a prestar na preservação, estudo, partilha e discussão da memória desportiva.”
O “Sports Heritage Collections” contou com a participação de um leque recheado de entidades e personalidades ligadas ao mundo do património desportivo global como foi o caso de Carla Felizardo, do Centro de Conservação e Restauro da Universidade Católica; Tim Desmond, do Museu Nacional de Futebol de Inglaterra; Malte Von Pidoll, do Museu de Futebol da Alemanha; Jordi Penas i Babot, do Museu Barcelona/FC Barcelona; Stephen Done, do Liverpool Story /Liverpool FC e Susan Rees do Qatar Olympic and Sports Museum, entre outros convidados.
Durante a sua intervenção, Stephen Done, do Liverpool Story /Liverpool FC, realçou a grandeza e a qualidade do Museu FC Porto afirmando “ter visitado um excelente exemplo de preservação e promoção museológica desportiva. O Museu FC Porto deve ser visto como um caso de sucesso pela aposta ganha no que diz respeito ao património desportivo.” Já Tim Desmond, do Museu Nacional de Futebol de Inglaterra, abordou a importância de “criar interacção entre os museus, as pessoas, a as suas histórias. Um museu deve ter a capacidade de promover a história mas também de ouvir o que os visitantes têm para contar.”
Hélène Barbiero, do Musée Nacional du Sport (França), e Malte Von Pidoll, do Museu de Futebol da Alemanha, trouxeram até ao “Sports Heritage Collections” vários casos de estudo sobre a conservação do património desportivo de cada país. Estando já a decorrer os preparativos para o Campeonato do Mundo de Futebol FIFA de 2022, que se realizará no Qatar, Susan Rees, do Qatar Olympic and Sports Museum, destacou como “conservar uma colecção desportiva local e internacional – alguns desafios e observações” e Jordi Penas, Director do Museu Barcelona/FC Barcelona desenvolveu o tema “o futuro da sustentabilidade entre o património desportivo e a tecnologia.”
A conservação do património desportivo do Museu FC Porto foi também destaque no “Sports Heritage Collections” com Carla Felizardo, do Centro de Conservação e Restauro da Universidade Católica. No quadro da temática azul e branca realce ainda para as intervenções de Francisco Araújo, autor do livro “A Pele do Dragão” (a lançar brevemente) que nasceu da investigação sobre a história e a evolução dos equipamentos oficiais do FC Porto, e de Luís Valente que apresentou o Museu FC Porto como equipamento/experiência de referência numa vertente turística e cultural.
Recorde-se que com cinco anos de actividade, o Museu FC Porto é membro da Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas (UNTWO), da Associação Portuguesa de Museologia (APOM) e do Conselho Internacional de Museus (ICOM).