“O grande desafio é, hoje, na situação difícil que atravessamos, descobrirmos os sinais da presença de Jesus Cristo vivo”, diz reitor do Santuário de Fátima

O Padre Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima, deu já a conhecer a homilia que profere hoje, na missa dominical na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (transmitida a partir das 11:00).

Caros Irmãos e Irmãs que nos acompanhais através da transmissão desta celebração

Cristo ressuscitou. Está vivo para sempre. Esta é a proclamação que está no centro da celebração cristã da Páscoa e que está no centro da nossa fé. Por isso, São Paulo afirma, de forma taxativa: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa fé” (1 Cor 15, 14). Acreditar na ressurreição de Jesus é a marca distintiva da fé cristã.

A primeira leitura apresentava-nos o núcleo da pregação cristã mais primitiva: Jesus Cristo, que passou fazendo o bem, foi morto, pregado numa cruz; mas «Deus ressuscitou-O ao terceiro dia».

O Evangelho diz-nos que Maria Madalena foi a primeira a dirigir-se ao túmulo onde fora deposto o corpo de Jesus, na madrugada do primeiro dia da semana. Dá-se conta da ausência do corpo de Jesus e vai dizer aos Apóstolos que o túmulo está vazio. Pedro e o discípulo amado correm ao sepulcro. Pedro foi o primeiro a entrar e «viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus». Depois entrou o discípulo amado e o Evangelista sublinha o contraste com a atitude de Pedro: «viu e acreditou».

Pedro vê os sinais da ausência de Jesus do sepulcro, mas não consegue ir além daquilo que os seus olhos veem. O outro discípulo, pelo contrário, vendo esses mesmos sinais, acreditou. Os olhos de Pedro apenas captam o superficial, os sinais inconclusivos do túmulo vazio. Porque “o essencial é invisível aos olhos” (A. de Saint-Exupéry), é apenas o olhar da fé pode perceber nesses sinais o acontecimento da ressurreição e a presença de Jesus Cristo vivo no meio de nós. Ontem como hoje, só a fé pode abrir os nossos olhos para esta realidade nova, capaz de transformar as nossas vidas.

A celebração da Páscoa é, assim, um veemente apelo à nossa fé, a imitarmos a atitude do discípulo amado, que «viu e acreditou».

A Jesus não o podemos ver, hoje, como o viram aqueles que com Ele viveram durante a sua vida na Palestina. A presença do Ressuscitado é invisível aos olhos, mas a fé percebe os sinais da sua presença. Pela fé, reconhecemo-lo presente nas nossas vidas: através da Sua Palavra, nas nossas celebrações, de modo especial a da Eucaristia, naqueles com quem vivemos, nos acontecimentos que nos cercam…

O grande desafio é, hoje, na situação difícil que atravessamos, descobrirmos os sinais da presença de Jesus Cristo vivo, ressuscitado. Com os olhos da fé, podemos perceber a presença de Cristo ressuscitado, «que passou fazendo o bem», naqueles que se dedicam, de alma e coração, a ajudar as vítimas da atual pandemia e a ajudar os mais necessitados; podemos descobrir a presença de Jesus ressuscitado em tantos profissionais de saúde, em tantos cuidadores informais, em tantos voluntários que se desdobram e iniciativas para que nada falte aos mais frágeis e desfavorecidos…

E somos, cada um de nós, convidados também a sermos presença deste mesmo Cristo vivo e ressuscitado, «que passou fazendo o bem», vencendo o nosso egoísmo e comodismo, para prestarmos maior atenção aos outros e às suas necessidades. Percebemos a presença de Cristo vivo em nós quando não nos fechamos nos nossos interesses e nos abrimos aos outros com gestos concretos de amor e entrega.

Caros Irmãos e Irmãs, celebrar a Páscoa significa renovar o nosso olhar, animado pela fé, para reconhecermos as muitas formas nas quais Cristo se faz hoje presente nas nossas vidas. Mas significa igualmente esforçarmo-nos por sermos, também nós, sinais visíveis da presença de Jesus Cristo no nosso mundo, neste momento de tribulação.

Celebremos com alegria a Páscoa do Senhor e, com o testemunho da nossa vida, proclamemos que Jesus Cristo está vivo para sempre!

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