Patrícia Cândido: “Quando nós sentimos raiva, medo ou mágoa por muito tempo, essas emoções acabam-se transformando em doenças”

 

 

 

“Código da Alma” é o nome do livro que Patrícia Cândido veio agora apresentar a Portugal, depois de o ter lançado no Brasil em 2018. Conta já com 15 obras editadas e neste livro pretende dar a conhecer de que forma os nosso corpo emite sinais de alerta e a influência que as emoções e os pensamentos têm em algumas doenças. Em entrevista ao Infocul falou sobre o livro, o estudo que levou a cabo, a indústria farmacêutica e o quanto a natureza pode ajudar-nos em termos de saúde.

Patrícia começou por nos revelar que “o estudo, até mais do que o vem no livro, há mais de 15 anos. Foi em 2018 que o livro veio a ser lançado, mas é uma pesquisa com mais de 15 anos”, que lhe permitiu escrever este livro.

Desvenda-nos que “actuei em consultórios, até mesmo como terapeuta, sou filosofa, e portanto uni as duas coisas. Nos últimos 15 anos surpreendeu-me o quanto as emoções e pensamentos interferem na saúde das pessoas. Fiquei intrigada com isso e comecei a investigar. Eu mesma passei pelo processo. Eu sofria muito com problemas respiratórios, alergias, rinite e nada me curava, nada fazia passar. E um dia o meu marido ofereceu-me um vidrinho de floral e eu não acreditava em florais. Ele disse ‘já que não faz mal, porque não experimenta?’. Eu experimentei e nunca mais tive nenhum processo alérgico. Já faz mais de 15 anos, então quis estudar esse fenómeno de como energicamente o nosso corpo funciona e como as emoções e pensamentos com os processos físicos. Então estudei isso tudo, porque pensava ‘como é que os laboratórios da indústria farmacêutica investem milhões e milhões de dólares em pesquisa e os remédios não curam? Eles são apenas paliativos…’. E a natureza tem tudo aí disponível e de graça, é capaz de curar. Então fui em busca dessa pesquisa e lancei o livro no ano passado”.

Patrícia Cândido acredita que há causas nem sempre perceptíveis por trás das dores e doenças que afectam as pessoas e que muitas vezes basta mudar alguns comportamentos para as conseguirmos eliminar.

Exemplifica que “quando nós sentimos raiva, medo ou mágoa por muito tempo, essas emoções acabam-se transformando em doenças. Então, como são emoções básicas que todo o ser humano sente, as pessoas identificam-se muito. Porque se ela não tem uma doença, alguém na família ou conhecido próximo tem algum tipo de doença. Porque a doença tornou-se algo comum na vida das pessoas e eu digo que a doença não é algo normal. O normal é termos saúde”.

Logo este livro acaba por ter impacto na vida das pessoas no sentido de “uma mãe poder ajudar um filho, porque uma mãe sente-se muito mal quando vê um filho doente e não consegue ajudar de alguma forma. Ou seja, lendo o livro as pessoas não acabam apenas ajudando-se a si mas também as pessoas da família e até os animais de estimação. A mãe, dona de casa e da família, consegue entender o impacto das emoções na doença e consegue ajudar também”.

O amor pode desenvolver um papel fundamental em algumas das dores que sentimos porque, segundo Patrícia Cândido, “o ser humano foi feito para sentir amor, é como se fossemos uma máquina em que o nosso combustível é o amor. Quando a gente sente mágoa, raiva, medo, tristeza, stress ou ansiedade é como um carro usando combustível errado. Ele até pode andar durante algum tempo mas vai chegar uma altura em que vai estragar. Porque a raiva, a tristeza e o medo são recursos de alerta que o corpo emite dizendo que tem alguma coisa errada. São sentimentos densos que todo o mundo sabe reconhecer”.

Este tipo de sentimentos são “incondizentes à nossa existência” e para os evitar, tendo em conta que não conseguimos estar sempre, o ser humano deve estar “vigiando, fazendo um processo de conhecimento, auto-conhecimento” como por exemplo “eu sei que determinada situação chateia-me, então eu vou preparar-me para aquela situação, para ter equilíbrio naquele momento”, explica a escritora e filósofa.

Deu ainda um exemplo mais divertido, “lá no Brasil as pessoas reclamam muito que ‘ah minha sogra me irrita’ e as sogras a dizer o mesmo da nora. Então se você sabe de uma situação que pode virar conflito, pensando antes, respirando e preparando, você consegue lidar com essa situação de uma forma mais equilibrada”.

Sobre aceitação e impacto que espera que este livro cause em Portugal, disse que “espero que os portugueses comecem a auto-conhecer-se melhor, conhecer os seus pensamentos e as suas emoções. Ou então alguém que sofra de uma doença e entenda porquê, porque muitas vezes determinado comportamento gera uma doença. Uma pessoa que tem cancro, ela vai lá e remove o tumor, mas ele volta a aparecer. Ela remove e ele volta a aparecer. As pessoas que mudam o comportamento juntamente com a remoção do tumor, costuma não reincidir”.

Deixou ainda um alerta para que “fiquem atentas para o consumo de medicamentos, porque tem uma pesquisa incrível da Márcia Kedouk que escreveu um livro chamado Tarja Preta e ela reuniu pesquisas de laboratórios do mundo inteiro e essas pesquisas dizem que apenas 7% dos remédios no mundo seriam necessários. Então significa que a humanidade está a consumir mais 93% do que deveria e os americanos já estão morrendo mais do efeito colateral dos remédios do que pela doença que estavam tratando” e por isso assume que “estamos procurando a solução no lugar errado, na farmácia, e muitas das vezes a solução está numa horta, num pé de hortelã, num chá de camomila, porque a natureza tem sempre uma forma de nos tratar dentro daquele ecossistema”.

Acrescenta ainda que “fazemos parte de um ecossistema, morando em prédios, em cidades grandes, acho que nos esquecemos disso, mas somos animais e fazemos parte do ecossistema. E todo o ecossistema tem uma forma de se equilibrar”, explicando ainda que “o campo dá felicidade, todo o ecossistema tem uma forma de se equilibrar, então quando você é doente em determinado lugar, aquele lugar tem a solução: uma planta, uma erva, um chá, e pode trazer a cura. Então o meu conselho é, antes de ir a farmácia, vá na horta. A alimentação é também muito importante, o sono regulado é muito importante e portanto há várias formas de se curar”.

Patrícia Cândido assume também que “o auto-conhecimento pode provocar a dor. Nós, seres humanos, somos aquele armário que toda a gente tem em casa e onde bota bagunça. Tudo o que eu sei onde não colocar, coloco naquele armário. E um dia ele fica lotado e as portas abrem-se e tudo se desmorona. Acho que isso seria doença, fazendo metáfora. Então temos de ter coragem de arrumar esse armário, de abrir e arrumar tudo o que tem dentro, reaproveitar o que serve, deixar ir o que não serve, e isso chama-se reforma íntima. Eu acho que todos nós deveríamos fazer reforma íntima, questionar porque somos assim, porque temos determinados comportamentos, porque é que o desequilíbrio acontece. Mas não são apenas coisas ruins. Mexendo nesse armário descobrimos coisas novas, novos talentos, novas potencialidades”, dando como exemplo, “por vezes basta mudar de ramo profissional, porque estando a trabalhar num ambiente e profissão que ela não gosta, o tempo que o corpo aguenta +/- são dois anos. Depois, a doença vem”.

Falou ainda da importância das redes sociais no seu percurso, pois “é fundamental, o meu canal de Youtube já tem um milhão de inscritos, acho um número bom, no instagram… E então eu acho que as redes sociais conseguem propagar esse conhecimento. Eu só estou aqui em Portugal porque há pessoas de Portugal que me seguem nas redes sociais, é por isso que eu vim, a rede social ajuda nesse processo”.

Neste livro “há uma parte especial que fala das ciber doenças, em que utilizando a internet e redes sociais de forma desequilibrada, a pessoa pode ficar doente. Tem uma doença chamada nomofobia, ela é classificada pela medicina oficial, que é quando a pessoa sofre taquicardia, suores, passa mal ou desmaia, por estar longe do telemóvel, então há pessoas que até no banho precisam de olhar e ver onde está o telemóvel

Terminou dizendo que “estamos numa fase de transição, temos tendência a ir sempre para os extremos com algo novo. O ser humano é viciado na internet, e isso pode fazer com que converse menos, presencialmente, com as pessoas. Mas em compensação, através da internet, temos contacto com muito mais gente. Então acho que estamos a caminhar para um processo de equilíbrio. Antes conversávamos apenas presencialmente, hoje é maioritariamente pela internet. Acho que vamos conseguir chegar a um ponto em que dosearemos tudo isso”.

A escritora revelou ainda ao Infocul que “temos um livro novo para sair aqui em Portugal, que se chama ‘Cajados’, como se cada cajado fosse um arquitecto de personalidade e que tem a ver com a missão do que você vem fazer na terra”.

Código da Alma” é editado em Portugal pela Editora Planeta e revela algumas das causas secretas das doenças e inclusive aconselha alguns comportamentos preventivos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.