Paulo Sande: “Não podemos continuar a assistir a este crescente desequilíbrio entre países, regiões e pessoas. É impossível e isto não permitirá à Europa sobreviver”

 

 

 

O Auditório da Associação Mutualista Montepio (AMM) recebeu esta sexta-feira, 10 de Maio, a apresentação das conclusões da consulta pública “Vamos construir juntos a Europa Social de amanhã”. No final, O Infocul falou com Paulo Sande, candidato às eleições europeias pelo Aliança, sobre algumas das ideias que defende para o continente europeu.

Sobre o Estado Social Europeu, e as medidas que levará caso seja eleito, prometeu “levar a necessidade de tornar esta questão numa questão central, de usar bem os mecanismos que já existem e que têm de ser muito valorizados e acima de tudo mais eficazes”, porque defende que “a Europa precisa de recuperar a sua coesão social, não apenas, mas também económica, territorial…mas sobretudo a coesão social. Nós não podemos continuar a assistir a este crescente desequilíbrio entre países, regiões e pessoas. É impossível e isto não permitirá à Europa sobreviver. Portanto a primeira coisa a fazer é mudar este paradigma, fazer com que na Europa a dimensão social passe a ser uma dimensão central outra vez, mas sobretudo que o seja em termos práticos e que consigamos recuperar aquilo que sempre foi o paradigma europeu”.

Sobre a formula que permitirá que os europeus tenham mais rendimento, explica que se baseia em “crescimento económico, crescimento económico, crescimento económico! Não há outra maneira. Ou criamos mais riqueza ou não conseguimos. Há aqui duas questões paralelas e não podemos ser utópicos. Uma é crescermos e outra é distribuirmos. Se nós crescemos mais temos de distribuir melhor o que não podemos é distribuir melhor sem crescer mais. Ou melhor, podemos distribuir melhor mas vamos distribuir aquilo que não existe ou que existe menos e isso naturalmente frustrando expectativas vai continuando a alimentar o ressentimento e contra esse ressentimento temos de lutar porque o ressentimento alimenta por sua vez movimentos e tendências que são perigosas. Para fazermos isso temos de enfrentar esta realidade e perceber que sem crescimento económico não é possível”. Acrescentou que “defendemos uma mudança de políticas em alguns países na Europa, eles têm de ser convencidos de que estão a colocar em causa o projecto europeu e isso não é a seu favor nem do seu interesse” e dando o exemplo concreto da “Alemanha, uma inversão da lógica alemã, que tem de investir mais, ter uma cultura mais expansionista, tem de no fundo conseguir alimentar as outras economias europeias para que depois a coesão se faça também por aí. Claro que isto não é uma questão de bondade, é uma questão de interesse, é uma questão de sobrevivência, isto tem de ser feito e ao mesmo tempo temos que fazer a mesma coisa em Portugal também. Temos de conseguir em Portugal que o reequilíbrio, nomeadamente o territorial, que arrasta depois o social, volte a ser predominante. Ou melhor, que seja predominante, porque neste momento não é. Somos um país extremamente desequilibrado e não podemos exigir à Europa que nos ajude se não o fizermos depressa”.

Uma das temáticas mais debatidas ultimamente tem sido a questão da agricultura intensiva, e para resolver esta questão, Paulo Sande, defende “equilíbrio, equilíbrio, equilíbrio”. Explicou que “tenho estado em muitas zonas do interior onde a agricultura intensiva se tornou um paradigma, tem crescido e tem a ocupação de terrenos de que se fala, etc, obviamente que tem consequências em termos ambientais e essas consequências têm de ser tidas em conta. Mas também não podemos pensar que é deixando de usar esses terrenos e utilizando outras opções que não são economicamente viáveis que depois atacamos o outro problema do desenvolvimento económico e da própria ocupação do terreno. Portanto ouvindo os agricultores e ouvindo os ambientalistas há um caminho de equilíbrio e em que os dois interesses podem ser efectuados. E tem a ver com muita coisa, eu não sou obviamente especialista em agricultura, mas tem a ver com aquilo que se passa em muitas áreas que é no fundo conseguir satisfazer o melhor possível os dois interesses de uma forma equilibrada e fazer com que a agricultura seja economicamente viável e sirva essas preocupações, ajude a criar postos de desenvolvimento que é a nossa grande visão, se quiser, e ao mesmo tempo não contribuir para o degradar irreversível. Deixe-me só dizer isto, o desenvolvimento sustentável é a palavra certa, não apenas para nós, mas para toda a gente”.

Uma das palavras que mais usou neste evento promovido pela Associação Mutualista Montepio foi ‘convergência’. Questionámos-lo, no final, se sendo necessário convergir e fazer acordos, como se explica o surgimento de novos partidos e movimentos. Para Paulo Sande “de facto há razões que alimentam esse tipo de discurso. Há razões concretas e depois provavelmente essas razões concretas que se vão levar ao parlamento europeu manifestadas através de partidos políticos. Há partidos políticos que crescem e que vão estar sentados no parlamento europeu, o que eu digo é que temos de enfrentar essa realidade e temos de assumir essas causas e dar-lhes soluções, mais uma vez, concretas, equilibradas, eficazes e que não são necessariamente a que eles propõem e que também não sejam más para os europeus, pelo contrário têm de ser boas!”.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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