Pedro Mota Soares: “A única forma de Portugal conseguir corrigir a sua assimetria e voltar a ter pessoas no interior é com a agricultura”

Crédito: Pedro Mota Soares/Facebook

 

 

O Auditório da Associação Mutualista Montepio (AMM) recebeu esta sexta-feira, 10 de Maio, a apresentação das conclusões da consulta pública “Vamos construir juntos a Europa Social de amanhã”. No final, O Infocul falou com Pedro Mota Soares, candidato às eleições europeias pelo CDS-PP, sobre algumas das ideias que defende para o continente europeu.

Pedro Mota Soares começou por nos explicar que “o CDS acredita muita na construção do Estado Social em parceria e por isso mesmo nós sabemos que em Portugal e na União Europeia o modelo social que queremos construir é um modelo que tem o estado, o estado tem mesmo muitas obrigações nesta matéria, mas não tem só o estado”.

Defende que “há muitas entidades da economia social (podem chamar-se misericórdias, mutualidades, cooperativas, IPSS) mas que têm na sua natureza a capacidade de servir outros, servir portugueses. Nós sabemos que em Portugal há uma grande preocupação com uma taxa de poupança muito, mas mesmo muito reduzida. Era importante que o Estado numa lógica verdadeira de devolução de rendimentos pudesse baixar um bocadinho a carga fiscal sobre os portugueses. Neste momento temos a carga fiscal mais elevada de sempre e estamos com os serviços público mais reduzidos de sempre. Por isso mesmo era importante mudar este modelo e o CDS vai lutar muito, quer no plano nacional quer europeu, por esta matéria”.

Esclareceu que “relativamente à economia social achamos que o Estado tem de ir mais longe. Estamos agora a negociar o quadro financeiro plurianual, é um palavrão para significar o dinheiro que vem de Bruxelas para Portugal, era muito importante que desse dinheiro muito fosse alocado no apoio social às famílias, no serviço social aos mais idoso, no serviço social a quem por exemplo tendo um idoso a cargo dá muito de si, um cuidador que presta os cuidados mais importantes à sua mãe, ao seu pai, ao seu marido ou à sua mulher. Temos um problema muito sério na demografia com poucas crianças, nós temos de usar muito melhor o dinheiro de Bruxelas para podermos ter serviço social para mais crianças, para podermos ajudar as famílias a terem as crianças que verdadeiramente desejam. Para nós a Europa é efectivamente aqui, usar bem o dinheiro de Bruxelas para melhorar a vida dos portugueses é vital”.

Pedro Mota Soares foi ministro no governo anterior, que liderou o país sob forte austeridade e com a Troika a definir regras apertada. Se nessa altura os sacrificios foram muitos e a linguagem política ia nesse sentido, actualmente há uma linguagem mais positiva embora com carga fiscal elevada. Sobre esta mudança, quer de linguagem quer do governo PSD-CDS para PS com apoio dos partidos de esquerda, diz que “tínhamos uma ética social na austeridade. O país esteve à beira da bancarrota e nós tivemos de pedir muitos sacrifícios aos portugueses. E os portugueses aguentam muitas vezes os sacrifícios, não aguentam são os contrastes. Conseguimos por exemplo numa altura social muito difícil garantir que as instituições sociais que estavam efectivamente a servir as pessoas tivessem mais condições para o fazer. Se Portugal manteve a sua coesão social, se Portugal não partiu a sua coesão social, isso deve-se ao trabalho incansável de muitas instituições sociais que de norte a sul do país deram respostas na emergência alimentar, deram respostas aos mais idosos, deram respostas a casais desempregados que se viram pela primeira nessa situação”.

Acrescenta que “hoje, graças ao mérito dos trabalhadores e empregadores, Portugal conseguiu dar a volta. Nós hoje temos crescimento económico e numa altura de crescimento económico nós devíamos estar preocupados em redistribui-lo melhor. Quando temos um sistema, um país e um governo que acima de tudo se preocupa em aumentar a carga fiscal sobre os portugueses percebemos que esta é uma opção errada. Para nós há uma alternativa, estes quatro anos significaram uma oportunidade perdida, Portugal tem de se capacitar para crescer mais, porque com mais riqueza podemos distribuir mais mas acima de tudo temos de libertar quem trabalha, libertar quem vive do seu esforço e do seu rendimento, E a liberdade de que estamos a falar implica menos impostos para podermos fazer mais e ir mais longe”.

Sobre a temática da agricultura intensiva explicou o que defende. “Sejamos completamente honestos e transparentes. A única forma de Portugal conseguir corrigir a sua assimetria e voltar a ter pessoas no interior é com a agricultura. Não é apenas com a agricultura, mas a agricultura é um componente muito importante. Portugal recebe muito dinheiro de Bruxelas para colocar na agricultura, no anterior quadro comunitário, no PRODER, conseguimos, na altura com a Ministra Assunção Cristas, utilizar esse dinheiro a 100%. Neste momento, a dois anos anos do final do quadro comunitário, as verbas que tem a ver com inovação, investimento, capacitação, novas exportações, são verbas que estão executadas a 30%. Ainda temos de executar mais 70%. O CDS já disse de forma clara que o governo devia colocar mais 200 milhões de euros para podermos garantir a execução de todas as verbas e irmos mais longe e essa é a forma absolutamente essencial de garantirmos no interior do país que fixamos pessoas”.

Defende ainda que “a agricultura mesmo a mais especializada tem de olhar sempre para a sua sustentabilidade, trabalhar na sustentabilidade dos recursos é para nós absolutamente essencial. Mas sejamos francos, Portugal tem um problema neste momento referente à retenção da água no interior do país. Precisamos de um plano nacional de barragens que alimente o regadio, sem água não vamos conseguir desenvolver a nossa agricultura, esse é um dos maiores problemas que nós temos. Ainda para mais quando Portugal é um dos países que tem mais dificuldades no âmbito das alterações climáticas e que está muito exposto a fenómenos extremos. Cada vez mais a água que cai, cai fora de época, como nós armazenamos essa água e a podemos utilizar é a grande questão”.

Sobre as propostas culturais do programa defende que “na Europa um dos grandes atractivos e uma das grandes diferenças que Europa tem no mundo, e Portugal tem na Europa, é a sua cultura própria que é especifica. Não é a toa que o maior destino do mundo é a Europa, se olharmos para ela globalmente, não é a toa que as pessoas estão a escolher Portugal como grande destino turístico. Certamente que as nossas praias são magnificas, que o sol é magnifico mas as cidades e património que temos, a gastronomia que temos, esta é uma dimensão muito importante. Mas também a programação cultural em Portugal, há uma enorme oportunidade económica também na cultura. A cultura não é só economia mas também é economia e nós achamos que temos de olhar para esta questão com tudo o que esta área tem dado ao país, do ponto de vista turístico, da fruição cultural dos portugueses e para nós é uma área muito importante”.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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