As eleições presidenciais têm dado espaço a que ideias que têm como objetivo desacreditar os partidos e instaurar a desconfiança nestes tenham um eco especial. 

 

Há uma certa grupeta, que observou que isto do populismo até é popular e assinalou os políticos e até as juventudes partidárias como uns dos alvos da sua campanha. Estes dizem que se fazem acompanhar dos puros da política, dos salvadores ou redentores que nunca entraram no “sistema”, os bem-intencionados, aqueles que nunca pisaram uma sede partidária nem trocaram ideias nem militaram numa juventude partidária. 

 

Acredito que em democracia este tipo de argumentário não é fora da caixa, nem positivamente diferenciador. Mas antes fora da noção democrática que tenho construído. Esta retórica é antes destruidora da instituição a que se candidatam porque toda esta é política, toda esta requer alguém com capacidades políticas para a função, requer alguém que conheça o sistema e o seu modo de funcionamento.

Quero para Presidente da República alguém que conheça as suas fragilidades e se comprometa a resolvê-las por dentro, não desejo um presidente revolucionário, quero alguém com experiência cívica e/ou política, ainda que esta não seja partidária. 

 

Elejo a retórica como uma das mais prejudiciais à nossa democracia e comete uma série de erros desde a sua concepção. Ora vejamos: Portugal é uma democracia e vigora um regime semi-presidencialista, que directamente pressupõe uma representatividade na assembleia da república dos cidadãos pelos deputados de partidos políticos por estes eleitos. 

 

Por não pertencerem a uma classe superior, os políticos, não são mais que cidadãos e desta feita é natural que os cidadãos, na sua liberdade se envolvam e participem nos partidos e militem de acordo com aquilo que consideram, por excelência, a sua visão de sociedade. Assim, percorrendo as faixas que compõem a pirâmide etária portuguesa é também natural que aos jovens, também estes com visões de sociedade, se queiram envolver em associações, agremiações e também em juventudes partidárias. Estes jovens, que são o futuro da política portuguesa, não são menos capazes nem menos válidos por se envolverem ativamente em “jotas”. 

 

Entrar neste jogo dos “puros” contra os “impuros” traz problemas. Problemas que percorrem a latitude desde o fomento da desconfiança da população nos jovens políticos até ao afastamento de jovens da política comprometida.

 

Investir nesta retórica pode até ser considerado um ato de desconhecimento. 

Porventura faltará a este candidato, experiência partidária, conhecimento do que de bom se faz nos partidos. Faltará conhecimento das boas pessoas que militam nos partidos e juventudes partidárias. Falta-lhe conhecimento da mais valia que é a militância desinteressada numa “jota”. 

 

Um discurso presidencial desempoeirado não carece de discursos baratos de fomento da desconfiança nos partidos políticos, muito menos quando feito por Tiago Mayan Gonçalves, um fundador de um partido e cujo mandatário para as eleições presidenciais, Michael Seufert, foi presidente de uma juventude partidária. Ter um discurso disruptivo e com novidade é apelar à reinvenção do sistema, é reinventar os partidos e as suas juventudes partidárias, é aproximar os cidadãos da política participativa. 

 

Estar na política com sentido empreendedor é não recorrer a bafientas práticas para cativar eleitores, estar na política com verdade e representando confiança é ser coerente com o discurso e prática, a novidade na política é sempre bem-vinda, os velhos populismos não.


José Coutinho
Presidente da Juventude Popular Distrital de Setúbal