Presidente da ANPC alerta “num mundo rural tão desertificado como é o português se não for a caça e o turismo cinegético seria praticamente impossível povoar”

 

 

 

O espaço Espelho de Água, em Lisboa, recebeu esta quarta-feira, dia 5 de Dezembro, a apresentação do livro “O Sol Sorri à Mão Fatal”, da autoria de Pedro Vieira e Luís Mira, cuja temática aborda 25 anos de caça às perdizes. Nesta ocasião marcou presença o presidente da ANPC (Associação Nacional de Proprietários Rurais Gestão Cinegética e Biodiversidade), António Paula Soares, que em entrevista ao Infocul abordou a importância deste livro, o primeiro sobre caça nos últimos 10 anos, e ainda sobre a polémica que a temática da caça desperta em alguns sectores da sociedade actual.

 

 

 

Portugal vive uma fase complicada no que à caça diz respeito, até pelo crescente número de movimentos que tentam abolir esta prática, sendo por isso de enorme importância este livro que agora é lançado, embora especificamente sobre a temática da caça às perdizes, acaba por demonstrar um pouco de toda a envolvência de quem está ligado à caça e também sobre os valores defendidos nesta arte.

 

 

 

António Paula Soares revelou-nos que “é de facto um momento histórico, realmente há muito tempo que não saía nenhum livro sobre a caça e a grande importância disto é que realmente vivemos tempos de mudança, vivemos tempos em que as pessoas cada vez mais estão afastadas do mundo rural, a sociedade está cada vez mais urbana, há um desconhecimento que por vezes levam a uma perseguição aquilo que é uma realidade do mundo rural e uma ignorância e uma incompreensão da mesma e termos hoje em dia na nossa sociedade um grupo de amigos que realmente retrata o que é que é a vida de caça, o que é que é um dia de caça, o que é que a caça representa para o mundo rural, desde que as pessoas saem de casa, a toda a economia transversal que cria e que permite que o mundo rural tenha ainda algum dinamismo, permite que haja a conservação da natureza, permite que haja a biodiversidade que as pessoas das cidades tanto apregoam, mas nenhuma sabe como é que se faz e realmente esta economia que estes grupos de amigos e que estes grupos de caça conseguem criar no mundo rural está hoje espelhado num livro, é um livro corajoso, não pelo seu conteúdo, mas pelo tema que hoje em dia, nesta altura em que se persegue o mundo rural haver um livro que realmente espelha essa realidade”.

 

 

 

Uma das vertentes que muitas vezes não tem sido abordada no que à caça diz respeito é o turismo. António Paula Soares revelou-nos que “o turismo de caça está a crescer, em termos de procura de estrangeiros está a crescer com um potencial muito grande, nós estamos limitados por algumas leis e alguns processos, que por exemplo a nossa vizinha Espanha não tem. A caça perdeu muito com a crise, a caça é um hobby, um hobby que pode ser caro, há todo o tipo de zona de caça e de estruturas de caça para todos os ramos da sociedade e é comum e temos de facto problemas inerentes, como é o caso da doenças que afectam o coelho bravo, que era a caça por excelência do caçador português e que tem sido uma problemática e isso afectou bastante em conjunto com a crise económica que mandou muito para baixo o sector da caça, mas que tem vindo de ano para ano, desde que conseguimos melhorar um bocado a economia e a caça tem vindo a ocupar o seu lugar na sociedade e no mundo rural”.

 

 

 

O presidente da ANPC foi ainda questionado se existem dados sobre o impacto económico que a caça tem no país, referindo que “em termos económicos infelizmente não temos, temos previsões mas que é atirar números muito por alto, mas sabemos que por exemplo em Espanha é algo que movimenta muito. Hoje em dia num mundo rural tão desertificado como é o português se não for a caça e o turismo cinegético seria praticamente impossível povoar, apesar de ser um povoamento muito fraco”.

 

 

 

Outra das vertentes que tem aumentado em Portugal é o turismo rural, que acaba por ter “uma relação directa, porque o turismo rural de excelência que se vive hoje em dia no campo em Portugal tem feito o tal factor de diferenciação que faz com que os estrangeiros tenham este apelo, ou seja, o estrangeiro procura em Portugal bom tempo, a paisagem, a comida e conjuga tudo isso com a vinda de caçar em Portugal”.

 

 

 

Sobre os ataques que têm existido a temáticas como a caça, a tauromaquia, entre outras, António Paula Soares informa que “fala-se muito em populismo, em Portugal diz-se que vamos tentar travar o populismo, mas o populismo já entrou em Portugal, entrou foi por uma vertente contrária, ou seja, hoje em dia principalmente nos últimos três anos onde temos tido ataques políticos e ideológicos muito fortes de partidos como o PAN, o BE, o próprio PEV e outros deputados de outros partidos políticos, são todas tentativas proibicionistas, aquilo que se está a passar claramente em Portugal é uma perseguição ideológica, é quase uma perseguição étnica, ou seja, porque há sectores de actividade do mundo rural que hoje em dia são perseguidos por uma questão ideológica sem sequer haver um fundamento claro dessa perseguição”. Questionado sobre aqueles que alegam que a caça é uma actividade violenta, “vou-lhe rebater da maneira mais simples e clara possível, só há um sitio em Portugal onde há lince ibérico, onde existem ninhos de águas imperiais e é no parque do Vale Guadiana e o que é que existe neste vale? Única e exclusivamente zonas de caça turísticas, ou seja todo o parque do Vale do Guadiana é gerido de uma maneira extremamente profissional, de uma maneira organizada totalmente direccionado para a caça, o que fazendo essa gestão, faz que se fomente as espécies de perdizes, fomente os coelhos…

 

 

 

Sobre as próximas actividades previstas pela ANPC informa que “a ANPC está com uma aposta muito grande em criar uma imagem muito positiva da gastronomia ligada à caça temos de facto aí uma grande peça chave daquilo que é fazer esta ligação do que é a realidade da caça com a sociedade em si”.

 

 

Fotografia: ABDBCommunicare

 

 

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Notícia publicada a 07/12/2018


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