Que futebol teremos no futuro?

 

 

O futebol, além de um desporto coletivo passível de ser jogado da forma mais simples possível (bastam duas balizas, uma bola e um terreno), é também uma realidade social com uma evidente influência social, cultural, económica e política, desde o início do século XX e até aos nossos dias. Essa realidade sofreu profundas transformações ao longo do tempo. Neste artigo, perguntamo-nos se não estaremos a assistir a uma nova transformação.

 

 

Do futebol amador…

O futebol da primeira metade do século XX era, acima de tudo, amador. Os jogadores tinham remunerações simbólicas e jogavam principalmente por amor à camisola, eternizando-se nos seus clubes. Ainda que a importância política do desporto já fosse evidente, o amadorismo permanecia.

 

 

ao futebol profissional…

Entre as décadas de 1950 e 1980, lentamente mas de forma decisiva, o futebol profissionalizou-se nos seus principais campeonatos. Os clubes passaram a comprar e vender jogadores, que assumiram o desporto como a sua única profissão, nalguns casos com ganhos já bastante interessantes. Enquanto profissionais, os jogadores passaram também a encarar com outros olhos a oportunidade de jogar onde as oportunidades fossem mais atraentes.

 

até ao futebol virtual e global

A lei Bosman, ainda que não tenha trazido grandes benefícios ao jogador que lhe deu o nome, representou a conclusão deste processo de profissionalização. Ao mesmo tempo, talvez venhamos a considera-lo como uma início de uma nova fase, em que o futebolista passa a estar cada vez mais no centro das atenções, em lugar do clube.

Diversos jogadores assumiram este “high-profile”, mas talvez nenhum como Cristiano Ronaldo. A sua transferência do Real Madrid para a Juventus representou uma mensagem bem clara: “eu não preciso da marca do Real Madrid, eu sou a minha própria marca”. Os números de vendas de camisolas e a forma como o campeonato italiano ganhou interesse na presente época provam que o futebol moderno já não se mede exclusivamente em função da ligação apaixonada a um determinado clube, que caracterizou o século XX.

A importância das apostas desportivas também vem à baila. Uma boa parte das receitas do futebol europeu provém agora deste negócio; em Inglaterra, 9 equipas da Premier League e 17 do Champioship têm um patrocínio de casas de apostas. (Clique aqui para jogar no ApostasBrazil ou ver as opções existentes.) Em Portugal, naturalmente, a Primeira Liga já teve o patrocínio de uma destas marcas.

Finalmente, o grau de profissionalização do futebol já foi levado ao ponto de as SAD serem entidades autónomas, praticamente independentes dos seus adeptos. Prova disso é o facto de Moreirense e Desportivo das Aves terem vencido troféus oficiais nesta década (Taça da Liga e Taça de Portugal, respetivamente), conseguindo manter níveis de competitividade impensáveis com o simples recurso à venda de bilhetes – tendo em conta que as respetivas localidades, Moreira de Cónegos e Vila das Aves, são meras freguesias (pertencendo a Guimarães e Santo Tirso, respetivamente). Na verdade, trata-se de futebol ultra-profissionalizado, com altos níveis de gestão. E ao mesmo tempo, o Belenenses enfrenta uma divisão entre o clube e a SAD, com consequências inéditas em termos jurídicos e de lealdade dos adeptos, obrigados a escolher entre as duas partes.

E o que acontecerá aos campeonatos nacionais quando avançar a Superliga Europeia, em regime de competitividade fechada? Não será que o futebol se vai tornar ainda mais globalizado e transnacional?

One thought on “Que futebol teremos no futuro?

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    Boa reflexão. Nesta fase a questão da lealdade dos adeptos do Belenenses já está esclarecida. Agora, o que se está a passar domingo após domingo – nos campos onde os adeptos vão (e no estádio do Jamor vazio) merece estudo aprofundado, sobre o que é um clube, o que é uma marca, e em que medida é viável “comprá-los”.

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