Realidade ou ficção científica?

Antes de mais nada, espero que os leitores do Infocul estejam bem e em segurança nestes tempos tão duros para todos!

Quando fui desafiado a ter uma crónica regular por aqui, escolhi o dia 22 por ser o meu número preferido e cá estou eu a partilhar alguns pensamentos meus numa altura na qual podemos todos encarar de várias formas: com um sentimento de pessimismo ou com esperança no futuro, apesar de todas as incógnitas que todos enfrentamos.

Nunca poderíamos imaginar que iríamos viver uma situação semelhante a esta no nosso tempo de vida. Mais habituados a estes cenários apocalípticos em filmes de ficção científica, eis que nos bate à porta uma pandemia que nos obrigou a “parar”!

Podemos atribuir ao Universo uma mensagem superior ou divagar sobre dados estatísticos ou um sem número de coisas e teorias.

Como dizia atrás podemos olhar para tudo isto de várias formas e eu escolho (apesar de todas as condicionantes) olhar para o futuro com otimismo ou pelo menos com esperança no futuro.

Em primeiro lugar porque os condicionamentos são gerais e afetam a todos, todas as áreas, todos os negócios (ou quase todos!), classes sociais, etc, etc. Não afetarão de igual forma já que se acentuam as desigualdades sociais uma vez mais, mas como ponto de partida, sim, estamos todos num barco semelhante.

Depois, porque nos obrigou a parar ou a reinventar a nossa forma de estar. Mais tempo em família, mais tempo com os filhos, múltiplos desafios em termos de trabalho, mais tempo de reflexão.

Aparte de todas as coisas que temos que pensar do ponto de vista dos negócios e da gestão – e como é sabido os desafios para a restauração são enormes -, importa saber como nos vamos reinventar depois de tudo isto… Desde logo, se a cooperação e a solidariedade estarão a par e passo com o reerguer da economia. É interessante participar em campanhas, como eu já participei na do Ministério da Agricultura que procura chamar a atenção para o consumo de produtos nacionais e assim “Alimentar quem nos alimenta”, mas depois de tudo isto, vamos colocar isto em prática ou será só um momento emotivo no meio de tudo isto?

É muito bonito cantar e bater palmas à janela às 22h00 para apoiar os profissionais de saúde e demais trabalhadores na linha da frente, mas depois de tudo isto vamos estar lá para os apoiar incondicionalmente ou vamos voltar à crítica mesquinha?

Estaremos realmente juntos num esforço conjunto depois de tudo isto acabar ou vamos esquecer rapidamente este período de provação e voltamos ao nosso “velho normal”?

Vamos aproveitar este confinamento para sermos mais solidários uns com os outros? Vamos aproveitar este desafio para estarmos mais próximos uns dos outros e fomentar o apoio entre todos ou vamos voltar ao mesmo registo quando for possível voltar a faturar como se não houvesse amanhã?

Na restauração os desafios são tremendos e eu, como tantos colegas de profissão, enfrentamos diariamente questões e decisões difíceis. Continuamos a “alimentar” a economia com os nossos impostos, salários e custos operacionais (ainda que nalguns casos um pouco mais reduzidos) mas este é também um período para percebermos o que podemos fazer diferente sem grandes danos colaterais. Um cozinheiro (ou um chef, como preferirem) e que acumula a difícil tarefa de ser também empresário tem uma enorme responsabilidade para com os seus funcionários, que representam dezenas de famílias. Esta é, talvez, a minha maior inquietação, que creio seja também dos meus colegas. E é também aqui que se percebe de que tamanho é o “barco” onde navegamos. A dimensão, é antes demais humana!

Depois de tudo isto será um tempo de muita racionalidade, que é absolutamente necessária para conseguir crescer, mas que não se perca toda a suposta transformação emocional que este período nos trouxe, sob pena de ter sido tudo absolutamente em vão.

Cuidem-se e cá nos encontraremos em junho!

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