Restaurante Pançona: O Engenheiro Florestal que se tornou cozinheiro e uma carta de deixar água na boca

Foto: Parque Natureza de Noudar

No passado fim-de-semana o Festival Terras sem Sombra esteve em Barrancos e no domingo toda a actividade desenvolveu-se no Parque de Natureza de Noudar, culminando com um almoço no Restaurante Pançona, aqui também situado.

Nuno Santos é o cozinheiro deste espaço, com uma simples mas bonita decoração, que conta com uma carta que só de ver deixa água na boca… Ao degustar, ficamos rendidos.

E em conversa com Nuno Santos, descobrimos uma história de vida maravilhosa, ou pelo menos peculiar.

Nuno Santos é natural do Porto e é engenheiro florestal por formação. A cozinha surgiu por acaso, o que ninguém diria após ter uma experiência gastronómica, por si confeccionada.

Sou engenheiro florestal de formação, mas pouco exerci a minha profissão. Exerci antes de terminar o curso, mais do que depois de terminar o curso. Sou um Chef por acaso, mas sempre fui cozinheiro. Fui cozinheiro dos irmãos, fui cozinheiro na universidade e continuo a ser cozinheiro aqui”, disse-nos

No Restaurante Pançona, no Parque de Natureza de Noudar, “é tudo baseado nos produtos locais. O produto local, aqui, mais procurado é o porco preto. Então, a grelhada de porco preto é obrigatória para quem vem a Barrancos. Depois temos pratos tradicionais como o ensopado de borrego, o caldo de beldroegas (na altura das beldroegas), os ovos com espargos (na altura dos espargos), a sopa de cação (é o peixe que cá chega). Temos ainda o bacalhau, a açorda à moda de Barrancos que é feita com poejo e não com coentros”, começou por nos dizer.

No Parque de Natureza de Nouar, localizado na Herdade da Coitadinha, há várias hortas onde são cultivadas ervas aromáticas. Estas ervas são utilizadas na confecção, “quando estão cultivadas sim, neste momento não estão cultivadas porque estamos numa transição de culturas. Mas utilizamos essas e as apanhadas no campo, especialmente as apanhadas no campo como o poejo, espargos, acelgas que são apanhadas no campo. E é isso que tento apresentar nos pratos, mais o tomilho, ervas aromáticas, etc…”, revelou-nos Nuno Santos.

Nuno está desde início neste projecto, algo que surgiu “por convite. Eu já vivia num sítio muito pacato, de natureza e montanha. Fizeram-me uma proposta e para quem gosta de natureza, de sossego e distância das cidades, este é o local ideal”.

Sobre a reacção do público que ali tem-se dirigido, disse-nos que “tem sido bastante boa. Para quem procura o silêncio e natureza é óptimo. Para quem procura movimento, não é boa ideia, saem desiludidos. O projecto tem-se desenvolvido bem, tem uma vertente agrícola, de pastorícia, de turismo onde estou inserido aqui com o restaurante,. Os números têm demonstrado que isto está no bom sentido, tem aumentado de ano para ano e muitas pessoas gostam do parque de natureza. O verão é para os do norte, que optam pelo calor, e a primavera é para todos”.

Em termos de doçaria, o público pode esperar encontrar a “doçaria regional conventual. A sericaia está presente, os doces de requeijão, a Chakra que é uma sobremesa tipicamente barranquenha (e que leva ovos, pão, açúcar e manteiga) e anda tudo muito à volta do que é a doçaria regional e conventual, de Barrancos”.

Nuno Santos assume que “de alguma forma” é um homem de paixões e que “alimentar os outros é muito importante” e que lhe dá gosto “ver a satisfação e o prazer nas refeições” por parte dos clientes.

Revelou-nos que “fico emocionado sempre que gostam da refeição e fazem elogio aos pratos. Fico muito satisfeito e agradado. Faço sempre o melhor possível para agradar às pessoas e deixá-las satisfeitas”, acrescentando que “gosto de falar sobre os pratos e contar a história por detrás deles”.

Sobre as diferenças entre as tradições gastronómicas entre norte e sul, esclarece que “a minha tradição é do norte, não se confunde muito com a do sul. Os pratos aqui são muito mais voltados para a criatividade, as ervas aromáticas. Não trouxe nada do Porto, que é de onde eu sou, excepto a tradição familiar da minha mãe e da minha avó”.

Deixou ainda a curiosidade de que “a minha mãe ainda está connosco e gosta muito dos pratos que faço. Embora eu continue a achar que ela é melhor cozinheira, ela elogia-me muito”.

Algumas das especialidades aconselhadas a serem saboreadas são Bacalhau na brasa, Sopa de Cação, Ensopado de Borrego, Grelhada mista de porco preto, Rosbife à Noudar, Sericaia ou Requeijão no forno.

Quem fique alojado na Casa do Monte ou Casa da Malta, pode ainda usufruir de cestos de piquenique, desde que façam reserva e pedido antecipado. E Essas informações podem ser consultadas e esclarecidas aqui.

Curiosidade: Pançona é o nome de uma fonte situada nas margens do Rio Ardila, perto do Monte da Coitadinha, onde os barranquenhos costumam fazer piqueniques…

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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