Revolution Hope Imagination (RHI) chega a Portugal para “criar redes internas no país entre artistas, produtores e agentes culturais”

 

 

A Livraria Ler Devagar, no LX Factory, acolheu ontem a apresentação do evento Revolution Hope Imagination (RHI). Vários agentes e intervenientes da área cultural, turística e política marcaram presença.

O Objectivo passa por criar um diálogo entre a Arte e os Negócios, a Cultura e o Turismo, sendo isto conseguido com uma abrangente programação de talks, workshops e espectáculos por todo o país, no qual marcarão presença curadores, programadores culturais e artistas vindos de várias partes do mundo.

Ana Ventura Miranda, mentora do Art Institute, começou por nos revelar que “o Arte Institute promove a cultura portuguesa contemporânea, em todas as áreas como a música, artes plásticas, literatura, dança, cinema, várias coisas. Em Portugal, as pessoas já ouviram falar dos eventos promovidos pelo Arte Institute, mas muitas vezes não conseguem associar aquilo que está a acontecer e que somos nós que estamos a fazer, ou noutra parte do mundo, porque apesar de estarmos sediados em Nova Iorque, neste momento já fazemos 36 países no mundo e 85 cidades e fazemos uma média de 125 eventos por ano”.

Este projecto, o RHI, além da vertente presencial contará ainda com uma plataforma online que vai garantir a sustentabilidade dos objectivos da iniciativa, criando redes nacionais e, ao mesmo tempo, abrindo portas para a internacionalização dos artistas portugueses.

Assim, de 14 e 21 de Setembro de as cidades de Lisboa, Torres Vedras, Caldas da Rainha, Óbidos, Guimarães, Leiria, Alcobaça, Évora, Vidigueira, Loulé e Funchal acolherão esta iniciativa. Através do site www.rhi-think.com, será possível, depois do evento , fazer o booking de espectáculos portugueses e vai permitir já que agentes turísticos possam fazer o mesmo para os seus clientes que venham a Portugal.

Nesta apresentação, usaram da palavra alguns artistas como Rita Redshoes ou John Gonçalves (The Gift), sendo que questionámos Ana Ventura Miranda como surgem as parcerias, se é o Arte Institute que procura os artistas ou vice-versa, tendo nos explicado que “a Rita deu o caso dela, que é muito interessante, e foi completamente ao contrário. Eu já tinha a ideia, já tinha na minha cabeça que tinha de falar com ela e depois foi ela que me escreveu com uma super humildade que às vezes não se vê em algumas pessoas que têm a carreira que ela já tinha na altura. Depois há outras situações em que sou eu que penso naquele espectáculo, ou imagino aquele show, ou aquela ligação entre pessoas e depois eu promovo isso e dou uma ideia e umas vezes eles desenvolvem, outras vezes dou uma ideia mais clara e outras vezes são pessoas que nos escrevem”.

O Arte Institute celebra 8 anos e foi criado com a ideia de promover a cultura portuguesa em Nova Iorque. Questionámos Ana Ventura Miranda se houve algum artista que a tivesse desiludido, dizendo-nos que “às vezes ainda há uma coisa que me faz confusão, não é uma desilusão porque eu faço a minha parte e acho que as pessoas devem fazer a delas, mas há muita gente que eu ainda tenho de dizer que eles têm de pôr o nome do Arte Institute porque eles não chegaram a Nova Iorque sozinhos. Eu percebo que para as redes sociais eles queiram dar essa imagem que chegaram lá sozinhos, mas não chegaram e o facto de eles não nos referirem, não é que fiquemos magoados com isso, é simplesmente que os nossos patronos e as pessoas que têm o member chip e que pagam para nós conseguirmos fazer estas coisas precisam de ver o nosso logótipo e que também estão ligados a isso, e se eles não falam nisso corremos o risco de algum dia termos um apoio a menos”.

Na iniciativa que agora traz a Portugal, os curadores do RHI são já conhecidos: José Luís Peixoto, Afonso Cruz, John Gonçalves, Ivo Canelas, Marta de Menezes, Paula Abreu, Pedro Varela e Nuno Bernardo, entre outros.

Disse-nos ainda que “os 10 milhões e meio podem participar. Eu quero isto para o país, vão participar muitos estrangeiros, temos programadores, temos curadores, temos artistas, pessoas que vão vir para ficar a conhecer aquilo que nós fazemos nas artes em Portugal, mas eu tenho esta grande ambição que os portugueses se envolvam nisto, é um movimento positivo, é uma iniciativa, não é um festival”, expressando a ideia de que “acredito que o país se promove através da cultura, temos o caso do Brasil, dos Estados Unidos”, sendo que “está mais que provado, mas o que acho é que neste momento as pessoas se posicionem num aspecto positivo e que a sociedade civil compreenda que também tem o poder de mudar, em vez de ir para as redes sociais dizer mal, em vez de estar no Facebook a criticar tudo e mais alguma coisa, nós também temos o poder de fazer coisas. E por isso, nós, com esta iniciativa estamos sobretudo a tentar posicionar Portugal como um destino turístico cultural, promover o diálogo entre empresas e artistas e por isso é que estamos a trazer alguns estrangeiros, para ver outros modelos que são uma alternativa, nós não estamos a dizer que aquele modelo é que é bom em detrimento do europeu”.

Para a responsável deste projecto “é essencial criar redes internas no país entre artistas, produtores e agentes culturais através de uma descentralização pelo país e trazer mais programadores a Portugal para que conheçam os artistas e a cultura contemporânea portuguesa

De 12 de Abril a 12 de Maio, vai decorrer o call for artists, período em os artistas podem enviar as candidaturas de propostas de espectáculos que depois serão seleccionadas e integradas nos eventos RHI. Depois dos eventos de Setembro, os espectáculos passam a fazer parte da plataforma RHI em que qualquer produtor de qualquer parte do mundo passa a ter acesso, podendo assim conhecer o trabalho dos nossos artistas nacionais. As candidaturas estão abertas no site do Arte Institute (www.arteinstitute.org ) ou na plataforma RHI (www.rhi-think.com ). Para o público também há novidades. A partir de hoje, dia 12 de Abril, é possível tornar-se membro do RHI, através da inscrição na plataforma e ficar com um membership anual que oferece descontos nos eventos do RHI durante 12 meses. Tornando-se membro desde já, são cerca de 20 euros por one day pass para todas as talks e outras oportunidades exclusivas, como poder comprar os passes para a iniciativa, em Setembro, 48 horas antes do público em geral. Pode ver mais informação em www.rhi-think.com no menu membership.

Ana Ventura Miranda explicou-nos ainda que “a ligação que eu falei entre o turismo e a cultura, nós estamos a tentar fazer a ponte entre os agentes turísticos de fora, estrangeiros, que vêm cá com grupos de pessoas e querem às vezes visitar uma cidade mas depois à noite não têm nada para fazer naquela região. E porque é que não têm? Temos artistas que se calhar podem vir fazer esses shows só que é preciso alguém que os ligue, o RHI e o Arte Institute são essa plataforma que os vai poder unir porque no site há uma parte que é de reserva, onde as pessoas têm de se registar, como operador turístico e que é pessoa séria e que é um profissional da área, o mesmo para os bookers e é isto que estamos a tentar fazer, a ligar estas pontas todas”.

 

Fotografia: Arte Institute

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