Sensivelmente Idiota ataca o Chega e André Ventura: “Rimo-nos com a Facharrita a dizer que deixou de fumar graças ao fascismo”

O humorista Diogo Faro, conhecido como Sensivelmente Idiota, usou as redes sociais para novamente atacar o Chega e André Ventura.

 

Por vezes, o que se vem passando em Portugal parece-nos tão irreal que nos faz rir. Mas quando paramos um pouco para pensar a sério, não preocupa? Não assusta que o fascismo esteja a ser levado ao colo a uma velocidade tal que pode chegar ao poder no tempo de fumar um cigarro? Tudo isto já foi visto. Toda esta narrativa já foi usada por fascismos anteriores, e sempre com a conivência dos que se acham protegidos. Deus, Pátria e Família. O sonho erótico dos fascistas que querem regressar ao poder para alimentar o patriarcado protector das elites financeiras, destruindo minorias e liberdades pelo caminho. Hitler, Mussolini, Franco ou Salazar, a narrativa foi a mesma para todos, a narrativa é a mesma agora. Apoiados por parte do povo, subestimados por outra parte, e de passadeira estendida ainda por outra. Está tudo a acontecer outra vez. Rimo-nos com a Facharrita a dizer que deixou de fumar graças ao fascismo, enquanto o Ventura diz que marchará sobre Lisboa para instaurar a IV República, numa cópia orgulhosa do que fez Mussolini. Ah, diz também que o Chega é uma religião, enquanto se diz devoto católico e é apoiado por altas figuras da Igreja. A coerência não importa, nem a verdade ou a honestidade. Mente e engana o mais que pode. Toma os seus acólitos por burros. E entretanto, do Goucha ao Cavaco, do Rio ao Júdice, da CMTV ao Sol, e por tanto outro lado, a passadeira é-lhes estendida. Passe, facho, passe. Boa parte da Direita abre alas à negociação com a extrema-direita, nega o racismo sistémico em defesa do patriotismo, e agora até quer impedir que os jovens aprendam sobre direitos humanos, igualdade de género, direitos LGBTI+ ou preservação do ambiente. Salve-se a “família tradicional” abençoada pela Igreja e negue-se as alterações climáticas. A propósito do covid, a única preocupação é o Avante, como foram as manifestações contra o racismo. A Fórmula 1 com 30 mil pessoas não é preocupação, nem as praias cheias, nem a Feira do Livro a abarrotar, nem as missas apinhadas em Fátima, ou as manifs e comícios da extrema-direita. O ataque tem sido cerrado entre políticos de direita, cronistas e comentadores, e até a SIC, “por lapso” mostrou um meme que era uma capa falsa do NYTimes que falava em suicídio colectivo promovido pelo PCP. Concorde-se ou não com o Avante, seja-se ou não de esquerda, é preciso entender que tudo isto reforça diariamente, cada vez mais, a narrativa de Deus, Pátria e Família de uma parte da direita que quer impedir o progresso da liberdade, da equidade e da justiça, sob o jugo do nacionalismo, do sexismo, da homofobia e do racismo. As portas para o regresso do fascismo estão a escancarar-se com a complacência de muitos, incluindo do Costa e do Marcelo, e o futuro não se augura risonho. Nem sequer seguro, quando a violência e o autoritarismo são cada vez mais legitimados. É preciso fechar estas portas. Precisamos de políticos que a fechem, da esquerda à direita, de jornalistas e meios de comunicação social isentos, de cidadãos activos e empenhados. O tempo esvai-se, mas ainda o temos na mão. Não passarão.

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