O Teatro da Trindade, em Lisboa, recebeu esta terça-feira, 10 de Dezembro, a apresentação do filme ‘O Nosso Cônsul em Havana’.

O filme conta com a realização de Francisco Manso e vem no seguimento da série, com o mesmo nome, anteriormente emitida pela RTP1, com a mesma assinatura na realização.

A liderar o elenco, e interpretando Eça de Queiroz, está Elmano Sancho que em declarações ao Infocul começou por falar da diferença, para si, entre a série e o filme. “Enquanto actor as diferenças não existiram”, explicando que “a dificuldade foi na montagem, ou seja, como é que um projecto que foi pensado para uma série se consegue transpor para uma longa metragem de 2h15 e eu acho que o desafio foi exactamente para o Francisco e para a montagem”.

Em declarações ao Infocul, antes do visionamento do filme, disse ainda que “para mim o desafio vai ser ver o resultado, que ainda não vi, vou descobrir agora, enquanto que a série já tinha visto tudo antes de ela passar na RTP, a longa metragem não vi e estou curioso, porque sei que há algumas cenas que não foram aproveitadas na série e estão agora no filme, nomeadamente algumas cenas em Cuba e que eram lindíssimas na praia e por isso estou curioso saber se conseguem em 2h15 contar a essência da série, conseguir guardar a essência da série que é exactamente o trabalho do Eça de Queiroz em Havana como cônsul e a sua tentativa em melhorar as condições de vida dos chineses e esse é que é o desafio”.

O público que assistir ao filme, está prevista que vá para as salas de cinema portuguesas, vai “descobrir esta faceta do Eça que poucos conhecem. Eu já conhecia por outras razões, o meu irmão faz parte da diplomacia e então eu já sabia que o Eça além de escritor foi também diplomata ao longo da sua carreira acabando em Paris”.

Acrescentou ainda que “foi um homem que lutou, neste caso em Havana, pelas condições de vida dos chineses que viviam em depósitos, que eram explorados pelos latifundiários cubanos, é um homem humanista, é um homem que se preocupou exactamente por essa máxima utópica que é a igualdade de direitos de cada ser humano e faz sentido ser hoje neste dia e faz sentido continuarmos a lutar por esta igualdade do ser humano”.

Recordar que ontem, 10 de Dezembro, celebrou-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Por outro lado há uma coisa que é muito interessante em relação a estas personalidades e a estas pessoas, porque de facto é uma pessoa que viveu e existiu, são pessoas que nos parecem um bocado inatingíveis. Escritores, pintores, artistas e este lado, esta faceta do Eça, torna-o mais próximo do espectador, ou seja, foi um homem comum que se preocupou por outros homens que eram homens comuns, num sentido de que todos nós estamos aqui, temos direito à liberdade e a viver em condições”, explicou.

Ter interpretado Eça e os desafios que daí advieram, explicou que “a primeira coisa que o Francisco me disse, ‘não procures fazer uma aproximação do Eça de Queiroz’, até porque não há muito registo do Eça nesta idade, ou seja, entre os 28 e os 30 anos. Por um lado tirou-me um peso de cima das costas porque tentar uma aproximação de um homem que não deixou de ser misterioso, e que é esta figura para a cultura portuguesa, para um actor é um bocado assustador. O meu maior desafio foi tentar redescobri-lo através do que eu tinha lido do Eça, ou seja, voltei a ler romances e algumas cartas, correspondências que ele trocou e voltar a redescobrir este homem e através da minha voz e do meu corpo dar-lhe existência e exactamente de não ser uma reconstituição fiel e ser também uma ficção, permitiu-me ter esta liberdade como actor de criar esta personagem”.

Neste evento marcaram presença várias individualidades como Dom Duarte de Bragança, executivos camarários, de localidades onde o filme foi rodado, actores, técnicos e também o Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva.

Em declarações ao Infocul, disse que “eu acho que a historia está cheia de histórias e é sempre muito interessante quando se descobre na história dos homens, nas historias com H grande as pequenas histórias que desconhecíamos. E o caso deste lado do Eça de Queiroz que é menos conhecido, e o Francisco Manso teve o mérito de o recuperar e ainda por cima um lado que tem a ver com os direitos humanos”.

José Fragoso, director de programas da RTP, canal que transmitiu a série e que apoia agora a longa-metragem para cinema, disse ao Infocul que a aposta em séries de ficção nacional “é uma aposta consistente da RTP, já há muitos anos. A RTP desenvolve em cada momento, e nós temos neste momento em desenvolvimento entre 10 e 12 séries com 3 episódios, 6, 8, 12 episódios, em 2018 já lançamos um conjunto de series, em 2019 lançámos 10 séries originais e todas elas são trabalhadas com produtoras portuguesas independentes, diferentes uma das outras, com grupos de actores diferentes de um caso para outro, com equipas técnicas de produção portuguesa, e isto significa que esta aposta da RTP vai ao encontro daquilo que disse, que é apostar no talento nacional, seja ele ao nível dos guiões, actores, das equipas criativas, até às equipas técnicas que também participam nestes trabalhos”.

Explicou ainda que é “um investimento muito significativo que a RTP faz anualmente ao nível da ficção nacional, e que está materializada nas emissões da RTP1, e nós temos previsto até ao final deste ano concluir este ciclo de 10 séries novas. O ‘Conta-me como foi’, foi a série que estreamos este sábado e em 2020 vamos manter esse ritmo, praticamente vamos ter uma nova série portuguesa por mês”.

Texto e Entrevistas: Rui Lavrador
Fotografias: Nuno de Albuquerque

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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