Terras sem Sombra em Castro Verde: Da Basílica Real ao ciclo da lã

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O Festival Terras sem Sombra assentou arraiais este fim-de-semana em Castro Verde onde além do concerto da Academia de Música de Liszt, teve ainda como pontos de interesse maiores a visita ao património histórico do centro de Castro Verde e a Acção de Biodiversidade em volta do ciclo da lã e da transumância.

 

 

No sábado, na visita pelo património histórico há como grande destaque a vista efectuada à Basílica Real de Castro Verde. É interiormente imponente, contrastando até com a subtileza exterior, destacando-se os frescos no tecto e os azulejos que quase a totalidade das paredes internas.

 

 

A Batalha de Ourique, de extrema importância para a nossa história, encontra-se sublimemente representadas nas gravuras firmadas nesses azulejos que datam do Séc. XVIII, dando um encanto ainda maior a uma basílica que nos arrebata assim que nela entramos. Os frescos que se encontram no tecto são da autoria de Pimenta Rolim e de dois artistas de Beja, José e Manuel Pereira Gaviado. Ainda relativamente a esta Basílica informar que lhe foi concedido o titulo de Basílica Real por D. João V numa homenagem prestada a D. Afonso Henriques pela sua vitória sobre os cinco reis Mouros a 25 de Julho de 1139, dia de Santiago. Santiago que foi o patrono da luta contra os mouros.  A construção deste monumento data de 1730 num projecto pedido por D. João V e atribuído ao arquitecto João Antunes, da Ordem de Santiago.

 

 

No interior deste monumento não podemos deixar de mencionar o Tesouro da Basílica, núcleo museológico de arte sacra, onde se podem apreciar algumas das alfaias religiosas mais importantes do concelho, com especial destaque para a Cabeça-Relicário de São Fabião (Casével) e a Custódia da própria Basílica. Este Tesouro está integrado na rede de núcleos de arte sacra do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja.  Sobre a Cabeça- Relicário de São Fabião, dizer que era antigamente usada como tratamento para as doenças dos animais e pessoas, através do hálito.

 

 

Esta Basílica está classificada como Monumento de Interesse Público, contudo corre sérios riscos de fechar por questões de segurança com responsabilidades para o Estado português. Está a atingir uma situação de ruína, tendo este ano chovido no seu interior de modo abundante. Para piorar a situação, há  “hipótese de colapso de uma parte do edifício; têm caído muitos azulejos, há sectores do texto pintado em risco, tudo caminho para uma degradação eminente” segundo nos informou o director executivo do festival e também historiador de arte, José António Falcão. O Estado Português prometeu ali fazer obras em 2004. Acontece que estamos em 2017 e não há ainda obras. Contudo estão a ser dados passos para que as obras sejam feitas porque, “localmente já se conseguiu assegurar uma colaboração entre o Município e a Diocese no sentido de se fazer uma candidatura a fundos comunitários, esperando-se que esta possa pagar 85% do investimento. Os restantes 15% seriam repartidos entre Câmara, Igreja e Estado, mas o Estado não se responsabiliza pelos 5% que lhe corresponderiam”.

 

 

Enquanto não há um acordo total, este espaço que é visitado por milhares arrisca-se a fechar portas… Onde está o serviço e valorização do património por parte do estado?

 

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Ainda em Castro Verde aproveite para visitar a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios (como habitualmente é chamada, devido a alusão à fama de milagreira que alcançou uma imagem da Virgem, de roca, oferecida por um devoto, segundo apurámos em 1630. Este monumento está também ligado à Batalha de Ourique. Mas a beleza não se esgota no património religioso. Há um moinho de vento que foi recuperado em 2003 pela autarquia e que está em plena actividade, depois de 60 anos inactivo. A visita ao seu interior é imperdível até pelos aromas que somos levados a sentir.

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Num fim-de-semana em que pudemos finalmente usufruir de sol e bom tempo em pleno Alentejo (no decorrer do Terras sem Sombra entenda-se), fomos usufruir de uma paisagem natural de pura e rara beleza, ao mesmo tempo que assistimos à tosquia das ovelhas, tanto pelo método mecânico como o tradicional, além da visita ao Polo de Tecelagem do Lombador.

 

 

Campo Branco, é o nome da sub-região Alentejana na qual se insere Castro Verde. Este nome é dado devido ao esbranquiçado das planícies locais. Nesta região destacam-se a abetarda e o sisão, duas espécies em vias de extinção.

 

 

As ovelhas assumem enorme importância nesta região mas há um problema gravíssimo que tem que ser resolvido: o valor da lã tem vindo a desvalorizar e actualmente o que é ganho apenas serve para pagar ao tosquiador. Em média o preço de lã é 1.60 euros por quilo. Se pensarmos que ao compramos uma camisola de lã de conhecidas marcas de vestuário pagamos dezenas de euros…este valor acaba por ser vergonhoso! É conveniente que e uma vez por todas comecemos a valorizar o que produzimos e acima de tudo quem o produz, pois há gastos que convém, no mínimo, serem compensados.

 

 

 

O Polo de Tecelagem do Lombador veio substituir a antiga escola primária do Lombador, em Dezembro de 2016, sendo o terceiro polo do Museu da Ruralidade. Neste espaço é possível apreciarmos mantas e outros documentos relativos a esta arte.

 

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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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