Turismo 2.0: como a ascensão do digital mudou os comportamentos no turismo

A ascensão da web 2.0 no início do século alterou de forma indelével o nosso mundo ao massificar a utilização de dispositivos móveis e uma dependência quase total da internet. A partir do momento em que a rede se tornou bidirecional e qualquer utilizador tinha a possibilidade de participar, praticamente todos os setores de atividade migraram para o digital, fazendo com que a aquisição de hábitos digitais fosse uma inevitabilidade para o cidadão comum. Tido como um dos setores que mais depressa se adapta às circunstâncias, o turismo não ficou à margem desta mudança e hoje pode dizer-se de forma categórica que o turismo é assaz influenciado pelo digital.

O sector do turismo tem uma importância enorme para a economia portuguesa e está cada vez mais dependente do mundo digital, já que é online que as pessoas estão e, por isso, os canais de aquisição têm de ter isso em conta. De resto, a forma como os Municípios da Região de Lisboa disponibilizaram recentemente incentivos complementares para promover a atividade turística atestam isso mesmo. As ofertas foram colocadas no site do Turismo de Lisboa e os interessados teriam de consultar a informação de cada oferta online para poder ter acesso aos benefícios. Além disso, o próprio sistema de reservas de voos ou alojamento está hoje sedimentado online, com grandes plataformas a apresentar ofertas perfeitamente adequadas às necessidades dos utilizadores com apenas alguns toques no ecrã de um smartphone.

Esta dependência em relação à tecnologia no geral e à internet em particular alterou os hábitos de consumo, os comportamentos do dia-a-dia e também a forma de obter informação. Estes aspetos são transversais ao turismo, e hoje é possível ficar a conhecer um sítio sem nunca se ter estado geograficamente perto. A utilização da realidade virtual no turismo permite colocar a pessoa em cenários altamente atrativos e personalizados à medida dos interesses do cliente. Esta ação exerce uma influência positiva nas fases críticas de decisão, nomeadamente no momento em que o utilizador recolhe dados acerca de vários destinos e na confirmação da reserva, ou seja, na conversão.

Por outro lado, esta utilização exacerbada de dispositivos tecnológicos modifica de forma intrínseca os comportamentos associados a diferentes tipos de turismo. Há uma crescente valorização de experiências online em detrimento do turismo tradicional. Muitos apreciadores de turismo de casino e animação, por exemplo, optam hoje por opções como as apresentadas em portais como Casinos.pt, visto que tais plataformas disponibilizam os jogos mais populares e que, com o uso da tecnologia, oferecem as mesmas experiências imersivas de um estabelecimento convencional. Através do streaming, o turismo de formação migrou para plataformas como o Udemy, onde alguns dos melhores professores ensinam online. Aliás, o turismo de negócios e eventos sofreu as mesmas alterações a partir do momento em que muitas reuniões, eventos ou palestras passaram a ocorrer no Zoom ou no Skype. O mesmo sucede relativamente ao turismo musical, já que sites como o Mosh Cam possibilitam assistir a concertos sem sair de casa.

A perceção de que uma experiência virtual não substitui o empirismo é óbvia, mas a tendência de comportamentos e o perfil das novas gerações aponta no sentido de existir uma valorização crescente deste tipo de ações. De forma denotativa, podemos apontar o fator novidade como preponderante para a popularidade das experiências online ou ações de realidade virtual. Contudo, essa é apenas a ponta do icebergue. Os novos consumidores querem experiências personalizadas a toda a hora e em qualquer lugar. Ora, existe uma adequação perfeita entre esta procura e a oferta de experiências virtuais.

Se tomarmos como exemplo os hotéis e museus, que preenchem uma percentagem aprazível do que se convenciona como turismo tradicional, percebemos que a cadeia de hotéis Marriott lançou há pouco tempo a campanha de realidade virtual Teleporter e os museus possuem cada vez mais tours virtuais. Como mencionado, o setor do turismo adapta-se rapidamente às circunstâncias e existem sinais reveladores da influência do digital no turismo. Em breve se perceberá se estes sintomas não passam de uma febre passageira de tendências, como sucedeu com os wearables, ou se este casamento entre o turismo e o digital vai realmente consumar-se.

 

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