Vidigueira: Vinho de Talha ‘Farrapo’ chega ao mercado e nasceu de uma história de amor

Foi em ‘Terras de Pão’ e com ‘Gente de Paz’ que iniciou a 16ª edição do Festival Terras sem Sombra. Entre Vila de Frades e Vidigueira, tempo para descobrir património, apreciar canto gregoriano, conhecer a história das laranjas da Vidigueira e…um novo vinho que chegará ao mercado.

Teresa Caeiro e Arlindo ruivo são neta e avô, mas também os responsáveis da ‘Gerações da Talha’, que lançará no mercado, muito em breve, o vinho ‘Farrapo’.

Na pequena, mas com grande história, Vila de Frades foi o amor que fez uma jovem regressar à sua terra para apostar na tradição.

Em declarações ao Infocul, Teresa começou por explicar que “fiz a licenciatura em engenharia geológica e de minas no Técnico e depois fiz um estágio em Angola e aí percebi que não gostava assim tanto dessa área e devia mudar. Depois, conheci um jovem da Vidigueira e resolvi vir para cá, mas já olhando para o vinho de Talha. Como não tinha ainda bases em viticultura e enologia, fiz primeiro um estágio na Adega da Vidigueira na parte do campo e do laboratório durante as vindimas e depois então inscrevi-me num mestrado de viticultura e enologia em Évora e aí já tudo fazia sentido e nas aulas do mestrado já pensava na nossa empresa e o projecto foi todo desenvolvido mesmo durante as aulas”.

Projecto que “foi desenvolvido e quando estava a terminar o mestrado comecei a trabalhar numa adega de vinhos tecnológicos. Comecei a desenvolver este projecto com o meu avô e com a minha mãe e então temos o projecto que se chama Gerações da Talha e começámos a fazer o vinho como os nosso bisavós e avós sempre fizeram em Vila de Frades. O nosso objectivo é fazer o vinho genuíno e autêntico”.

Isto porque “apesar de saber muito de tecnologia não é o meu objectivo de todo, é mais saber o porquê de fazer tendo por base uma tecnologia”.

A aposta na produção tradicional aumentará os custos deste vinho. Teresa explicou-nos que “é um vinho que sai para o mercado com um custo elevado, porque tem realmente muitos custos de produção, é feito com força humana”.

Revelou-os que sairão cerca de 2550 garrafas de branco e 1500 de tinto e que “estamos a falar de um p.v.p. de 15 euros por garrafa”. O lançamento, provavelmente, ocorrerá em “meados de Fevereiro”.

Este vinho conta com as “as castas da região, o Vinho de Talha é caracterizado por não ser monocasta. São as vinha mais antigas que temos, são vinhas que são tratadas não em relação à quantidade, mas em relação à qualidade. Temos sempre muito pouca uva, o que nos faz ter uma grande composição fenólica na uva”.

A aposta da juventude na tradição tem também, segundo Teresa, como objectivo “fugir aos químicos. Mesmo pela nossa saúde, e sabendo que uvas vão ter menos químicos vamos apostar e vamos começar a comer dessas uvas”.

O nome Farrapo é uma homenagem ao facto de os Frades vestirem-se modestamente aquando dos votos de pobreza. Farrapos que são, também, utilizados para diminuir a temperatura nas talhas.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

Rui Lavrador has 6611 posts and counting. See all posts by Rui Lavrador

Rui Lavrador

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.