Segunda-feira, Outubro 18, 2021

Almeirim: “Entre Flamenco e Fandango, sobressaiu o cantar do’s Rouxinol”

Almeirim: “Entre Flamenco e Fandango, sobressaiu o cantar do’s Rouxinol”
Arena de Almeirim/ D.R.

Aproveitando a analogia e estando na Capital da sopa da pedra, tenderei a afirmar que as Corridas são como a dita (sopa da pedra), quando se juntam os ingredientes certos é uma maravilha.

Posto isto, cumpre dar referência que, compuseram o cartel deste espectáculo  os cavaleiros da dinastia Rouxinol, Luís Rouxinol pai e Luís Rouxinol filho, o matador António Ferrera, umas das figuras maiores do toureio a pé e o novilheiro Diogo Peseiro, que hoje debuta na sua terra, Almeirim. 

Este espetáculo, organizado pela Santa Casa da Misericórdia de Almeirim, em conjunto com o ex-Matador de Toiros e empresário tauromáquico Rui Bento Vasquez, conseguiu com ajuda de todos quantos corresponderam a este rematado cartel, angariar um de total de mais de 15.000€ para esta instituição, isto é ser tauromáquico!  

A praça apresentou-se com lotação esgotada, dentro dos limites impostos, segundo anunciou a organização.

Primeira lide da noite, abriram praça Luís Rouxinol e Luís Rouxinol Jr, vestindo ambos casaca bordeaux, com bonitos bordados brancos. 

Brindaram o público presente com uma lide a duo, a primeira esta temporada, perante o primeiro da ganadaria São Marcos com 545kg. Tiveram por diante um exemplar desta ganadaria que tem como encaste dominante Parladé, e que ofereceu algumas dificuldades no início da lide aos cavaleiros de pegões, consentido até um ou outro aperto. 

Acabaram já em curtos por melhor se entender com o toiro e terminar a sua atuação em bom tom, com quatro últimas sortes bem desenhadas, cravando à tira, mas com correção e de alto a baixo! 

Para a pega Pedro Moreira, pelos amadores da chamusca, consumando ao primeiro intento, uma pega tecnicamente exemplar, citando, deixando o toiro respirar, alegrando e recuando com destreza, reunindo bem consumando com o grupo a ajudar bem! Nota para a rabejação que correu menos bem, mas, nada grave, bem!

Naturalmente, volta para os cavaleiros e para o forcado. 

Foi então tempo de soar na Arena de Almeirim, o “salero” e o “temple” de António Ferrera, que hoje vestia de  Azul e dourado, ostentado um porte e estar de Figura que é!

Em sorte, para a primeira faena da noite teve um toiro David Ribeiro Telles com 540kg. A ganadaria David Ribeiro Telles, com proprietários do concelho vizinho, Coruche, repousando na conhecida Herdade da Torrinha, tem como encaste predominante Pinto Barreiros e Parladé (origem na linha Domecq).

O toureiro de Buñola, abriu praça com simplicidade e sem exuberâncias, brindando o público com uma série de bonitas e ajustadas verónicas. 

Foi no tercio de muleta que António Ferrera deixou soltar o seu perfume. Pela direita, pela esquerda, mais ajustado, mais na ponta da muleta, rematando com passe de peito, ou saindo desplante… houve de tudo. Mas, houve arte, e empatia com o público, principalmente nos valorosos muletazos pela esquerda, “Naturales”, onde o público correspondeu ao toureio do matador. 

Ligeira nota, apenas para alguma “largueza” em demasia em alguns dos lances, levando o toiro pela ponta da muleta, retirando verdade e emoção, ainda mais, ao toureio a pé em Portugal. Bem como, na hora da “sorte suprema” que por cá, se limita a uma simples bandarilha, bem… foi poucochinho a atitude de Ferrera, bem algum do público a não perdoar e a brindar o matador com um merecido assobio. 

Em praça para o terceiro da noite, novamente da ganadaria David Ribeiro Telles, com 520kg, o novilheiro Diego Peseiro, trajando de Branco com motivos florais.

Brindou o público da praça da sua terra, com uma série de capote de muito boa nota, recebendo este seu primeiro da noite de joelhos, executando desta forma três lances ajustados e de grande emoção para o público rematando com uma bonita chicuelina.  Esteve também a cargo do novilheiro o tercio de bandarilhas, e que bem! 

Cravou dois pares de muitíssima boa nota, rematando a sorte com uma brega “con el cuerpo”, mostrando um querer e vontade doutro mundo, praça a corresponder com ovação em pé ao novilheiro! 

Rematou com uma sorte ao quiebro cravando de violino, que bem! 

No tercio de muleta, brindando a António Ferrera, iniciou de “rodillas”, menos bem, rematando já de pé por “la derecha”. Seguiu a pôr a carne toda no assador, como se diz cá no Ribatejo. Passes de muleta ajustadíssimos, tanto pela direita como pela esquerda, faltando um pouco de temple, mas a vontade e a raça estiveram lá. Destaque para a última série de passes pela esquerda de boa nota e para os bonitos e vistosos passes de peito com que rematava cada série. Rematou a sua faena, sem bandarilha, entrando toiro adentro, simbólico, mas bonito.

Por uma questão de logística e eficiência, bem hajam, as lides a pé decorreram todas seguidas! 

Desta forma, nesta noite que já começava a refrescar na capital da sopa da pedra, em praça, novamente, António Ferrera, novamente diante de um toiro David Ribeiro Telles, com 455kg. Um toiro com menos peso que os anteriores, mas um pouco mais cara que os anteriores. 

Desde o segundo lance de capote se percebeu que esta seria uma lide de dificuldade diferente, um toiro que procurava o toureiro, mais coirão e a humilhar pouco na investida. Ferrera após os lances “da ordem” chama ao redondel o seu companheiro de cartel, o novilheiro Diego Peseiro, para juntos tourearem “al limon” procurando brindar o público com uma serie de chicuelinas , tendo a primeira resultado com emoção e verdade, já a segunda, resultou na colhida do matador espanhol de forma aparatosa e dura. Graças a Deus e a Nossa Senhora de Macarena, nada demais daí decorreu. No tercio de bandarilhas, ainda com a praça envolta em preocupação por Ferrera, pouco se fez, este toiro de traços mansos não permitia nada e procurava de forma pouco nobre o toureiro.

E eis que, após minutos de preparação, Ferrera rompe praça já de muleta na mão e sem jaquetilla, para dar seguimento à sua faena. 

E que bem esteve, veio com ganas e procurou retirar o que pudesse haver neste David Ribeiro Telles, numa busca louvável de corresponder e respeitar o público, FIGURA.  Uma série de passes pela esquerda de fazer tremer a arena de Almeirim, e pela direita a andar com valor e a arriscar perante este coirão. 

Volta, com a arena de Almeirim de pé para António Ferrera! 

Em praça, novamente o novilheiro Diogo Peseiro, perante o único São Marcos para toureiro a pé, com 525kg. 

Disposto a deixar tudo dentro de praça, recebe este seu segundo da noite, à sorte gaiola e de “rodillas”. Prosseguindo com uma série de verónicas bem desenhadas. 

No tércio de bandarilhas, andou bem o novilheiro, ainda assim, cravando com menos exuberância que na sua primeira faena. 

Nesta última sorte de muleta da noite, que já se punha fria, andou menos exuberante, mas mais templado o toureio do novilheiro. Deu tempo ao toiro, arriscou, mas não conseguiu ligar-se ao público e ao toiro como na sua primeira faena. Ainda assim, nota para as duas últimas séries precisamente pela esquerda e seguidamente pela direita, que com temple e calma permitiram ao novilheiro fechar com chave de ouro a sua passagem em Almeirim.

Findas as faenas a pé, foi hora de novamente entrarem em praça os cavaleiros de Pegões, para lidarem os dois últimos São Marcos da Noite, agora já com lides individuais! 

Em praça o Mestre de Pegões, que comemora este ano 34 anos de toureio, ao maior nível.  Praticou uma vez mais, um toureio de verdade, sem ilusionismos, exuberâncias ou vaidades. 

Mediu forças toda a lide, com um São Marcos “sacana” que se emparelhava com o cavalo e procurava agarrar pela certa. Mas, uma vez mais, embalado pelo Douro, usou e abusou das bregas ajustadas e levou por diante as investidas menos nobres deste São Marcos. Cravou de frente e ao estribo, cravou à tira, sem faltar ao par de bandarilhas, executado à tira, mas “en su sítio” como tão bem o tem vindo a fazer. 

Nota para, após estes anos todos, continuar a não se negar a nada e a mostrar que anda cá para o Totoloto, cravando um palmito de grande valor. Que lide do mestre Luís, Categoria! 

Para a pega deste quarto o da noite, o forcado Francisco Borges, dos Amadores da Chamusca!

Na primeira tentativa, esteve bem o forcado, citando, templando e reunindo com classe, tendo após a reunião o toiro dado duras mangadas e fugido ao grupo, não sendo possível consumar. Na segunda tentativa, já foi diferente, o toiro meteu o piton no momento da reunião e procurou desde logo descompor o Forcado, não dando qualquer hipótese. Na terceira e derradeira tentativa, já com ajuda carregada, Francisco resolveu com galhardia a pega deste toiro! Bem o grupo a manter a calma e postura! 

Volta, naturalmente para ambos os artistas! 

Para fechar uma agradável noite de toiros, o ginete de pegões, Luís Rouxinol Jr., diante do último São Marcos da noite com 555kg. Começou brindando a sua lide ao coruchense, José Peseiro, treinador de Futebol e empresário da praça de toiros de Coruche.

Mais um São Marcos de boa apresentação, sempre vistosa, apesar de pouco consensual esta pelagem. 

Na sua lide, o ginete andou bem, procurando desenhar corretamente as suas sortes, cravando à tira, mas com emoção ons seus compridos.  Em curtos, embalado pelo Girassol, cavalo de confiança da quadra do cavaleiro, desenhou a sua lide da noite, e que lide, desenhou o Luís Rouxinol Jr., nesta noite que media galões com seu pai. Perante um toiro disposto e nobre, talvez o mais nobre da corrida, que se deixou lidar, arrancando com seriedade e verdade para cada ferro, permitindo reuniões bonitas e bem rematadas! Destaque para o penúltimo curto e o último, de palmito, mérito! 

Na última pega da noite foi à cara Francisco Rocha, na sua primeira tentativa, com o toiro a consentir até mais não, e a ligar-se ao Forcado, este esteve bem e conseguiu uma reunião e viagem dura, mas de mérito, acaba por não consumar após derrotes já em tábuas com o grupo a não conseguir fechar. Na segunda tentativa, heroico o forcado da cara a aguentar tudo e mais alguma coisa, após uma reunião em que consentiu que o toiro tivesse a vantagem, dura esta, mas de muito valor! Muito bem!

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