Lisboa: 3 mulheres em prisão preventiva por crime de burla

O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, através da Divisão de Investigação Criminal, no dia 6 de novembro, procedeu à detenção de três mulheres com idades compreendidas entre os 24 e os 38 anos de idade, por serem suspeitas da prática do crime de burla qualificada.

No âmbito de uma operação de investigação criminal com o objetivo de terminar com a prática de diversas burlas qualificadas, praticadas por quatro reclusos a partir de um estabelecimento prisional, os Polícias apuraram que os reclusos contavam com colaboradores, normalmente familiares em liberdade, onde se incluem as ora detidas, sendo estes os responsáveis por receber, guardar e vender os artigos adquiridos de forma ilícita.

Durante a presente investigação foram burladas diversas empresas nacionais com objetivo de adquirir os mais variados produtos com propensão de venda no “mercado negro”.

O modo de atuação desta estrutura criminal era selecionado consoante o tipo de produto que era procurado para vender, trabalho que era desenvolvido pelos mentores da organização criminosa – quatro reclusos, que se encontram a cumprir pena de prisão efetiva pelo mesmo tipo de crime. De forma a conseguir ganhar credibilidade e confiança junto dos empresários, os suspeitos (reclusos) quando faziam os contactos (email ou telefone), intitulavam-se como engenheiros ou administradores de conceituadas empresas nacionais.

Para concretizar as burlas, falsificavam os documentos de transferências bancárias levando a acreditar que já tinham executado o pagamento. Em simultâneo e antes que os ofendidos recuassem na concretização do negócio, os suspeitos contactavam com empresas transportadoras ou táxis para a recolha dos materiais encomendados no mais curto espaço de tempo possível.

Com esta prática adquiriram artigos como televisores, computadores, telemóveis bicicletas, ferramentas de bricolagem, geradores, máquinas de lavar e secar, produtos alimentares, máscaras, álcool gel, entre outros.

A investigação que durou aproximadamente seis meses, permitiu identificar dezenas de burlas cometidas pelos reclusos e pelas ora detidas em todo o território nacional.

No mesmo sentido, foi possível demonstrar que os suspeitos fizeram desta atividade criminal modo de vida, causando um prejuízo patrimonial superior a 400.000 Euros.

A PSP acredita no entanto na existência de outros ofendidos, sobre os quais a identidade ainda é desconhecida, mas continuará a envidar esforços no sentido de chegar a todas as pessoas que foram vítimas deste esquema, de forma a poder responsabilizar, os seus autores.

No decurso da operação foram realizadas buscas domiciliárias nas residências dos suspeitos colaboradores, bem como às celas dos quatro reclusos, levando à apreensão de vários objetos correlacionados no rol de burlas praticadas pelos suspeitos:

·         80 latas de conservas;

·         49 perfumes;

·         3890 euros  em numerário;

·         25 munições de calibre.22;

·         24 telemóveis de marcas diversas;

·         23 televisões de diversos tamanhos/marcas;

·         19 eletrodomésticos de várias marcas e modelos;

·         17 colunas de som;

·         09 computadores portáteis de diversos tamanhos e marcas;

·         06 bicicletas;

·         03 viaturas;

·         03 suportes de bicicletas;

·         04  tablets;

·         03 caixas de telemóveis vazias;

·         03 ar condicionados;

·         03  amplificadores de som;

·         03 comandos de varias televisões,

·         02 caixas de vinho com seis garrafas;

·         02 caixas de mascaras descartáveis;

·         02  suportes de coluna;

·         02 Overbords;

·         01 GPS;

·         01 máquina fotográfica;

·         01 máquina de barbear;

·         01 garrafa de bebida espirituosa;

·         01 caixa de relógio;

·         01 caixa com camara de vídeo;

·         01  gerador a diesel;

·         01 Airpod da marca Apple;

·         Várias ferramentas de bricolagem;

·         Vários papeis manuscritos e documentos diversos.

As detidas foram presentes no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, para 1.º interrogatório judicial, sendo-lhes aplicada a medida de coação de prisão preventiva.