Raquel Tavares: A princesa do Fado voltou! E com que força…

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Raquel Tavares apresentou perante um Grande Auditório do CCB, o seu novo disco “Raquel” que sucede a “Bairro” gravado há oito anos. Portugal já suspirava pelo furacão Raquel Tavares, aquela que ontem esteve extraordinária em palco, sendo caso para dizer que a princesa do Fado voltou.

Poucos minutos antes das 21:00 havia um mar de gente junto das portas do Grande Auditório do CCB, que posteriormente se encaminharam ara a sala preenchendo-a até às galerias em pé. Depois das luzes apagadas surge por entre a escuridão em cima do palco pegando e tocando guitarra portuguesa a fadista que todos queriam ouvir. “Fama de Alfama” foi o tema que abriu concerto, numa bonita homenagem ao seu bairro, de sempre e para sempre o seu bairro.

 

 

Seguiu-se “Já não sei” após o qual e visivelmente emocionada dirigiu as primeiras palavras ao público: “Boa noite, é uma alegria imensa…raras são as vezes em que me faltam as palavras…quem me conhece sabe”…disse antes de agradecer a presença do público numa noite pela qual ansiava desde há oito anos a esta parte.

 

 

No novo disco de Raquel Tavares encontramos sonoridades do mundo, conjugadas com a portugalidade das letras e claro a fadistice que Raquel imprime a qualquer tema interpretado. De Miguel Araújo ouvimos “Tradição” para logo de seguida, e da autoria de Tiago Bettencourt ouvirmos e emocionarmo-nos com “Gostar de quem gosta de nós”.

 

 

“Não me esperes de volta” antecedeu um sumarento “limão” no qual temos que destacar o arranjo musical, absolutamente extraordinário. O público acedeu ao pedido da fadista e acompanhou-a com palmas e trauteando o refrão. Neste tema contou com Sebastião Santos no bombo que se juntou a Fred Ferreira na bateria e percussão, André Dias na guitarra portuguesa, Bernardo Viana na viola de Fado e Daniel Pinto no baixo.

 

 

Raquel tem a genica da sua juventude, 31 anos (canta fado há 26), e um profundo respeito e admiração pela geração fadista mais antiga. Recordou Fernando Mauricio, Maria da Fé, Lenita Gentil e claro a sua maior referência, falecida em final de 2015, Beatriz da Conceição. Interpretou “Meu corpo” em sua homenagem. De coração aberto confidenciou que os cantores da sua vida são Rui Veloso e Roberto Carlos. De Rui Veloso, e que consta no disco, interpretou “Regras da Sensatez” apenas acompanhada por Bernardo Viana. Os dois foram apenas um e a magia aconteceu.

 

 

Recuperando o ambiente das casas de fado, juntou o seu viola e o seu guitarrista no centro do palco e depois de recordar que antigamente os fadistas tinham carteira profissional, interpretou “Minha alma de amor sedenta”, “Ardinita” e “Senhora do Livramento”.

 

 

Para aliviar um pouco o ambiente, segundo palavras da fadista, o público foi brindado com um fado que Raquel cantava com 10/11 anos, “Fui ao baile”.

 

 

Raquel é uma pessoa grata a quem nela aposta, “depois de muitos anos me terem feito sentir que eu não era o cavalo certo”. Agradeceu aos produtores deste disco: Fred Ferreira, Tiago Bettencourt e João Pedro Ruela. João Pedro Ruela que ficámos a saber teve um papel preponderante para que não desistisse e passasse a acreditar.

 

 

O single deste novo disco já se encontra bem memorizado pelos fãs da fadista, “Meu amor de longe” que antecedeu “O Rapaz da camisola Verde” de Frei Hermano da Câmara. Recordou novamente Beatriz da Conceição com “Deste-me um beijo e vivi”, o qual antecedeu encore.

 

 

O público aplaudia efusivamente e de pé, obrigando a fadista a regressar a palco para à capella ‘sacar’ o momento da noite. Poder vocal, garra, alma, sentimento, amor ao fado, respeito pelo público, tudo ficou ali condensado num momento arrepiante para quem assistiu.

 

 

Fechou o espectáculo com o single do novo disco e em clima de festa. Há saída o público regozijava o regresso aos grandes palcos por parte da fadista. E nós também. A cultura e o fado em particular, precisavam de novo ter uma Raquel em grande, nos grandes palcos. Palcos onde leva a alma de Alfama. Com Raquel viajamos pelo mundo sem nunca sairmos de Alfama. Raquel mais do que tudo é fado. Cante o que cantar.

 

Fotografias de: Alfredo Matos

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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