Teatro Estúdio Ildefonso Valério fecha portas e acusa Ministério da Cultura

O Teatro Estúdio Ildefonso Valério emitiu um comunicado, no qual anuncia que irá fechar portas a partir de 1 de Dezembro, devido a falta de apoios e acusa o Ministério da Cultura por essa situação.

Abaixo, o comunicado na íntegra:

O Teatro com mais actividade de toda a região Norte de Lisboa é vítima do sub-financiamento do Ministério da Cultura ao programa de apoio sustentado da Direcção-Geral das Artes e será incapaz de apresentar programação anual em Janeiro próximo.

Com uma programação artística anual de criação e acolhimento de espectáculos – que ultrapassa as sessenta sessões por ano – a companhia Cegada Grupo de Teatro, de Vila Franca de Xira, vê-se obrigada a suspender a actividade em curso que serve anualmente mais de oito milhares de espectadores provenientes de estabelecimentos de ensino, museus, bibliotecas, colectividades, lares, IPSS e público geral do território a Norte de Lisboa.

A direcção deste colectivo artístico – sublinha que o projecto, elaborado em parceria com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, foi considerado elegível e pontuado pela Direcção-Geral das Artes com 79% (mais 15 pontos percentuais que a última candidatura apoiada) – explica que não se trata de um corte percentual mas sim de um apoio de ZERO EUROS para os próximos dois anos, 2020-2021, o que representa um categórico abandono do Governo Central ao território de abrangência deste equipamento cultural público, com repercussões directas sobre todos os espectadores/utentes e instituições que dele fazem uso, levando à inevitabilidade do seu encerramento por ausência de vontade política e consequente cessação do financiamento à sua actividade.

Para a esta companhia, segundo a constatação factual do comportamento da Sra. Ministra em que se elenca: 1º- A ocultação, desde 25 de Julho, de resultados do concursos para que os mesmos não fossem conhecidos em período eleitoral; 2º- A inexistência de resposta aos comunicados oficiais da Direcção-Geral das Artes e da sua Comissão de Avaliação e em 3º lugar, o total silêncio sobre todas cartas e declarações enviadas pelas plataformas e sindicatos representantes do sector, assim como as comunicação subscritas por milhares de pessoas, trabalhadores e público utente do sector, são motivos, mais que suficientes, para uma séria reflexão sobre as condições democráticas que a Sra. Ministra apresenta para se manter as funções que hoje ocupa.

A companhia Cegada Grupo de Teatro, actualmente em cena a peça Fonteira Fechada, do autor Alves Redol, figura maior da literatura neorealista em Portugal que é vista por mais de seis centenas de pessoas, conta presentemente com 17 postos de trabalho: 3 contratos de trabalho (direcção administrativa, artística e técnica); 11 trabalhadores independentes (actores e formadores) e 3 estagiários do curso profissional de artes cénicas, que cessarão funções com o termino da temporada da referida peça no próximo domingo, dia 1 de Dezembro.